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Por este autor: patipelomundo

Cultura Ubaid

Início da Estratificação Social na Pré-História -

A Cultura Ubaid teria começado a florescer por volta de 5.400 a.C, ou seja, um pouco posterior a cultura Hassuna, Samara e Halaf e mais ao sul da Mesopotâmia. Essa cultura é conhecida por estabelecer as bases para as futuras civilizações na região, incluindo Eridu e Uruk.

Nessa época, a região do Crescente Fértil já estava produzindo cerâmicas em grande escala, e é nessa época que floresce a Cultura Ubaid, cujo nome deriva do sítio arqueológico Tell al-Ubaid, no sul da província iraquiana de Dhi Qar, e a oeste de Ur, representando a primeira ocupação na planície aluvial da Mesopotâmia meridional e possuindo relações claras com as outras culturas anteriores da região central do Iraque.

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Foto do crânio de uma mulher de meia-idade descoberto em 2011 em Tell Nader, perto de Erbil no Curdistão Iraquiano do período de Ubaid

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A cultura Ubaid pode ser dividida em 3 fases principais:

Fase Ubaid 1: de 5.300 a.C. a 4.800 anos a.C.

Também chamada de Eridu. Foi uma fase limitada ao extremo sul do Iraque, às margens do Golfo Pérsico. Essa fase mostra clara conexão com a Cultura Samarra, ao norte, citada anteriormente. Essas pessoas foram pioneiras no cultivo de grãos, em condições extremas de aridez, graças às cheias dos rios no sul do Iraque.

Aparentemente havia uma tradição na região de que cada local ou cidade tivesse uma divindade padroeira, ou que cada cidade fosse dada a um deus para que esse a supervisionasse. Segundo as fontes e os registros mitológicos das antigas sociedades da região da Mesopotâmia, Eridu era considerada o lugar da criação.

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Seria a mais antiga cidade. Reparem que agora passamos da fase dos assentamentos para o termo de cidade, simbolizando o princípio da civilização, tal como os mesopotâmios concebiam. O deus patrono de Eridu seria Enki, associado às águas doces. Posteriormente, a mitologia do deus Enki foi recebendo várias narrativas pelos povos que foram ocupando a região, como sumérios, acadianos e babilônicos, chegando aos dias atuais.

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Por exemplo, nessas narrativas, Enki seria o responsável pela criação da humanidade. Os deuses estavam cansados com a quantidade de serviço na Terra e Enki, com sua sabedoria, teria criado o homem a partir do barro, para ajudar os deuses no trabalho.

Enki também teria desempenhado um papel crucial em uma narrativa acadiana/babilônica, conhecida como Atrahasis, que é a versão mesopotâmica do Dilúvio:

Seu irmão, uma divindade denominada Enlil, ficou irritado com o barulho incessante que os humanos faziam e decidiu eliminar a humanidade por meio de um dilúvio devastador. Enki não teria conseguido deter o plano de Enlil e decide descer à Terra para salvar um homem justo chamado Atrahasis. Enki teria instruído Atrahasis a construir uma arca e, assim, o homem consegue escapar da fúria de Enlil.

Acredita-se que as histórias da criação do homem, a partir do barro, e a do dilúvio, da Mesopotâmia, tenham inspirado outras, como a história de Noé e sua arca do livro bíblico de Gênesis (a data mais antiga possível desse livro é de 1.450 a.C.). Na verdade, acredita-se é que esses contos sejam muito mais antigos e foram preservados pela tradição oral até serem escritos.

Mas, afinal, será que o grande dilúvio realmente ocorreu na região e, se ocorreu, quando teria acontecido? O que pesquisadores e arqueólogos constataram é que várias inundações significativas ocorriam na região, quando os rios Tigres e Eufrates transbordavam de suas margens, então, muito provavelmente, um dilúvio ocorreu na região.

Fase Ubaid 2: de 4.800 a.C. a 4.500 anos a.C.

Nessa fase, teve início o desenvolvimento de redes de amplos canais para sustentar os grandes assentamentos. O uso da agricultura de irrigação se desenvolveu rapidamente e se espalhou para outros lugares, tornando-se base dos primeiros trabalhos coletivos e exemplo de coordenação centralizada do trabalho na Mesopotâmia. O comércio também se desenvolvia de vento em polpa, já que o excedente agrícola era negociado nas vizinhanças, levando ao enriquecimento dessa cultura.

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Fase Ubaid 3: de 4.500 a.C. a 4.000 anos a.C.)

Nessa fase ocorreu uma intensa urbanização e rápida disseminação da Cultura Ubaid para o norte da Mesopotâmia, substituindo a Cultura Halaf, que foi mencionada anteriormente.

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Além do excedente agrícola, os artefatos cerâmicos da cultura Ubaid se espalharam também, atingindo todo o litoral da Arábia, negociando em Dilmuns, atual Bahrein, e chegando até Omã, mostrando o crescimento de um sistema de negociação entre diversos assentamentos e o uso da tecnologia para o desenvolvimento da navegação, atingindo assim territórios mais distantes, para fazerem seus negócios.

A Cultura Ubaid é caracterizada por grandes aldeamentos, por casas de tijolos de barro retangulares com vários cômodos. Surgem também diversos utensílios domésticos, como luminárias à vela de excelente qualidade e cerâmicas coloridas, principalmente esverdeadas, decoradas com desenhos geométricos em tinta marrom ou preta.

Foram também amplamente utilizadas ferramentas como foices, confeccionadas com pedra e, às vezes, com metal. Essa cultura foi também responsável pela adoção da roda em equipamentos para fazer as cerâmicas, conseguindo fazer potes com bases mais arredondadas que as outras culturas. Pode-se dizer que as cerâmicas começaram a ser usadas como moeda para as trocas comerciais da produção agrícola.

Essa fase foi considerada como o início da Era do Bronze, em que o ser humano desenvolveu a técnica de fundição do cobre com o estanho. Os objetos passam a ter aspecto mais elaborado e resistente. Com toda essa prosperidade, povos de outros lugares migraram para lá, em busca de oportunidades.

Outro fator que se destaca foi o aparecimento de um sistema de hierarquia de classes (pelo menos duas). A sociedade já demonstrava início de uma estratificação social, com acentuada redução do igualitarismo e com o início de competição entre as famílias pelo poder regional.

Entretanto, aparentemente, havia baixa mobilidade social, que resultou no surgimento de uma classe de elite, constituída por chefes de grupos de parentesco, ligados de alguma forma à administração dos santuários/templos e dos celeiros, além dos responsáveis pela mediação de conflitos e pela manutenção da ordem social, criando assim uma democracia primitiva.

Os registros arqueológicos mostram que o período de interação da cultura Ubaid na Mesopotâmia com povos que viviam na região de Dilmun, no atual Bahrein, teria chegado a um fim abrupto por volta de 4.000 a.C. provavelmente devido às condições climáticas, como longos períodos de secas.

Dicas de Viagens

Novamente a dica aqui é ficar atento nos museus de antropologia ou de história espalhados pelo Oriente Médio. Cerâmicas da cultura Ubaid são mais fáceis de serem encontradas, já que elas se espalharam por diversas regiões, conforme a fama de Eridu crescia.

A cerâmica pintada Ubaid aparece em muitos locais no leste da Arábia Saudita e podemos ver uma pequena amostra dessas cerâmicas no Museu Nacional de Riad, capital da Arábia Saudita. Por outro lado, várias formas de cerâmica, pontas de flecha e pedras de moagem que essas pessoas usaram são de origem local e árabe.

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Em Erbil Civilization Museum que fica no Curtistão Iraquiano também é possível apreciar cerâmicas da civilização Ubaid.

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Publicado por patipelomundo 18:28 Arquivado em Iraque Comentários (0)

Erbil no Iraque

Preparação do Terreno para o Aparecimento das Primeiras Cidades

Enquanto em Mehrgarh (atual Paquistão) demonstrava uma sociedade cada vez mais organizada, com agricultura, domesticação de animais, cerâmica sofisticada e aldeias permanentes, lançando as bases para o florescimento da futura Civilização do Vale do Indo, com cidades extraordinárias como Harappa e Mohenjo-daro, na região do Crescente Fértil, as culturas Hassuna, Samarra e Halaf também preparavam o terreno para o aparecimento das primeiras cidades da Mesopotâmia.

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A civilização Hassuna floresceu no Crescente Fértil entre 6.000 a.C. e 5.300 a.C. e as descobertas relativas à cultura Hassuna devem-se ao sítio arqueológico de Tell Hassuna, que lhe deu o nome. Localizada principalmente no norte da Mesopotâmia, entre a atual Síria e o Iraque, a cultura Hassuna se destacou pela sua agricultura avançada e suas comunidades sedentárias.

Os Hassunaenses são considerados pioneiros no plantio de cevada e trigo, aproveitando as condições favoráveis do solo fértil entre os rios Tigre e Eufrates. Eles construíram vilarejos com casas de tijolos de barro e participaram de atividades comerciais, trocando produtos agrícolas e artesanais com comunidades vizinhas.

A cerâmica foi uma das suas contribuições mais notáveis, com vasos decorativos e objetos utilitários elaborados. Eles fizeram cerâmica no denominado “estilo Hassuna”: barro liso com tinta avermelhada em desenhos lineares que se destaca pela avançada técnica utilizada.

As moradias de Tell Hassuna eram construídas em torno de locais abertos e os núcleos apresentavam muitas cerâmicas pintadas e utilizavam também machados, foices, pedras de moagem, caixas, fornos de cozimento e numerosos ossos de animais domesticados, demonstrando que possuíam diversas atividades agrícolas. Verificou-se uma relação da cerâmica de Hassuna à de Jericó, sugerindo que a cultura estava se tornando generalizada.

A Cultura Samarra é uma civilização que viveu entre 6.200 a. C. e 5.700 anos a.C., na região norte da Mesopotâmia, mas um pouco mais ao sul de onde estava a cultura Hassuna. Foram encontradas evidências de irrigação de culturas, mostrando o desenvolvimento de uma cultura próspera, com uma estrutura social organizada e altamente povoada. Essa cultura é conhecida principalmente por apresentar uma cerâmica finamente confeccionada e decorada com fundos escuros e com figuras estilizadas de animais, aves e desenhos geométricos. Este tipo de cerâmica foi amplamente exportado na antiguidade, sendo uma das primeiras a se generalizarem na região.

A Cultura Halaf foi uma civilização que viveu entre 6.000 a. C. e 5.400 anos a.C. no norte da Síria, sudeste da Turquia e norte do Iraque. Entretanto, materiais ligados a essa cultura e sob influência dela são encontrados em toda a Grande Mesopotâmia, porém o local mais importante de descobertas da Cultura Halaf foi o sítio de Tell Arpachiyah, agora localizado nos subúrbios de Mosul, no Iraque. Fabricava cerâmicas pintadas com motivos decorativos, tanto figurativos como geométricos, que possivelmente tinham conteúdo religioso: seres humanos, répteis, escorpiões, panteras, pássaros, pintados de preto e vermelho. Foi um dos mais importantes centros de cerâmica policromada de qualidade, com um gosto mais acentuado, pelos motivos florais e geométricos.

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Dicas de Viagem:

Museus em geral: geralmente os museus de antropologia ou de história possuem várias cerâmicas para serem apreciadas, mas apesar de visitar vários museus ainda não consegui ficar cara a cara com cerâmicas de Hassuna ou de Samarra.

Não podemos esquecer que as cerâmicas não apenas serviram como um meio prático para armazenamento e utensílios, mas, também, como uma forma de expressão cultural e tecnológica, refletindo a evolução das técnicas de fabricação e dos estilos artísticos ao longo do tempo. Inicialmente, as primeiras formas de cerâmica eram simples e utilitárias, utilizadas para armazenar alimentos e água.

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Um museu que acredito que deveria ter muitas dessas peças seria o museu de Mossul no Iraque, mas infelizmente esse museu ficou em ruínas após ser destruído por extremistas do Estado Islâmico. Informações na mídia dão conta de que o grupo extremista devastou em massa, e com britadeiras, objetos e estátuas antigas e tesouros pré-islâmicos que estavam no museu. Aparentemente muitos danos são irreversíveis. Os extremistas também destruíram vários sítios arqueológicos no Iraque e na Síria, além de praticarem o tráfico de antiguidades para financiarem suas atividades. O museu de Mossul era considerado o segundo mais importante do Iraque.t

Em Erbil Civilization Museum que fica no Curtistão Iraquiano, consegui apreciar cerâmicas da civilização Halaf. O museu é pequeno, mas contém muito material fascinante. O museu é gratuito e fomos a pé a partir da cidadela de Erbil. O importante ao visitar o Iraque é saber da necessidade de vistos diferentes dependendo da região que você for. Para visitar o Curdistão Iraquiano o visto é obtido no próprio aeroporto de maneira muito fácil, mas esse visto não permite que você visite outras regiões do Iraque, como Bagdá, por exemplo.

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Para verificar como foi nossa visita ao Curdistão Iraquiano segue o link do canal no Youtube

https://youtu.be/g6lIOPgFJ8M?si=_K-5zmLI_01TP4ls

Publicado por patipelomundo 13:24 Arquivado em Iraque Comentários (0)

Karachi no Paquistão

Mehrgarh - Os Pioneiros do Vale do Indo

Quando pensamos no nascimento das primeiras grandes civilizações, é comum lembrar do Crescente Fértil, onde diferentes assentamentos humanos floresciam entre os rios e transformavam para sempre a história. Mas, enquanto isso acontecia no Oriente Médio, outro rio também preparava uma revolução silenciosa.

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No fértil Vale do Indo surgiram civilizações impressionantes, como a Harappa e a Mohenjo-daro, da Antiguidade. E, para entender como tudo começou, existe um lugar que fornece uma peça fundamental desse grande quebra-cabeça: Mehrgarh.

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Em uma planície no oeste do Paquistão, jazem os vestígios da civilização que pode ter sido a sociedade complexa mais antiga do mundo e que pode também ter sido a semente para as civilizações de Harappa e Mohenjo-daro tempos depois: Mehrgarh, enterrada na planície de Kacchi, na província do Baluchistão.

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Nesse local estão guardados os primeiros vestígios de agricultura, assentamento, artesanato e medicina de toda a Ásia Meridional. Descoberta em 1974 por uma equipe de arqueólogos franceses, data de 7000 a.C. É descrito como o assentamento agrário mais antigo dessa região da Ásia. A cultura de Mergar (Mehrgarh) teria alcançado seu ápice em 6.000 a.C, quando a primeira cerâmica artesanal apareceu, e o sítio arqueológico da cultura de Mergar é um dos mais importantes sítios neolíticos do mundo.

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Nas camadas mais antigas do assentamento, foram encontradas casas retangulares de tijolos de barro, dispostas com um propósito específico. Dentro delas: estruturas de barro para armazenamento de grãos, fogueiras e ferramentas esculpidas em osso e sílex. Do lado de fora, nos campos, cultivavam trigo e cevada e domesticavam o imponente gado zebu, animal ainda hoje reverenciado pelos agricultores rurais.

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Em um fragmento de tecido encontrado em um túmulo, os arqueólogos descobriram algo revolucionário: algodão. Assim, provavelmente os primeiros a fiar e usar esse material estavam nessa região.

No entanto, a descoberta mais extraordinária foi de mandíbulas humana, com molares perfurados com precisão por uma minúscula broca. Um estudo mais aprofundado revelou algo quase impensável: uma forma de odontologia cirúrgica realizada com precisão há mais de 8.000 anos.

As ossadas, cujos dentes mostraram sinais de perfuração para fins terapêuticos, seriam de um período entre 7.000 a.C. a 5.500 a.C. e são o mais antigo indício da existência de um possível tratamento dentário.

Ao todo, os cientistas identificaram 11 molares perfurados com buracos de 1,3 a 3,2 milímetros de diâmetro e uma profundidade que podia chegar aos 3,5 milímetros. Um dos indivíduos tinha três dentes perfurados e outro, duas perfurações no mesmo dente.

Uma análise microscópica revelou que os dentes continuaram a ser usados na mastigação depois da operação ter sido levada a cabo. Os pesquisadores baseiam-se na existência de vestígios de cáries em alguns dentes para afirmar que, pelo menos em parte dos casos, a perfuração era uma questão de saúde dentária. O fato de os dentes não serem facilmente visíveis coloca à parte a hipótese de as perfurações serem feitas por razões estéticas.

Os cientistas descobriram que, ao acrescentar uma ponta de sílex (uma rocha dura) a um pedaço de madeira, juntamente com um pequeno arco, usado para fazer fogo, seria possível efetuar perfurações num dente humano em menos de um minuto.

Importante destacar que Mehrgarh não estava isolada no deserto. De suas oficinas fluíam lápis-lazúli do Afeganistão, turquesa do Irã e conchas do Mar Arábico – transformadas em colares e ornamentos. Aparentemente eles gostavam de usar assessórios.

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Era uma sociedade que já comercializava, produzia artesanato e se conectava com terras distantes antes mesmo do surgimento dos faraós. Com o passar dos séculos, o povo de Mehrgarh começou a migrar para o leste, em direção às grandes planícies aluviais do Indo. Levaram consigo seus grãos, suas contas, seus potes de cerâmica e, acima de tudo, sua noção de como viver em sociedade. Com o tempo, tornaram-se os Hapappanos, construtores de Mohenjo-daro e Harappa. As cidades do Indo não surgiram do nada. Foram uma continuação, um florescimento de ideias plantadas a partir de Mehrgarh.

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Assim, muito antes das ruas de Mohenjo-daro e Harappa, que abordaremos mais adiante nessa linha do tempo, se agitarem com comerciantes, artesãos e comerciantes, o povo de Mehrgarh moldava silenciosamente o futuro do sul da Ásia. Em vez de uma rápida transformação, a história parece ser de progresso lento e constante construído por inúmeras gerações.

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Em Mehrgarh aparentemente não havia reis, templos ou tronos de ouro, mas eles oferecem ao mundo algo muito mais precioso: transformaram o ordinário em extraordinário. Um povo que plantava, curava, moldava e comercializava. Uma história de continuidade. Não de guerra, mas de habilidade, paciência e invenção gradual.

As pessoas que viviam ali não eram reis, conquistadores ou construtores de impérios. Eles eram fazendeiros, pastores, artesãos e famílias tentando ganhar a vida com a terra. No entanto, suas inovações ajudaram a moldar o futuro de uma região inteira.

Sob o solo de Mehrgarh está a história de como os primeiros agricultores do subcontinente indiano construíram comunidades permanentes, desenvolveram novas tecnologias e lançaram as bases para uma das primeiras civilizações urbanas do mundo.

Essa cultura é especialmente importante para o estudo da origem e evolução da cerâmica na região, porque ali se encontram algumas das primeiras evidências de produção cerâmica no sul da Ásia.

No início, as comunidades de Mehrgarh viviam sem o uso de cerâmica — dependiam de recipientes naturais e fibras para armazenar e transportar água e alimentos. A cerâmica aparece com clareza a partir de 5500–4800 a.C., quando o barro começou a ser moldado e cozido em objetos práticos.

As primeiras cerâmicas, por volta de 6.000a.C, eram modeladas à mão, com o uso de argilas locais misturadas a temperos como palha (para reduzir rachaduras na cozedura). As formas iniciais eram simples — tigelas, bacias e potes utilitários de armazenamento e cozimento, sem grande ornamentação.

Por volta de 5.000 a.C, a técnica evoluiu e os artesãos de Mehrgarh passaram a usar o torno de oleiro ou roda do oleiro, produzindo peças mais regulares e simétricas. Além disso começaram a revestir algumas peças com um “slip” vermelho e decorá-las com pintura preta que incluía motivos geométricos e, ocasionalmente, figuras estilizadas de animais.

Os motivos pintados e os estilos de superfície tornaram-se mais sofisticados com o tempo, refletindo tanto a especialização dos artesãos quanto o aumento da produção cerâmica em larga escala.

Os potes cerâmicos e outros recipientes encontrados em Mehrgarh desempenhavam papéis essenciais na vida quotidiana — desde o armazenamento de grãos e líquidos, ao preparo de alimentos, passando pelo uso em rituais e enterros/sepultamentos.

Sua evolução, desde formas simples e utilitárias até peças mais elaboradas e decoradas, acompanha a transição de uma sociedade agrícola incipiente para uma comunidade com ofícios especializados e comércio regional — um precursor importante das tradições cerâmicas que mais tarde floresceriam na civilização do Vale do Indo.

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Entre 4000 e 2500 a.C., a indústria de cerâmica de Mehrgarh floresceu, exportando cerâmica cinza pintada para o Irã e Afeganistão. Os artesãos também criaram estatuetas de terracota possivelmente ligadas a um culto à fertilidade.

Essas estatuetas de figuras humanas de terracota mostram principalmente figuras femininas, com formas estilizadas e ênfase em seios e quadris — símbolos ligados à fertilidade, maternidade e continuidade da vida.

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São raras as representações masculinas e tivemos a oportunidade de estar frente a frente a uma dessas raridades!!! Mais do que objetos decorativos, essas peças revelam crenças, rituais e a importância do corpo feminino nas primeiras sociedades agrícolas.

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Dicas de Viagem

Museu Nacional do Paquistão em Karachi

O Museu Nacional do Paquistão, em Karachi, é uma experiência imperdível. Por apenas 300 rúpias paquistanesas (menos de R$ 10, dependendo da cotação), é possível explorar um acervo fascinante que ajuda a compreender a antiga cultura de Mehrgarh.

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Entre as peças expostas estão cerâmicas, ferramentas de pedra, ornamentos e outros artefatos impressionantes que revelam o cotidiano dos primeiros assentamentos da região do Baluchistão. Mehrgarh é considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos da Ásia, com evidências de comunidades agrícolas que viveram há milhares de anos, muito antes do florescimento das grandes cidades do Vale do Indo.

É uma oportunidade única para admirar de perto objetos que contam a história dos primeiros agricultores, artesãos e habitantes da região, tornando a visita uma verdadeira viagem no tempo.

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Localizado no bairro de Saddar, dentro do Burns Garden, na Shahrah-e-Kemal Atatürk (Dr. Ziauddin Ahmed Road), o Museu Nacional do Paquistão é de fácil acesso. Uma dica importante para quem pretende visitá-lo: o museu fecha às quartas-feiras. Nós acabamos cometendo esse erro no planejamento e fomos justamente em uma quarta, encontrando as portas fechadas. Achei que, por se tratar de um país de maioria muçulmana, o dia de fechamento seria a sexta-feira, mas estava enganada. Como sabíamos que o acervo era único e imperdível, reorganizamos o roteiro e voltamos no dia seguinte. A visita valeu completamente a pena.

Todo caso não esqueçam de checar o dia e horário de abertura quando planejar a sua viagem a Karachi no Paquistão.

Publicado por patipelomundo 23:44 Arquivado em Paquistão Comentários (0)

Sidi Bou Said - Tunisia

Um charmoso vilarejo na Tunisia

Confundir o charmoso vilarejo de Sidi Bou Said, a 18 quilômetros de Túnis, com alguma ilha grega é de praxe, graças ao seu visual formado por casinhas pintadas de branco, equilibrando-se em encostas, telhados abobadados, bungavílias colorindo as fachadas, ruas estreitas de paralelepípedos e restaurantes debruçados sobre o mar.

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Mas Sidi Bou Said tem as suas peculiaridades, afinal, estamos no norte da África. E isso significa se deparar com mesquitas, lojinhas de artesanato e cerâmica, casarões com arquitetura moura, janelas minuciosamente forjadas e portas incrivelmente azuis. Por ser compacta, é preciso apenas um bate volta de meio dia a partir de Túnis, que pode ser feito com o mesmo trem TGM que liga a capital a Cartago. Como já disse no post de Cartago, nós fomos caminhando de Cartago até Sidi Bou Said.

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Na estrada que liga as duas cidades, está a casa do predidente, mas só me dei conta quando estava andando na calçada e de repente apareceu uma placa que era proibido pessoas andarem na calçada. Virei para meu marido e comentei: Ué uma calçada que as pessoas não podem andar? Mas logo a frente estava a explicação: ali era a casa do presidente e nem podia também tirar fotos. Imediatamente atravessamos a rua e fomos caminhando pelo outro lado.

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Sidi Bou Said ficou famosa também como epicentro cultural do país, com a fundação da Escola de Arte da Tunísia, que, depois da Segunda Guerra Mundial, almejava destacar uma arte genuinamente nacional e mostrar a diversidade da cultura do país.

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Mas, de forma geral, Sidi Bou Said sempre foi frequentada por artistas e pensadores internacionais, como Paul Klee, Michael Foucault, Gustave Flaubert, Guy de Maupassant e Simone de Beauvoir.

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Resumindo: ande pelas ruas, sem pressa, sem preocupação... só curtindo esse vilarejo charmoso na África

O estilo característico de Sidi Bou Said foi fortemente influenciado pelo aristocrata e artista francês Rodolphe d'Erlanger, que se estabeleceu ali no início do século XX. Encantado pela arquitetura local tunisiana e andaluza, ele promoveu regras urbanísticas que incentivavam fachadas brancas e detalhes em azul intenso.

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Alguns fatores que explicam a semelhança:

• Clima mediterrâneo comum: tanto a Tunísia quanto a Grécia estão na bacia do Mediterrâneo. Paredes brancas refletem o calor e ajudam a manter as casas frescas.

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• Uso tradicional do azul: no norte da África e no Mediterrâneo oriental, o azul era associado à proteção espiritual e também ajudava a afastar insetos, segundo crenças populares.

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• Herança mediterrânea compartilhada: ao longo de milênios, fenícios, gregos, romanos, árabes, otomanos e europeus circularam pela região, criando influências arquitetônicas cruzadas.

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• Arquitetura árabe-andaluza: muitas das formas das portas, pátios internos e arabescos de Sidi Bou Said são na verdade mais próximas das tradições da Tunísia e da Andaluzia islâmica do que da arquitetura grega.

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Curiosamente, a influência grega na Tunísia é antiga. Os gregos tiveram colônias e contatos comerciais com a região desde a Antiguidade, embora a identidade visual atual de Sidi Bou Said seja muito mais resultado de desenvolvimentos locais e da padronização promovida por d'Erlanger do que de uma herança grega direta.

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Em outras palavras: Sidi Bou Said parece grega aos olhos modernos porque compartilha a estética mediterrânea de branco e azul, mas suas raízes são principalmente tunisianas, árabes, andaluzas e mediterrâneas em geral.

Publicado por patipelomundo 23:11 Arquivado em Tunísia Tagged africa Comentários (0)

O que fazer em Cartago na Tunísia

Nos posts anteriores falei de como chegar a Cartago a partir de Tunis e um pouco de sua história para que possamos aproveitar mais a visita a essa cidade com vários sítios arqueológicos.

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A seguir link para o video que fiz em Cartago

https://youtu.be/7KYEV3L_vMc

As inúmeras ruínas de Cartago estão espalhadas por uma extensa área, com espaços de um, dois ou três quilómetros entre cada uma delas. É um percurso que vale a pena, quer pelos vestígios cartagineses e romanos, quer pelas ruelas arborizadas, moradas de embaixadores e o palácio do próprio presidente, que fica na estrada que liga Cartago a Sidi Bou Said e que não se pode fotografar.

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Culturalmente, Cartago é muito rica e diversificada, uma vez que as inúmeras invasões e domínios que se sucederam exerceram influências determinantes, tais como as Guerras Púnicas, a integração ao Império Romano, fazendo com que a cidade se tornasse um forte centro intelectual e cultural, além de invasões árabes e bizantinas.

Salienta-se ainda que, devido à riqueza cultural e a enorme quantidade vestígios arqueológicos ali encontrados, desde 1979, Cartago é reconhecida pela UNESCO como um Patrimônio da Humanidade.

O que fazer em Cartago

1. Tophet: santuário repleto de pedras tumulares e moradias

Descendo na estação Carthage Salammbo e caminhando poucos minutos, chegamos a um dos lugares mais intrigantes da antiga Cartago: o Tophet. Este sítio arqueológico abriga centenas de estelas e urnas funerárias que remontam ao período púnico, tornando-se um dos raros locais onde ainda é possível sentir a presença da Cartago original, anterior à conquista romana.

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Durante muito tempo, acreditou-se que o Tophet teria sido um local de sacrifícios de crianças e pequenos animais oferecidos aos deuses. Essa interpretação se baseou em relatos de autores gregos e romanos, além das descobertas arqueológicas feitas no local. Por isso, o Tophet chegou a ser considerado por alguns estudiosos um dos maiores centros de sacrifícios da Antiguidade.

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Mas a história pode ser mais complexa. Pesquisas recentes reacenderam o debate: muitos arqueólogos defendem que o local funcionava principalmente como um espaço funerário destinado a crianças que morreram naturalmente ainda muito pequenas, além de animais usados em rituais religiosos. Estudos dos restos cremados encontrados nas urnas não chegaram a um consenso definitivo, e a discussão continua aberta entre os especialistas.

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Talvez nunca saibamos exatamente o que aconteceu ali há mais de dois mil anos. O que torna a visita ainda mais fascinante é justamente esse mistério. Caminhar entre as antigas estelas do Tophet é mergulhar nas origens de Cartago e refletir sobre uma civilização que ainda guarda muitos segredos sob suas pedras.

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2. Portos Púnicos – Onde se fazia a riqueza da cidade

Continuando nossa caminhada, passamos pela porta do museu Oceanográfico de Cartago, mas não entramos, pois sabíamos que ainda tínhamos muitas ruinas para visitar. O museu custa em torno de 2 dinares.

Ao lado do museu oceanográfico está a entrada para a visitação aos portos púnicos. Um segurança perguntou se tínhamos os ingressos e informamos que não e solicitamos informação de onde comprar. Ele falou que os ingressos são comprados na colina de Byrsa e apontou na direção da Basílica de São Luis, que ficava um pouco distante. Então ele falou que podíamos visitar o local sem problemas e quando fossemos a colina a gente poderia comprar lá.

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Os portos púnicos de Cartago foram cavados por homens no final do século III a.C., na costa, em uma área atualmente conhecida como Salammbo (mesmo nome da parada do trem que descemos). O primeiro porto, identificado como o porto comercial, ficou famoso por sua forma alongada. O segundo porto que foi usado para fins militares é circular. No meio, contém uma ilha que incluía um pavilhão que ajudava a monitorar os movimentos dos navios. Esta ilha é cercada por cais implantados com compartimentos de carga para 200 embarcações. Os portos passaram por reformas generalizadas durante a época romana, e notavelmente sob o governo do Imperador Cômodo (no segundo período d.C.).

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The Roman and Early Christian Museum

O museu romano e cristão foi construído em agosto de 1984 no contexto da Campanha Internacional para salvar Cartago, lançada pela UNESCO. Quase todos os achados exibidos vêm deste campo e pertencem ao período de 400 a 700 d.C., os períodos romano tardio, vândalo e bizantino.

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O museu está localizado no cruzamento de duas ruas romanas: Kardo 9 East e Decumanus 2 South. O museu tinha vários objetivos. O primeiro é apresentar aos visitantes a importância da pesquisa arqueológica. O segundo é ilustrar os achados típicos pertencentes a este período tardio da história da cidade, especialmente a tipologia da cerâmica, lâmpadas e ânforas, os tipos de pavimentos de mármore e mosaico e os tipos de moedas em circulação.

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É possível no local ver uma das ruas romanas: Um século e meio depois que Roma conquistou Cartago, ela refundou a cidade como uma colônia romana. Os romanos impuseram uma grade completamente nova e reta, na forma de ruas leste-oeste e norte-sul na cidade. As ruas mais largas, que se cruzavam no topo da colina de Byrsa, eram chamadas de Kardo Maximus (correndo de norte a sul) e Decumanus Maximus (leste-oeste).

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Então vieram cerca de mais 6 decumani, tanto para o sul quanto para o norte. O que é possível ver é a linha do terceiro decumano ao sul da principal.

A seguir a foto de uma ânfora. Este tipo de ânfora era produzida em oficinas de cerâmica, provavelmente na última parte do século V e na primeira metade do século VI. Foi feito para conter molho de peixe, que era amplamente exportado por todo o Mediterrâneo Ocidental. Ânforas desse tamanho e forma foram reutilizadas para muitos fins secundários, entre os quais utilizados em enterros.

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Outra parte interessante do museu aborda a forma como as construções dos edifícios era feitos, citando, por exemplo, uns tubos que foram inventados no norte da África no século II d.C.; eles são particularmente comuns em edifícios cristãos primitivos e foram usados extensivamente no Batistério e no Complexo Eclesiástico de Cartago. As abóbadas criadas com os tubos eram muito leves e eram mais eficientes na distribuição do peso do telhado. Muito pouco andaime era necessário, utilizando essa tecnologia, e espaços complexos podiam ser construídos em um único dia. No museu foi reconstruído um único arco feito de “tubos de abóbada”, usando tubos que foram encontrados durante a escavação do Batistério, mostrando como eles se encaixavam um no outro. Para quem é engenheiro e/ou arquiteto, deve ser incrível estar diante dessas “tecnologias”.

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Colina de Byrsa

Com um pouco mais de esforço, subimos à Colina de Byrsa, outro sítio arqueológico de Cartago para ver as ruinas dos Portos Punicos, o Museu Nacional de Cartago e a Basílica de São Luis.

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Nessa colina tem uma bilheteria, onde a gente comprou os tickets para visitar todos os sítios arqueológicos de Cartago, apesar de só terem solicitado os tíquetes nesse local. Pagamos 12 dinares tunisiano por pessoa pelo tíquete.

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Destruída em 146 a.C., Cartago foi condenada ao esquecimento por pouco mais de um século. No entanto, César entendeu a importância estratégica do local e decidiu restaurá-la e transformando-a em uma colônia. Os meios técnicos e legais estabelecidos por Otaviano-Augusto e seus sucessores fizeram de Cartago a segunda ou terceira maior cidade do mundo. Roma, que havia feito de tudo para aniquilá-la, não poupou esforços para restaurar seu antigo esplendor.

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É muito provável, como citado em Ápia (Púnica 2), que "os romanos tivessem experimentado o quão forte era a posição de Cartago, que eles queriam torná-la seu ponto de apoio para conter as tribos africanas".

O primeiro projeto foi a “remodelar” a colina Byrsa, pois os romanos queriam de fato tornar invisíveis todos os vestígios da velha Cartago, tudo o que pudesse lembrar seu passado e seu poder.

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Assim, a Colina de Byrsa já existia como uma elevação natural e era o coração da Cartago púnica, onde ficava a cidadela cartaginesa.

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Escavações encontraram camadas de ocupação púnica muito antigas diretamente sobre o solo natural da colina.

O que aconteceu após a destruição de Cartago em 146 a.C. foi que os romanos remodelaram a colina em uma escala gigantesca. Ao fundar a nova colônia romana, realizaram enormes obras de terraplenagem: cortaram partes do relevo, nivelaram áreas e enterraram extensos vestígios cartagineses sob aterros para criar uma vasta plataforma monumental destinada ao fórum e aos principais edifícios públicos romanos.

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Assim, resumidamente, a colina de Byrsa era uma colina natural que foi profundamente transformada pelos romanos, que construíram sobre ela uma enorme plataforma artificial, enterrando grande parte das estruturas cartaginesas anteriores.

Era necessário tornar invisíveis os vestígios da velha Cartago e isso está alinhado com interpretações arqueológicas modernas que afirmam que os romanos não apenas destruíram a cidade derrotada, mas em muitos lugares cobriram os restos púnicos com aterros maciços, o que paradoxalmente ajudou a preservar alguns bairros cartagineses sob as camadas romanas.

A colina de Byrsa se transformou em uma plataforma artificial e se tornou um verdadeiro centro geográfico da cidade, é uma das maiores do mundo romano: 336m/223m, ou pouco mais de 7 hectares, que é seis vezes o tamanho do Fórum de Augusto, em Roma.

Então estar na colina de Byrsa foi sentir a força dos romanos, que transformaram a colina de Byrsa, construindo uma enorme plataforma artificial sobre ela, alterando radicalmente sua forma e enterrando muitos vestígios da Cartago púnica.

Os restos antigos não foram apenas destruídos como se poderia esperar, mas enterrados por aterro maciço. Assim, a colina de Byrsa é uma plataforma artificial e se tornou um verdadeiro centro geográfico da cidade, é uma das maiores do mundo romano: 336m/223m, ou pouco mais de 7 hectares, que é seis vezes o tamanho do Fórum de Augusto, em Roma.

Da colina é possível observar o local onde estariam os antigos Portos Púnicos, sendo que a vista se estica até o Golfo de Túnis e revela a engenhosidade dos antigos portos fenícios, que, por terem forma circular, permitiam à marinha cartaginesa vigiar o mar sem que os inimigos percebessem. Na costa ainda há vestígios dos grandes portos de onde saía toda a riqueza do Norte da Africa em direção a Roma.

A Colina de Byrsa é, ainda, endereço do Museu Nacional de Cartago, mas estava fechado quando fizemos a visita em março de 2025. Uma pena, pois no local poderíamos ter visto, nas salas de um antigo seminário católico do século 20, coleções de objetos arqueológicos das eras púnica, romana e bizantina encontradas na região.

Entramos na Basílica de São Luís, que possui alguns vestígios de ruínas, estelas e sarcófagos cartagineses. Em uma mescla de estilos gótico, bizantino e mouro, a antiga Catedral de São Luís, depois que foi desconsagrada, virou espaço para eventos e concertos de músicas clássica e tunisiana.

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Construída entre 1884 e 1890 por iniciativa do Cardeal Lavigerie, a catedral, conhecida como Saint-Louis, foi dedicada em homenagem ao rei Luís IX, que faleceu em Cartago em 1270.

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Você sabia? Uma acrópole é uma área fortificada construída sobre uma colina elevada dentro ou próxima de uma cidade antiga. A palavra vem do grego: akros ("alto") + polis ("cidade"), significando literalmente "cidade alta". As acrópoles serviam como: Centro defensivo em caso de ataque; Local de templos e santuários religiosos e/ou Sede de edifícios importantes do governo. O exemplo mais famoso é a Acrópole de Atenas, onde se encontra o Partenon. Em Cartago, a Colina de Byrsa desempenhava uma função semelhante à de uma acrópole: era o ponto mais elevado e estratégico da cidade, com funções religiosas, administrativas e defensivas.

Termas de Antonino

Da época romana. As Termas de Antonio, por sinal, é o ponto mais bem preservado do distante passado romano de Cártago. Grandiosa, as termas já foram classificadas como “o maior banho público de toda a África”; além de ser também o terceiro maior banho público já construído pelo Império Romano.

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A localização das Termas de Antonio é também outro ponto a ser destacado, uma vez que se encontra estrategicamente dentro de um suntuoso jardim, com colunas e paredes colossais em meio a um conjunto de arcadas subterrâneas.

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As mais notáveis são, sem dúvida, as das Termas de Antonino Pio, erguidas no século 2 com vista para o Mar Mediterrâneo. Considerado o maior complexo termal fora de Roma, reunia, sob o mesmo teto, saunas, salas de massagem e de banhos de esfoliação, academia de ginástica, biblioteca, vestiários e diversas piscinas, entre frias, aquecidas e até uma olímpica. Porém, o que se vê hoje é apenas o que sobrou do subsolo.

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- Teatro Romano
Você sabe a diferença entre teatro e anfiteatro? Embora ambos fossem locais de espetáculos, tinham formatos e usos diferentes. O teatro grego (e depois romano) tinha formato de semicírculo. O público ficava voltado para um palco. Era usado para peças teatrais, música, poesia e apresentações culturais. Frequentemente era construído aproveitando a encosta de uma colina. Já no Anfiteatro, a palavra significa literalmente "teatro dos dois lados" (amphi = em volta). Tem formato oval ou circular. O público cercava completamente a arena central. Era usado para combates de gladiadores, caçadas de animais e execuções públicas. Uma maneira fácil de lembrar é: no teatro você olha para um palco; no anfiteatro você olha para uma arena cercada por espectadores.

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As termas de Antonio, a Acrópole e o Teatro Romano dão uma boa impressão da grandiosidade do Império Romano, assim como dá importância estratégica que esse dava a Cartago.

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Informações úteis
Não é preciso visto para entrar na Tunísia;
A moeda é o dinar, e 1€ vale cerca de 1,75 dinares.
Não há qualquer problema de segurança nem regras de vestuário.
A língua oficial é o árabe, mas quase toda a gente fala algum francês e gosta de comunicar.

Bem visitamos o Teatro de Cartago e em seguida fomos caminhando até Sidi Bou Said!!!!!! Conto sobre esse charmoso vilarejo no próximo post.
Para mais fotos e informações, basta seguir no instagram no patipelomundobr ou no canal do youtube.

Publicado por patipelomundo 22:53 Arquivado em Tunísia Comentários (0)

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