JERUSALEM – Uma cidade de muitas faces
Labirinto de pedra carregada de história e religiosidade
08.03.2017 - 08.03.2017
12 °C
Jerusalém Velha, a cidade de mais de 3000 anos, é sagrada para as três principais religiões monoteístas e parece que cabe um mundo inteiro dentro dela.
Um espaço de apenas 1 quiilômetro quadrado, dividido em bairros muçulmano, cristão, armênio (primeiro povo que adotou a religião cristã) e judeu.
São milhares de ruazinhas se amontoando em um labirinto. São camadas e mais camadas de história, religião, guerras e paz.
E quando digo camadas, são camadas mesmo. Pois não pense apenas em uma cidade dividida horizontalmente em bairros.

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Podemos dizer que a cidade também é dividida verticalmente e isto torna a cidade um pouco mais difícil de ser entendida. Por exemplo, o templo muçulmano está em cima do templo judeu, a igreja cristã ortodoxa etíope foi construída em cima da igreja católica, ou seja, camadas e mais camadas de sacralidade, onde a história e a busca do divino se misturam.
Mas não nos intimidamos com o labirinto e partimos para conhecer a cidade, entrando naquele emaranhado de ruelas com o coração aberto e dispostos a conhecer e a entender o que nos fosse revelado naquelas andanças.
Como ficamos hospedados fora das muralhas, a primeira coisa que fizemos foi verificar por qual portão entraríamos na Velha Jerusalém. Sim, para entrar na velha cidade, precisa entrar por um portão, pois a cidade é toda amuralhada.

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Dizem que Jerusalém já era amuralhada desde a época do rei Davi, mas foi sendo destruída por inimigos e por terremotos. Os muros que vemos hoje foram construídos por volta de 1500 pelo sultão otomano Suleiman, sobre as bases das muralhas construídas pelo Imperador Adriano no ano de 135.
A muralha tem 7 portas apertas e uma fechada. Tem 17 metros de altura, 4018 m de comprimento, 3 metros de largura, 36 torres de defesa. Até 1850, toda a população morava dentro das muralhas. Ao anoitecer fechavam as portas da cidade e ao amanhecer abriam. Fora da muralha ficavam os cemitérios e os bosques.
Assim, o negócio era escolher uma porta para entrar, pois pular o muro seria impossível, brincadeirinha....
Para ficar mais didático dividirei o post por bairro, mas saiba que na prática não é tão simples assim, pois tudo é meio junto e misturado:
Bairro Muçulmano
Nossa primeira entrada em Jerusalém Velha foi pelo Portão de Herodes (nome cristão) ou Bab az-Zahra (nome árabe). Julga-se que a casa de Herodes Antipas era ao lado.

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Ao entrarmos reparamos que era uma parte tranquila da cidade, com uma área residencial e não havia muitos comércios.

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Após andarmos por algumas ruas, nos deparamos com a placa da Via Dolorosa, que inicia dentro do bairro muçulmano e termina no bairro cristão.
Decidimos percorrê-la toda (vide post da Via Dolorosa que publiquei com todas as estações).

5 Via Dolorosa
Ao percorrermos a Via Dolorosa dentro do bairro muçulmano, além de nos depararmos com o portão de Leão e as estações da Via Sacra, encontramos algumas construções muito interessantes.

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Uma das construções que nos chamou a atenção foi a Prisão de Cristo do patriarcado ortodoxo grego de Jerusalém.

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Em Jerusalém você logo perceberá que, para uma história, existem diversas versões e possíveis lugares de ocorrência de um fato. Os gregos ortodoxos alegam que foi neste local onde Jesus foi preso e julgado na noite anterior da sua morte.

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Na verdade, a prisão faz parte do quebra-cabeça que é Jerusalém.
Para aqueles que se importam com fatos históricos e descobertas científicas, com certeza ficará confuso em Jerusalém.
Já para aqueles que estão em Jerusalém pelo simples exercício mental de “estar em Jerusalém”, a prisão e outros possíveis locais polêmicos não importam, pois o importante é sentir a energia do local.
Eu acho que eu estava no meio destes dois extremos!!!!
O bairro Muçulmano de Jerusalém é vibrante. Há várias pessoas circulando pelos seus mercados árabe, os denominados Souqs.

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Na verdade não existe uma área apenas para o mercado. Por todas as partes para onde as ruas se espalham, há lojinhas, vendendo de tudo, inclusive souvenires judeus.

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E todo mercado árabe é a mesma coisa: tem que pechinchar e alguns vendedores são inconvenientes. Teve um que até me puxou pelo braço para tentar vender alguma coisa.
Entretanto, o que me encanta nestes mercados são os coloridos das frutas, dos temperos e das pessoas.

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Percebemos que uma das áreas mais animadas do bairro árabe fica próxima ao portão de Damasco.
A área parece mais autêntica e tradicional, onde os próprios muçulmanos fazem suas compras.

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Uma das atrações do bairro Muçulmano é o Domo da Rocha, com sua cúpula dourada.
No alto da esplanada estão as mesquitas de El Aqsa e do Domo da Rocha, ambas construídas no século 7 e que representam o terceiro lugar mais sagrado para o islamismo, depois de Meca e Medina.

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Não conseguimos chegar próximo à esplanada, pois nos falaram que somente muçulmano poderia ir lá. Sabíamos que não era verdade, pois já tínhamos visto diversas fotos de turistas naquele local, mas também não estávamos a fim de arranjar nenhuma encrenca por ali, já que nunca se sabe o que pode acontecer em uma região tão conturbada, com pessoas tão desconfiadas.
Ficamos sabendo que realmente tentam dificultar a visita, como horário super-restrito, não existência de placa informando da entrada e pessoas que dão informações errôneas. Dizem que algumas pessoas só conseguem chegar se estiverem com um guia.

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Bem, mas a não aproximação da esplanada não abalou o nosso passeio. Já estávamos satisfeitos com a vista do Domo que tivemos a partir do bairro judeu e com certeza um dos melhores lugares para se tirar uma foto linda do local e ao mesmo tempo notar como Jerusalém é complexa.

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Bairro Cristão
O ponto principal do bairro Cristão é sem dúvida a Igreja da Santo Sepulcro, que foi construída por cima da área onde acredita-se que Jesus foi crucificado.

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A Igreja foi construída por volta de 313 pela Rainha Helena, mãe do Imperador Romano Constantino, que foi quem estabeleceu o Cristianismo como a nova religião do Império Romano.
No post anterior sobre Jerusalém destaquei os pontos das estações da Via Dolorosa que estavam dentro da igreja do Santo Sepulcro.
Entretanto, além das estações da Via Dolorosa, a igreja do Santo Sepulcro possui outras capelas.
Descendo uma escadaria do lado direito de quem entra na igreja, chega-se a Capela de Santa Helena, que é de propriedade dos armênios.

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Ao descer a escadaria é interessante reparar nas pequenas cruzes esculpidas ao longo dos séculos por peregrinos armênios, relembrando que a Armênia foi historicamente a primeira nação a adotar o cristianismo como religião.
A capela está decorada com lâmpadas penduradas no estilo armênios

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Descendo ainda mais um pouquinho, chega-se a Capela da Santa Cruz, que seria o local onde a Rainha Helena encontrou a Cruz de Cristo.

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A história narra a descoberta de três cruzes neste local (as cruzes estão na Catedral de Monza, Milão e em Roma)

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Vale destacar que o Santo Sepulcro também não é consenso entre os religiosos. Os evangélicos, por exemplo, consideram um outro local para a crucificação, a morte e o sepultamento de Jesus.
Ao sairmos do Santo Sepulcro já estávamos famintos e resolvemos dar uma paradinha estratégica para reabastecer.
Aproveitamos para provar o Falafel, uns bolinhos fritos, originários do Oriente Médio, feitos de grão-de-bico.

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16 paradinha para reabastecer
Publicado por patipelomundo 03:29 Arquivado em Israel Tagged jerusalem falafel santo_sepulcro portao_de_damasco capela_da_santa_cruz prisao_de_cristo portao_de_herodes souqs domo_da_rocha

