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UCRÂNIA

A história sendo contada nas ruas de Kiev

overcast -2 °C

Nosso 97º país é a Ucrânia e começo o posto com uma frase da ucraniana mais famosa do Brasil, a escritora Clarice Lispector:
“Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar”.

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E é isso mesmo, as vezes a vontade de acertar é tão grande, que acabamos errando, mas, na minha modesta opinião, só erra quem faz e fazer ainda é a melhor coisa.

Por isso, complemento com uma letra de música, que também adoro, cantada pelo Kid Abelha: “Sou errada, sou errante.... Vou errando enquanto o tempo me deixar....”

Apesar dos inúmeros erros que já cometi, podes ter certeza que a ida a Ucrânia foi.......

Acertadíssima!!!

Ops, mais ou menos!!. Se pudesse, só teria mudado o período: -2 °C não faz muito meu perfil e sofri um bocado com o frio.

Havia momentos que o frio era tão intenso, que entrávamos nas igrejas e eu aquecia as mãos com as velas acesas. Também parávamos em uma das diversas máquinas de cafés espalhadas nas ruas ou shoppings e tomávamos um capucino ou chocolate quentinho

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Como de costume, nos posts de considerações gerais de um país, gosto de fazer um resumo da história, contando os fatos em uma ordem cronológica até chegar aos dias de hoje. No entanto, o que mais me marcou na Ucrânia foi andar pelas ruas de Kiev e ver sua história recente toda ali exposta, marcada com a foto das pessoas que morreram recentemente.

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Assim, neste post, inverterei a ordem e começarei com o que vimos nas ruas de Kiev e as marcas de um sofrido e tenebroso 2014. Ver as fotos de pessoas tão jovens, que faleceram em 2014, as homenagens nos troncos das árvores, os vidrinhos coloridos … Tudo tão marcante, tudo tão triste...e, o pior, tudo tão recente.

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Estas pessoas teriam morrido quando policiais ucranianos lançaram um ataque contra manifestantes pró-ocidentais que ocupavam a Praça da Independência de Kiev por três meses, levando a renúncia do presidente pró-russo Viktor Yanukovytch, que havia sido eleito em 2010.

As manifestações contra o governo começaram depois que o presidente ucraniano cedeu à pressão da Rússia e desistiu de um tratado comercial com a União Europeia, preferindo a ajuda financeira do Kremlin. A tensão aumentou quando um referendo validou a anexação da península ucraniana da Crimeia à Rússia.

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Os protestos ficaram conhecidos como Euromaidan, por exigir a aproximação da Ucrânia à União Europeia nas manifestações na praça da Independência, também conhecida como Maidan.

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Após a fuga para a Rússia de Viktor Yanukovytch, os ucranianos elegeram como chefe de estado o bilionário pró-ocidental Petro Poroshenko.

Mas quem acha que a tensão entre Russos e Ucranianos terminou, está enganado. Um pouco antes de viajarmos para a Ucrânia, o presidente ucraniano, Pedro Poroshenko, ordenou um alerta máximo das tropas ucranianas na fronteira com a Crimeia. A nova explosão de tensão ocorreu depois que Moscou denunciou que grupos de inteligência militar ucraniana tentaram se infiltrar na Crimeia. O presidente ucraniano informou que isto tratava de uma fantasia dos russos para lançarem novas ameaças militares à Ucrânia.

Todo caso, estávamos também em estado de alerta e ao sairmos do hotel logo nos deparamos com uma manifestação. Só tiramos uma foto para registrar o momento e nos afastamos rapidamente, sem saber o porquê do movimento, tendo em vista o histórico de massacre das manifestações ucranianas.

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A seguir uma foto da Praça da Independência ou simplesmente Maidan, a praça central de Kiev, onde inúmeras manifestações ocorreram 2014. A praça tem um belo visual com os edifícios, jardins e monumentos em volta e é ponto de encontro de locais no centro da cidade.

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Andar pela praça e ver as pessoas sorrindo e se divertindo dá a sensação que o massacre de 2014 ocorreu faz muito tempo e não apenas menos de três anos atrás.

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5 Praça da Independência em 2014

5 Praça da Independência em 2014

Voltando um pouquinho mais no tempo, a Ucrânia também é lembrada pelo acidente nuclear de Chernobyl em 1986, a 130 km ao norte de Kiev, considerado o mais grave acidente nuclear da história, que afetou fortemente 600 mil habitantes.

Até 1993, a causa de pelo menos 7.000 mortes era atribuída às elevadas doses de radiação. Até chegamos a ver uma excursão especializada para visitar Chernobyl, mas nosso medo da radiação foi maior e decidimos não correr este risco.

O balanço da Segunda Guerra Mundial também foi pesado para os Ucranianos: 4,5 milhões de mortos e 10 milhões de desabrigados. Em Kiev, perto da Kievo-Pecherska Lavra, há o Museu Nacional de História da Grande Guerra Pátria 1941-1945, que mostra toda a história da segunda guerra mundial e seus efeitos para a Ucrânia.

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No centro do complexo de 10 hectares eleva-se o monumento à Mãe Pátria (1981), uma estátua de aço inox, que simboliza a defesa da pátria.

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Durante os séculos X e XI, o território da Ucrânia tornou-se o centro de um Estado poderoso na Europa, o Principado de Kiev. Na verdade o principado era formado por diversos domínios governados por príncipes aparentados, o que levava a enfrentamentos frequentes. Como dizia um amigo meu, amigo você tem como escolher, já parente..., rsrsrs

É deste período que temos algumas das mais impressionantes construções, como algumas igrejas apresentadas no post anterior e a Porta Dourada de Kiev, que fazia parte de uma antiga fortificação.

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Este principado foi destruído durante a invasão mongol de 1240

VISTO: Brasileiros não precisam de visto para entrar na Ucrânia, mas o país não faz parte da Comunidade Europeia e portanto tem suas próprias regras de imigração e controle de fronteira

Como Chegar: Viajamos com uma cia de baixo custo chamada Wizz Air de Chipre até Kiev. EXCELENTE
As malas para despachar são pagas separadamente. Até 23 kg pagamos para o referido trecho 35 euros por mala. Tal valor pode variar, dependendo da origem e se é baixa ou alta temporada. Na baixa temporada varia de 16 a 45 euros e na alta temporada de 26 a 55 euros.

Gostamos muito da cia aérea. O check-in deve ser feito pela internet até 3 horas antes do voo, pois se for fazer no guichê do aeroporto, é cobrada uma taxa de 30 euros. O interessante é entrar no site da empresa e avaliar todas as tarifas, pois caso não preste atenção, uma viagem de baixo custo pode se transformar em altíssimo custo.

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MOEDA: A moeda na Ucrânia é a “Hryvnia”. Eles não aceitam dólar nem Euros, assim, o melhor é verificar quanto custa o seu táxi e trocar um pouco no aeroporto, onde o câmbio é sempre pior. Chegamos pelo aeroporto menor e partimos pelo aeroporto maior (preste atenção, principalmente na partida para não se confundir, pois são dois aeroportos). Pagamos em torno de 15 euros do aeroporto até o Hotel Kiev, onde ficamos hospedados na capital.

COMIDA: Muito parecida com a Rússia. Tem a tradicional sopa Borscht, de beterraba, que gosto muito, mas conheço pessoas que detestam. E de doce adoro o Napoleão. Ainda há os Pierogis, que são um tipo de pastel cozido. Relaxe, pois a comida ucraniana é muito gostosa. Aproveitamos sempre o café da manhã no hotel para provar as comidas típicas e assim decidir o que é mais interessante. Pela cidade de Kiev há muitos Kiosks vendendo lanches e comidas. Em uma das revistas de avião, li que Kiev é a capital dos Kiosks

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O que comprar:
Assim como na Rússia, as Matryoshkas fazem o maior sucesso na Ucrânia. São tradicionalmente associadas a cultura eslava. Há também a Motanka que é uma boneca feita artesanalmente e simboliza a fertilidade. Petrikivka é uma pintura em madeira com flores e plantas. Pysanky é o tradicional ovo ucraniano, decorado à mão.

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Apesar da história recente muito triste dos ucranianos, sentimos muito seguros andando em Kiev. Nas praças, cruzamos com belos cachorros e principalmente com crianças felizes, desfrutando de um país em paz.

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Ao ver crianças brincando com bola de sabão, percebi o quanto estas bolinhas simbolizavam o que percebemos na Ucrânia: a fragilidade e a instabilidade de um povo.

Com um gesto simples a bolinha surge e com brevidade ela se vai, como a nossa vida. Aproveitei aquele momento mágico e de incontestável beleza em Kiev para agradecer a oportunidade de ter conhecido um país tão especial.

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Publicado por patipelomundo 14:37 Arquivado em Ucrânia

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