PRISTINA
Capital do Kosovo.
14.10.2016 - 14.10.2016
13 °C
Desembarcamos na rodoviária de Pristina e fomos caminhando até o nosso hotel. Não que o hotel fosse do ladinho da rodoviária, mas o clima estava gostoso e as pessoas com quem conversávamos eram muito gentis e prestativas. Uma delas, apesar de não saber onde era o hotel, fez questão de parar outras pessoas para perguntar e só ficou satisfeito quando conseguiu nos explicar perfeitamente a localização do hotel.

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No caminho para o hotel deu para perceber que o diferencial de Pristina realmente eram as pessoas. Todo mundo fala da Ásia e da simpatia das pessoas, mas Pristina foi realmente surpreendente e até hoje não lembro de pessoas mais amáveis, simpáticas e prestativas.

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Ao chegarmos ao hotel, descansamos um pouco, já que tínhamos passado a noite viajando de ônibus, lanchamos e fomos a luta já que tínhamos só aquele dia para conhecer a cidade.
O hotel ficava a uma quadra do Bulevar Nënë Tereza, uma rua para pedestres super interessante e foi possível perceber como a cidade é vibrante. Várias pessoas andando e curtindo o clima agradável, cafés lotados e muitas crianças brincando.
No Boulevard há várias estátuas. Uma das primeiras que avistamos foi a de Jorge Castriota, em albanês Gjergi Kastrioti, mais conhecido como Skanderberg, que significa príncipe Alexandre.

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Este senhor era descendente de uma das famílias mais importantes da Albânia, foi um militar e é considerado herói nacional na Albânia. Ele era defensor do cristianismo e lutou contra o domínio do império otomano na região.
Esta luta é extremamente significativa pois consolidou a consciência de identidade nacional e serviu posteriormente como fonte de inspiração nas lutas pela unidade, pela liberdade e pela independência.
Assim, já de início deu para perceber a forte influência albanesa no Kosovo e esta percepção depois só foi aumentando.
No Boulevard ainda havia uma exposição com fotografias de pessoas que tinham vivenciado a guerra, como a luta interna de ter um pai kosovar e uma mãe sérvia, por exemplo.

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Outra referência a Albânia é a estátua da Madre Teresa, que nasceu em uma família kosovar, de etnia albanesa, em Skopje, capital da Macedônia, que na época pertencia a Albânia.

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Pela caminhada logo percebemos que a história do Kosovo ia sendo contada por meio de estátuas que homenageavam os heróis do recente país:
Em 2004 Fehmi Agami (1932-1999), filósofo, sociólogo, político e professor da universidade de Pristina, foi nomeado herói de Kosovo. Há relatos que foi morto pelos sérvios quando retornava de uma viagem a Macedônia.

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Em 2008 Zahir Pajaziti foi declarado herói de Kosovo. Ele foi um dos comandantes do KLA (Kosovo Liberation Army) e também morreu durante a guerra

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Ibrahim Rugova foi líder da Liga Democrática do Kosovo e sustentava meios pacíficos para conseguir a independência. Foi sequestrado durante a guerra e em 2002 foi eleito presidente do Kosovo. Em 2006 faleceu de câncer de pulmão.

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Vejam quem encontramos? H San Prishtina!!! Pode ser que o nome da capital seja uma homenagem a este senhor. Pensei que o nome fosse feminino, rsrsrs

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Não podemos esquecer do Bill Clinton que, além da estátua, tem uma rua com seu nome:

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Depois de tantos heróis masculinos, foi uma surpresa encontrar um memorial belíssimo, denominado Heroinat, dedicado ao sacrifício e o sofrimento das mulheres de Kosovo durante a guerra da década de 90.
Estima-se que cerca de 20 mil mulheres foram violentadas e estupradas durante a guerra e a escultura foi feita feita com 20 mil medalhas, recriando o retrato de uma heroína. A escultura tem duas perspectivas: uma micro e uma macro. Cada medalhinha reproduz o mesmo retrato do rosto visto em uma dimensão maior.

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Na rua lateral ao Boulevard Madre Teresa fica o Newborn. O monumento foi inaugurado no dia da independência do Kosovo, em 17 de fevereiro de 2008. O monumento foi desenhado por Fisnik Ismaili, um ex-membro do KLA (Kosovo Liberation Army).
Vimos um monumento todo pichado e soube que o monumento sempre foi foco de vandalismo. Já foi pintado várias vezes, sendo que uma vez foi pintado com as bandeiras dos países que já teriam reconhecido o Kosovo.

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Uma amiga me escreveu perguntando onde estávamos e respondi que íamos passar a noite viajando só para ver o prédio mais feio do mundo. Ela com certeza pensou: coisa de gente louca!!!
Brincadeiras a parte, pois, quando viajamos buscamos muito mais que lugares para conhecer e fotografar, buscamos, na realidade, entender a história além dos livros e documentários, conversar com os nativos, enfim sentir o local e sua energia e principalmente aprender a respeitar cada cultura.
No entanto, em Kosovo, esta resposta tinha um fundo de verdade, pois enquanto pesquisávamos sobre Pristina, tudo nos remetia à Biblioteca Nacional do Kosovo, que foi desenhada pelo arquiteto croata Andrija Mutnjaković.

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Inaugurada em 1982, a biblioteca costuma figurar nas listas de prédios mais feios do mundo. E aí, o que vocês acharam?
Feio ou não, a verdade é que esse prédio não passa despercebido.
Localizado no meio do campus universitário de Pristina, é um prédio que parece revestido por uma rede de arame farpado, quando observado à distância.
O prédio possui 99 cúpulas de vidro brancas de diferentes tamanho. Descobri que as cúpulas brancas são outra referência aos albaneses, pois homenageia o chapéu típico deste grupo étnico europeu. O arquiteto era ou não era criativo?

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Entramos na biblioteca mas havia um evento onde as pessoas estavam muito bem-arrumadas. Como estávamos de jeans e destoando de todos, só demos uma breve olhadinha e saímos de fininho para não chamarmos muita atenção.

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Próxima a Biblioteca Nacional fica a Catedral de Cristo Salvador, uma igreja ortodoxa sérvia que começou a ser construída em 1995 e ficou inacabada por causa da Guerra do Kosovo.
Imaginem o drama que os kosovares devem sentir toda vez que olham para a igreja pois é uma espécie de símbolo da presença sérvia no Kosovo que os cidadãos de etnia albanesa querem erradicar.
Durante e após a guerra, a igreja tem sido foco de diversos ataques e atualmente é protegida pelas Nações Unidas.

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Monumento da Irmandade e Unidade possui três colunas que simbolizam a unidade e a irmandade dos três povos do Kosovo (albaneses, sérvios e montenegrinos). Este slogan Iugoslavo parece que foi abalado e suas cicatrizes infelizmente ainda não foram totalmente curadas.

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Toda cidade mercado no Império Otomano tinha uma torre de relógio para que as pessoas soubessem a hora de rezar e também para saber a hora de abrir e fechar as lojas, de modo a nenhum comerciante ter vantagem. A torre fica ao lado da Mesquita Fatih ou Mesquita Imperial e é a mais grandiosa construção de Pristina.

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Onde ficar: Acredito que a melhor opção é realmente ficar próximo ao Bulevardi Nënë Tereza. Ficamos no hotel Citá Central, bem simples, sem elevador, o quarto era grande e o café da manhã era “a la carte”.

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Onde comer: muitos cafés e restaurantes na redondeza do Boulevard Madre Tereza, então é só escolher o que mais te agrada.

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Muitos blogs diziam que não é fácil gostar de Pristina à primeira vista e um amigo chegou a me escrever dizendo para eu desistir da viagem. Entretanto no meu caso foi amor à primeira vista. Justamente por ter baixa expectativa, fui surpreendida e como é bom ser surpreendida. A cidade tem tanta vida que a palavra que melhor a define é vibrante.
Publicado por patipelomundo 15:05 Arquivado em Kosovo Tagged pristina


Como sempre, Pristina foi muito relatada por você, porque além de informar historicamente sobre o local você coloca emoção naquilo que vê e passa isso em sua descrição. Quanto a biblioteca, na primeira foto me deu a impressão que estava pegando fogo e com muita fumaça....rsrs, a segunda achei muito bonita. Parabéns!
por Eliane