Bósnia-Herzegovina
Considerações Gerais
12.10.2016 - 13.10.2016
7 °C
Nosso 93º país é a Bósnia-Herzegovina e posso dizer com toda a certeza que foi o país que mais me marcou nesta viagem. A Bósnia-Herzegovina não me marcou pelas suas belezas naturais, pelas construções históricas, pela gentileza do seu povo. Será muito difícil explicar, mas a Bósnia-Herzegovina simplesmente me MARCOU por tudo que vi e senti.

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Quando visitamos a Croácia em 2009, passamos pela Bósnia-Herzegovina porque entre Dubrovinik e Split, cidades croatas, há a Bósnia-Herzegovina no meio do caminho. É isso mesmo meu caro Drummond, as vezes no meio do caminho não há uma pedra, mas sim, uma Bósnia-Herzegovina. E parafraseando Drummond:
Nunca me esquecerei desse acontecimento.
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma Bósnia-Herzegovina

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A Croácia é dividida para que a Bósnia-Herzegovina tenha um pedacinho de litoral do mar Adriático. Logo, só passamos por lá e a única parada foi na fronteira para o controle dos passaportes. Lembro que estávamos um pouco temerosos pois na época a Bósnia-Herzegovina exigia visto dos brasileiros e como só íamos passar resolvemos não tirar. Deu tudo certo na fronteira, não nos exigiram visto e a lembrança que ficou da Bósnia-Herzegovina foi superpositiva: o policial da fronteira que entrou no ônibus para o controle dos passaportes foi o homem mais lindo que já vi na minha vida. Olha que já faz sete anos e lembro perfeitamente do policial.

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Já que naquela época só passamos, agora tinha chegado a oportunidade de realmente conhecermos um pouco mais este país e tirar a imagem que ficou na cabeça dos anos 90, em que os noticiários comentavam da guerra na região.
Como Chegar: Partimos de Belgrado na Sérvia para Sarajevo na Bósnia. Contratamos uma agência e por apenas 20 euros por pessoa fizemos a viagem que durou aproximadamente 6 horas. A viagem é porta a porta: perfeita.
Quando contratamos a agência, imaginei uma Van ou um micro-ônibus para nos levar. Na hora marcada (pontualíssimo) chegou o motorista ao nosso hotel com um carro de passeio. Perguntei e ele informou que iríamos viajar naquele carro com apenas mais um passageiro que ele pegaria mais adiante. Juro que fiquei apreensiva, pois estava esperando um carro maior, com mais pessoas. O motorista realmente parou mais adiante e pegou uma moça e fomos os quatro rumo a Bósnia.
A Sérvia, apesar de estar localizada nos Bálcãs, possui uma paisagem mais plana e estradas retas. Assim, nosso motorista começou a acelerar e quando olhei ele dirigia a quase 150 Km/h. Esfriei e olhei para o meu marido que me falou para eu não me preocupar pois apesar da velocidade o motorista parecia muito seguro na direção.
Com o coração na mão, seguimos viagem. O motorista e a outra passageira quase não falavam, talvez porque falassem pouco inglês ou talvez porque realmente não gostassem de falar.
Quando passamos pela fronteira, já notamos a diferença: as igrejas ortodoxas da Sérvia desapareceram e começaram a brotar na paisagem os minaretes, pois a Bósnia é predominantemente muçulmana e esta é uma das causas dos conflitos com a Sérvia, que é cristã, baseada na igreja ortodoxa.

4 Minaretes Brotando

4 Minaretes
Além da transformação da paisagem, as retas da estrada se transformaram em curvas. Juro que já tinha me esquecido o que é viajar pelas curvas do Bálcãs. Sabe aquela pergunta: com emoção ou sem emoção? Nos Bálcãs só há uma resposta: Com Emoção Sempre!!!!. Para piorar a situação, anoiteceu, choveu e pegamos muita neblina.
Logo perguntei ao motorista quantas vezes por mês ele fazia aquele percurso e ele me informou que viajava três vezes por semana naquela estrada. A primeira regra para dirigir naquela região é ter RESPEITO. O motorista deve realmente respeitar as curvas e foi aí que percebi o quanto o nosso motorista era bom e conhecia cada pedacinho daquela estrada pois havia lugares com muito pouca visibilidade.
Fizemos apenas uma parada em um posto de gasolina. Estava muito frio e infelizmente era impossível ficar dentro da lanchonete do posto, pois todas as pessoas fumavam. Isto é outra coisa que você realmente percebe nos Bálcãs: as pessoas fumam muuuuuito e o cheiro mais marcante é realmente o do cigarro.
Ao chegarmos ao nosso hotel em Sarajevo agradeci muito ao nosso motorista pela competência e profissionalismo com que conduziu o veículo.
Resumindo: recomendo a agência que contratamos para nos levar e meu conselho seria: se puderes escolher um horário para viajar, escolha mais cedo, durante o dia, para apreciar a paisagem dos Bálcãs e principalmente pela segurança.
Nome da agencia: taxitravel
Custo: 20€ em outubro de 2016
Visto: desde maio de 2010 não é mais exigido visto para brasileiros visitarem a Bósnia. Então para quem não gosta da burocracia para obter um visto, está aí a oportunidade de visitar um país com um supernome: Bósnia-Herzegovina
Em relação a fronteira Sérvia-Bósnia foi tudo tranquilo. Nenhum problema com a imigração. Nenhum pedido de documento extra. Havíamos lido em outros blog, que ao cruzar a fronteira por terra, o policial Sérvio teria solicitado um documento de registro de estadia por mais de 24 h na Sérvia e acabaram tendo também que pagar um “dinheirinho” para passar.
Sabendo disso, ao fazer o check out no hotel em Belgrado/Sérvia perguntei se eles tinham feito o nosso registro no sistema e se precisaríamos de algum comprovante para passarmos pela fronteira da Bósnia. A recepcionista nos garantiu que estava tudo certo e caso algum policial questionasse, bastaria apresentar a nota fiscal de pagamento do hotel.
Na nossa viagem os policiais não solicitaram nada além do passaporte. Nenhum tipo de suborno e nossa preocupação realmente só foi com a estrada e suas curvas.
História da Bósnia
A história da Bósnia é muito parecida com a história da Sérvia, descrita no post anterior: presença do império Romano e do Império Otomano, também foram anexados ao império Austro Húngaro e fez parte da Iugoslávia.
Resumindo, os Bálcãs, como um todo, sempre foram um caldeirão efervescente de etnias, culturas, línguas e religiões. Eles já foram divididos e unificados por uma infinidade de países e impérios dominadores, como descreverei a seguir:
O território atual da Bósnia-Herzegovina fazia parte de Ilíria, província romana. Após a queda do império romano, os vândalos e os eslavos conquistaram o território, governando-o até o século XII.
A partir desta época, a Hungria dominou a região e converteu a Bósnia em um banato sob o controle de um ban (vice-rei), o qual estendeu a autoridade húngara sobre o principado de Hum. Um líder bósnio tomou a região de Hum, que passou a chamar-se Herzegovina.
Os dois territórios foram províncias do império otomano a partir de 1483 até finais do século XIX.

5 Antiga Pousada

5 História da Antiga Pousada

5 Pousada de 1543
A monarquia austro húngara anexou a Bósnia e a Herzegovina em 1908, transformando a região em um centro de agitação nacionalista. Em 1914 Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro, foi assassinado em Sarajevo, capital atual da Bósnia-Herzegovina, fato considerado o estopim da I Guerra Mundial.

6 Estopim da Primeira Guerra

6 Emoção ao estar no local que foi o estopim da Primeira Grande Guerra
Em 1918, Bósnia e Herzegovina passaram a fazer parte do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, sob o regime monárquico do rei Alexandre. Em 1929, o reino passou a ser denominado Iugoslávia (“país dos eslavos do sul”).
No final da II Guerra Mundial, Josip Broz (Tito) criou uma federação iugoslava que tinha a Bósnia-Herzegovina como uma das repúblicas constituintes. As tensões étnicas, contidas durante seu longo governo, continuaram e até se intensificaram a partir da morte de Tito, em 1980.
Em um plebiscito que ocorreu em fevereiro e março de 1992, aberto a todos os grupos étnicos, os eleitores decidiram se separar da antiga Iugoslávia, e Bósnia e Herzegovina declararam sua independência.
Durante os anos de 1992 a 1995, o país foi palco dos mais violentos conflitos de fragmentação do território iugoslavo. Os confrontos provocaram cerca de 200 mil mortes e aproximadamente 2,5 milhões de refugiados.

7 Bombing Building

7 lápides de pessoas que morreram na guerra de 90

7 nomes e datas de pessoas que morreram na guerra da década de 90

7 Lembranças da Guerra
Apesar do reconhecimento da independência pela ONU (Organização das Nações Unidas), o conflito se intensificou. Em agosto de 1995, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) promoveu a intervenção no conflito, bombardeando as posições sérvias. Lembram dos bombing buildings que vimos em Belgrado/Sérvio, consequência do ataque da OTAN?
Aparentemente tudo se acalmou na região e agora é esperar os próximos capítulos deste turbilhão que é a região dos Bálcãs. Uma dúvida para os próximos capítulos é saber se a Bósnia vai se desmembrar da Herzegovina ou se a Bósnia e a Herzegovina continuarão juntas e felizes para sempre.
Dados Gerais:
Capital: Sarajevo

8 Sarajevo

8 Capital Sarajevo
Governo: República presidencialista tripartite, com um representante bósnio muçulmano, um bósnio croata e um bósnio sérvio.
Idioma: Bósnio.
Religião: Islamismo 60%, cristianismo 35% (ortodoxos 17,6%, católicos 17,2%, outros 0,2%), sem religião e ateísmo 5%.

9 Religião

9A Religião
Moeda: Konvertibilna Mark, ou simplesmente Mark ou KM
Comida: Se você gosta de carne, você vai adorar a Bósnia. A comida bósnia tem sempre carne e é muito boa.

10 Delicias da Bósnia

10 Docinhos
Assim a Bósnia-Herzegovina é um país de nome grande e marcado pelas guerras. Não é um destino tradicional e a vontade de conhecer o país veio da paixão pela região dos Bálcãs, quando estivemos a primeira vez em 2009. Na época ainda era preciso visto e, com certeza, foi um dos motivos para a exclusão.
Agora que tudo ficou mais simples e tranquilo, tivemos a oportunidade de conhecer duas cidades sensacionais: Mostar na região da Herzegovina e Sarajevo na Bósnia.

11 Mostar

11 Sarajevo
Publicado por patipelomundo 03:23 Arquivado em Bósnia-Herzegovina

