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TAPROBANA

Por Mares nunca dantes navegados

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As armas e os barões assinalados
Que na ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana

(Os Lusíadas, Camões)

Camões escreveu sobre uma terra desconhecida que marcava o início dos mares nunca dantes navegados pelos exploradores portugueses. Taprobana era este marco simbólico, que assinalava a porta de entrada para um outro mundo.

Para aqueles que ainda não identificaram Taprobana, fica a dica: até 1972 este país era conhecido como Ceilão e atualmente responde por Sri Lanka. Sim, a Taprobana existe até hoje e nós fomos conhecê-la.

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Se olhar o mapa vai perceber que o Sri Lanka parece uma gota de lágrima caída no sul da Índia. Já houve ligação marítima entre os dois países, mas as suspeitas de transporte de armas acabaram com o serviço de ferry há mais de dez anos.

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Apesar das semelhanças e da proximidade geográfica, o Sri Lanka não é de modo algum um apêndice da Índia. É um país com características muito próprias e atmosfera bem distinta. A primeira impressão que tivemos foi que o Sri Lanka é, na verdade, uma Índia organizada. Há uma piadinha que diz que o Sri Lanka é a versão Índia, colonizada por Alemães.

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Marco Polo dizia que navegando mil milhas para sudoeste de Andaman se chegava ao Ceilão, “que é sem dúvida a mais bela ilha do seu tamanho em todo o mundo”.

As belezas naturais são indiscutíveis e muito diversificadas. O povo é simpático, comunicativo e hospitaleiro e há inúmeros templos coloridos, construídos em nome de uma filosofia e de um código moral que salientam a importância do amor, da compaixão, da gentileza e da tolerância.

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A receita tem os ingredientes necessários para transformar qualquer país em paraíso terrestre, mas o Sri Lanka suporta uma guerra desgastante, provocando a destruição da economia e a esperança de melhores dias: a guerra ancestral entre cingaleses e tamil, que se consideram inimigos natos.

Os cingaleses constituem 72% da população, têm uma língua própria, são geralmente budistas. Quanto aos tamil, o segundo maior grupo populacional, também têm língua própria, mas professam o hinduísmo e vivem concentrados em zonas distintas, sobretudo no norte e no leste. Esta minoria conseguiu ocupar a maior parte dos postos administrativos e de responsabilidade até a promulgação da lei “Sinhala Only” – só cingaleses – criada na sequência de um movimento nacionalista que “tomou o poder” em nome do budismo e da língua oficial, originando graves confrontos em 1956.

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Assim nasceram os Tigres de Libertação, um verdadeiro exército que luta pela formação de um país independente, de religião hindu, tendo conseguido o controlo total da península de Jaffna, que fica no norte.

Nesta guerra já morreram mais de 30.000 pessoas e os Tigres têm sido responsáveis por atentados suicidas que visam, sobretudo, chefes políticos e militares, como, por exemplo o do Rajiv Ghandi, então primeiro-ministro indiano e o próprio Presidente da República do Sri Lanka, Ranasinghe Premadasa, assassinados em 1991 e 1993.

Assim, as notícias que tínhamos desta ilha longínqua se resumiam a uma situação insuportável, terrorismo e com uma economia nacional afetada pela guerra.

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Embora não tenhamos percebido os problemas entre cingaleses e tamil, tínhamos que estar atentos a situações de terrorismo para não estarmos no lugar errado na hora errada. É ou não é uma aventura pra lá de Taprobana?? O Sri lanka é para viajantes curiosos, amantes da poesia e que querem conhecer os mistérios da ilha imortalizada por Camões:

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“Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana”

(Os Lusiadas, Camões)

Publicado por patipelomundo 08:11 Arquivado em Sri Lanka

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