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Cultura Ubaid

Início da Estratificação Social na Pré-História -

A Cultura Ubaid teria começado a florescer por volta de 5.400 a.C, ou seja, um pouco posterior a cultura Hassuna, Samara e Halaf e mais ao sul da Mesopotâmia. Essa cultura é conhecida por estabelecer as bases para as futuras civilizações na região, incluindo Eridu e Uruk.

Nessa época, a região do Crescente Fértil já estava produzindo cerâmicas em grande escala, e é nessa época que floresce a Cultura Ubaid, cujo nome deriva do sítio arqueológico Tell al-Ubaid, no sul da província iraquiana de Dhi Qar, e a oeste de Ur, representando a primeira ocupação na planície aluvial da Mesopotâmia meridional e possuindo relações claras com as outras culturas anteriores da região central do Iraque.

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Foto do crânio de uma mulher de meia-idade descoberto em 2011 em Tell Nader, perto de Erbil no Curdistão Iraquiano do período de Ubaid

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A cultura Ubaid pode ser dividida em 3 fases principais:

Fase Ubaid 1: de 5.300 a.C. a 4.800 anos a.C.

Também chamada de Eridu. Foi uma fase limitada ao extremo sul do Iraque, às margens do Golfo Pérsico. Essa fase mostra clara conexão com a Cultura Samarra, ao norte, citada anteriormente. Essas pessoas foram pioneiras no cultivo de grãos, em condições extremas de aridez, graças às cheias dos rios no sul do Iraque.

Aparentemente havia uma tradição na região de que cada local ou cidade tivesse uma divindade padroeira, ou que cada cidade fosse dada a um deus para que esse a supervisionasse. Segundo as fontes e os registros mitológicos das antigas sociedades da região da Mesopotâmia, Eridu era considerada o lugar da criação.

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Seria a mais antiga cidade. Reparem que agora passamos da fase dos assentamentos para o termo de cidade, simbolizando o princípio da civilização, tal como os mesopotâmios concebiam. O deus patrono de Eridu seria Enki, associado às águas doces. Posteriormente, a mitologia do deus Enki foi recebendo várias narrativas pelos povos que foram ocupando a região, como sumérios, acadianos e babilônicos, chegando aos dias atuais.

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Por exemplo, nessas narrativas, Enki seria o responsável pela criação da humanidade. Os deuses estavam cansados com a quantidade de serviço na Terra e Enki, com sua sabedoria, teria criado o homem a partir do barro, para ajudar os deuses no trabalho.

Enki também teria desempenhado um papel crucial em uma narrativa acadiana/babilônica, conhecida como Atrahasis, que é a versão mesopotâmica do Dilúvio:

Seu irmão, uma divindade denominada Enlil, ficou irritado com o barulho incessante que os humanos faziam e decidiu eliminar a humanidade por meio de um dilúvio devastador. Enki não teria conseguido deter o plano de Enlil e decide descer à Terra para salvar um homem justo chamado Atrahasis. Enki teria instruído Atrahasis a construir uma arca e, assim, o homem consegue escapar da fúria de Enlil.

Acredita-se que as histórias da criação do homem, a partir do barro, e a do dilúvio, da Mesopotâmia, tenham inspirado outras, como a história de Noé e sua arca do livro bíblico de Gênesis (a data mais antiga possível desse livro é de 1.450 a.C.). Na verdade, acredita-se é que esses contos sejam muito mais antigos e foram preservados pela tradição oral até serem escritos.

Mas, afinal, será que o grande dilúvio realmente ocorreu na região e, se ocorreu, quando teria acontecido? O que pesquisadores e arqueólogos constataram é que várias inundações significativas ocorriam na região, quando os rios Tigres e Eufrates transbordavam de suas margens, então, muito provavelmente, um dilúvio ocorreu na região.

Fase Ubaid 2: de 4.800 a.C. a 4.500 anos a.C.

Nessa fase, teve início o desenvolvimento de redes de amplos canais para sustentar os grandes assentamentos. O uso da agricultura de irrigação se desenvolveu rapidamente e se espalhou para outros lugares, tornando-se base dos primeiros trabalhos coletivos e exemplo de coordenação centralizada do trabalho na Mesopotâmia. O comércio também se desenvolvia de vento em polpa, já que o excedente agrícola era negociado nas vizinhanças, levando ao enriquecimento dessa cultura.

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Fase Ubaid 3: de 4.500 a.C. a 4.000 anos a.C.)

Nessa fase ocorreu uma intensa urbanização e rápida disseminação da Cultura Ubaid para o norte da Mesopotâmia, substituindo a Cultura Halaf, que foi mencionada anteriormente.

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Além do excedente agrícola, os artefatos cerâmicos da cultura Ubaid se espalharam também, atingindo todo o litoral da Arábia, negociando em Dilmuns, atual Bahrein, e chegando até Omã, mostrando o crescimento de um sistema de negociação entre diversos assentamentos e o uso da tecnologia para o desenvolvimento da navegação, atingindo assim territórios mais distantes, para fazerem seus negócios.

A Cultura Ubaid é caracterizada por grandes aldeamentos, por casas de tijolos de barro retangulares com vários cômodos. Surgem também diversos utensílios domésticos, como luminárias à vela de excelente qualidade e cerâmicas coloridas, principalmente esverdeadas, decoradas com desenhos geométricos em tinta marrom ou preta.

Foram também amplamente utilizadas ferramentas como foices, confeccionadas com pedra e, às vezes, com metal. Essa cultura foi também responsável pela adoção da roda em equipamentos para fazer as cerâmicas, conseguindo fazer potes com bases mais arredondadas que as outras culturas. Pode-se dizer que as cerâmicas começaram a ser usadas como moeda para as trocas comerciais da produção agrícola.

Essa fase foi considerada como o início da Era do Bronze, em que o ser humano desenvolveu a técnica de fundição do cobre com o estanho. Os objetos passam a ter aspecto mais elaborado e resistente. Com toda essa prosperidade, povos de outros lugares migraram para lá, em busca de oportunidades.

Outro fator que se destaca foi o aparecimento de um sistema de hierarquia de classes (pelo menos duas). A sociedade já demonstrava início de uma estratificação social, com acentuada redução do igualitarismo e com o início de competição entre as famílias pelo poder regional.

Entretanto, aparentemente, havia baixa mobilidade social, que resultou no surgimento de uma classe de elite, constituída por chefes de grupos de parentesco, ligados de alguma forma à administração dos santuários/templos e dos celeiros, além dos responsáveis pela mediação de conflitos e pela manutenção da ordem social, criando assim uma democracia primitiva.

Os registros arqueológicos mostram que o período de interação da cultura Ubaid na Mesopotâmia com povos que viviam na região de Dilmun, no atual Bahrein, teria chegado a um fim abrupto por volta de 4.000 a.C. provavelmente devido às condições climáticas, como longos períodos de secas.

Dicas de Viagens

Novamente a dica aqui é ficar atento nos museus de antropologia ou de história espalhados pelo Oriente Médio. Cerâmicas da cultura Ubaid são mais fáceis de serem encontradas, já que elas se espalharam por diversas regiões, conforme a fama de Eridu crescia.

A cerâmica pintada Ubaid aparece em muitos locais no leste da Arábia Saudita e podemos ver uma pequena amostra dessas cerâmicas no Museu Nacional de Riad, capital da Arábia Saudita. Por outro lado, várias formas de cerâmica, pontas de flecha e pedras de moagem que essas pessoas usaram são de origem local e árabe.

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Em Erbil Civilization Museum que fica no Curtistão Iraquiano também é possível apreciar cerâmicas da civilização Ubaid.

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Publicado por patipelomundo 18:28 Arquivado em Iraque

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