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Sidi Bou Said - Tunisia

Um charmoso vilarejo na Tunisia

Confundir o charmoso vilarejo de Sidi Bou Said, a 18 quilômetros de Túnis, com alguma ilha grega é de praxe, graças ao seu visual formado por casinhas pintadas de branco, equilibrando-se em encostas, telhados abobadados, bungavílias colorindo as fachadas, ruas estreitas de paralelepípedos e restaurantes debruçados sobre o mar.

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Mas Sidi Bou Said tem as suas peculiaridades, afinal, estamos no norte da África. E isso significa se deparar com mesquitas, lojinhas de artesanato e cerâmica, casarões com arquitetura moura, janelas minuciosamente forjadas e portas incrivelmente azuis. Por ser compacta, é preciso apenas um bate volta de meio dia a partir de Túnis, que pode ser feito com o mesmo trem TGM que liga a capital a Cartago. Como já disse no post de Cartago, nós fomos caminhando de Cartago até Sidi Bou Said.

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Na estrada que liga as duas cidades, está a casa do predidente, mas só me dei conta quando estava andando na calçada e de repente apareceu uma placa que era proibido pessoas andarem na calçada. Virei para meu marido e comentei: Ué uma calçada que as pessoas não podem andar? Mas logo a frente estava a explicação: ali era a casa do presidente e nem podia também tirar fotos. Imediatamente atravessamos a rua e fomos caminhando pelo outro lado.

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Sidi Bou Said ficou famosa também como epicentro cultural do país, com a fundação da Escola de Arte da Tunísia, que, depois da Segunda Guerra Mundial, almejava destacar uma arte genuinamente nacional e mostrar a diversidade da cultura do país.

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Mas, de forma geral, Sidi Bou Said sempre foi frequentada por artistas e pensadores internacionais, como Paul Klee, Michael Foucault, Gustave Flaubert, Guy de Maupassant e Simone de Beauvoir.

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Resumindo: ande pelas ruas, sem pressa, sem preocupação... só curtindo esse vilarejo charmoso na África

O estilo característico de Sidi Bou Said foi fortemente influenciado pelo aristocrata e artista francês Rodolphe d'Erlanger, que se estabeleceu ali no início do século XX. Encantado pela arquitetura local tunisiana e andaluza, ele promoveu regras urbanísticas que incentivavam fachadas brancas e detalhes em azul intenso.

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Alguns fatores que explicam a semelhança:

• Clima mediterrâneo comum: tanto a Tunísia quanto a Grécia estão na bacia do Mediterrâneo. Paredes brancas refletem o calor e ajudam a manter as casas frescas.

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• Uso tradicional do azul: no norte da África e no Mediterrâneo oriental, o azul era associado à proteção espiritual e também ajudava a afastar insetos, segundo crenças populares.

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• Herança mediterrânea compartilhada: ao longo de milênios, fenícios, gregos, romanos, árabes, otomanos e europeus circularam pela região, criando influências arquitetônicas cruzadas.

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• Arquitetura árabe-andaluza: muitas das formas das portas, pátios internos e arabescos de Sidi Bou Said são na verdade mais próximas das tradições da Tunísia e da Andaluzia islâmica do que da arquitetura grega.

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Curiosamente, a influência grega na Tunísia é antiga. Os gregos tiveram colônias e contatos comerciais com a região desde a Antiguidade, embora a identidade visual atual de Sidi Bou Said seja muito mais resultado de desenvolvimentos locais e da padronização promovida por d'Erlanger do que de uma herança grega direta.

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Em outras palavras: Sidi Bou Said parece grega aos olhos modernos porque compartilha a estética mediterrânea de branco e azul, mas suas raízes são principalmente tunisianas, árabes, andaluzas e mediterrâneas em geral.

Publicado por patipelomundo 23:11 Arquivado em Tunísia Tagged africa

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