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O que fazer em Cartago na Tunísia

Nos posts anteriores falei de como chegar a Cartago a partir de Tunis e um pouco de sua história para que possamos aproveitar mais a visita a essa cidade com vários sítios arqueológicos.

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A seguir link para o video que fiz em Cartago

https://youtu.be/7KYEV3L_vMc

As inúmeras ruínas de Cartago estão espalhadas por uma extensa área, com espaços de um, dois ou três quilómetros entre cada uma delas. É um percurso que vale a pena, quer pelos vestígios cartagineses e romanos, quer pelas ruelas arborizadas, moradas de embaixadores e o palácio do próprio presidente, que fica na estrada que liga Cartago a Sidi Bou Said e que não se pode fotografar.

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Culturalmente, Cartago é muito rica e diversificada, uma vez que as inúmeras invasões e domínios que se sucederam exerceram influências determinantes, tais como as Guerras Púnicas, a integração ao Império Romano, fazendo com que a cidade se tornasse um forte centro intelectual e cultural, além de invasões árabes e bizantinas.

Salienta-se ainda que, devido à riqueza cultural e a enorme quantidade vestígios arqueológicos ali encontrados, desde 1979, Cartago é reconhecida pela UNESCO como um Patrimônio da Humanidade.

O que fazer em Cartago

1. Tophet: santuário repleto de pedras tumulares e moradias

Descendo na estação Carthage Salammbo e caminhando poucos minutos, chegamos a um dos lugares mais intrigantes da antiga Cartago: o Tophet. Este sítio arqueológico abriga centenas de estelas e urnas funerárias que remontam ao período púnico, tornando-se um dos raros locais onde ainda é possível sentir a presença da Cartago original, anterior à conquista romana.

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Durante muito tempo, acreditou-se que o Tophet teria sido um local de sacrifícios de crianças e pequenos animais oferecidos aos deuses. Essa interpretação se baseou em relatos de autores gregos e romanos, além das descobertas arqueológicas feitas no local. Por isso, o Tophet chegou a ser considerado por alguns estudiosos um dos maiores centros de sacrifícios da Antiguidade.

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Mas a história pode ser mais complexa. Pesquisas recentes reacenderam o debate: muitos arqueólogos defendem que o local funcionava principalmente como um espaço funerário destinado a crianças que morreram naturalmente ainda muito pequenas, além de animais usados em rituais religiosos. Estudos dos restos cremados encontrados nas urnas não chegaram a um consenso definitivo, e a discussão continua aberta entre os especialistas.

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Talvez nunca saibamos exatamente o que aconteceu ali há mais de dois mil anos. O que torna a visita ainda mais fascinante é justamente esse mistério. Caminhar entre as antigas estelas do Tophet é mergulhar nas origens de Cartago e refletir sobre uma civilização que ainda guarda muitos segredos sob suas pedras.

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2. Portos Púnicos – Onde se fazia a riqueza da cidade

Continuando nossa caminhada, passamos pela porta do museu Oceanográfico de Cartago, mas não entramos, pois sabíamos que ainda tínhamos muitas ruinas para visitar. O museu custa em torno de 2 dinares.

Ao lado do museu oceanográfico está a entrada para a visitação aos portos púnicos. Um segurança perguntou se tínhamos os ingressos e informamos que não e solicitamos informação de onde comprar. Ele falou que os ingressos são comprados na colina de Byrsa e apontou na direção da Basílica de São Luis, que ficava um pouco distante. Então ele falou que podíamos visitar o local sem problemas e quando fossemos a colina a gente poderia comprar lá.

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Os portos púnicos de Cartago foram cavados por homens no final do século III a.C., na costa, em uma área atualmente conhecida como Salammbo (mesmo nome da parada do trem que descemos). O primeiro porto, identificado como o porto comercial, ficou famoso por sua forma alongada. O segundo porto que foi usado para fins militares é circular. No meio, contém uma ilha que incluía um pavilhão que ajudava a monitorar os movimentos dos navios. Esta ilha é cercada por cais implantados com compartimentos de carga para 200 embarcações. Os portos passaram por reformas generalizadas durante a época romana, e notavelmente sob o governo do Imperador Cômodo (no segundo período d.C.).

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The Roman and Early Christian Museum

O museu romano e cristão foi construído em agosto de 1984 no contexto da Campanha Internacional para salvar Cartago, lançada pela UNESCO. Quase todos os achados exibidos vêm deste campo e pertencem ao período de 400 a 700 d.C., os períodos romano tardio, vândalo e bizantino.

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O museu está localizado no cruzamento de duas ruas romanas: Kardo 9 East e Decumanus 2 South. O museu tinha vários objetivos. O primeiro é apresentar aos visitantes a importância da pesquisa arqueológica. O segundo é ilustrar os achados típicos pertencentes a este período tardio da história da cidade, especialmente a tipologia da cerâmica, lâmpadas e ânforas, os tipos de pavimentos de mármore e mosaico e os tipos de moedas em circulação.

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É possível no local ver uma das ruas romanas: Um século e meio depois que Roma conquistou Cartago, ela refundou a cidade como uma colônia romana. Os romanos impuseram uma grade completamente nova e reta, na forma de ruas leste-oeste e norte-sul na cidade. As ruas mais largas, que se cruzavam no topo da colina de Byrsa, eram chamadas de Kardo Maximus (correndo de norte a sul) e Decumanus Maximus (leste-oeste).

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Então vieram cerca de mais 6 decumani, tanto para o sul quanto para o norte. O que é possível ver é a linha do terceiro decumano ao sul da principal.

A seguir a foto de uma ânfora. Este tipo de ânfora era produzida em oficinas de cerâmica, provavelmente na última parte do século V e na primeira metade do século VI. Foi feito para conter molho de peixe, que era amplamente exportado por todo o Mediterrâneo Ocidental. Ânforas desse tamanho e forma foram reutilizadas para muitos fins secundários, entre os quais utilizados em enterros.

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Outra parte interessante do museu aborda a forma como as construções dos edifícios era feitos, citando, por exemplo, uns tubos que foram inventados no norte da África no século II d.C.; eles são particularmente comuns em edifícios cristãos primitivos e foram usados extensivamente no Batistério e no Complexo Eclesiástico de Cartago. As abóbadas criadas com os tubos eram muito leves e eram mais eficientes na distribuição do peso do telhado. Muito pouco andaime era necessário, utilizando essa tecnologia, e espaços complexos podiam ser construídos em um único dia. No museu foi reconstruído um único arco feito de “tubos de abóbada”, usando tubos que foram encontrados durante a escavação do Batistério, mostrando como eles se encaixavam um no outro. Para quem é engenheiro e/ou arquiteto, deve ser incrível estar diante dessas “tecnologias”.

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Colina de Byrsa

Com um pouco mais de esforço, subimos à Colina de Byrsa, outro sítio arqueológico de Cartago para ver as ruinas dos Portos Punicos, o Museu Nacional de Cartago e a Basílica de São Luis.

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Nessa colina tem uma bilheteria, onde a gente comprou os tickets para visitar todos os sítios arqueológicos de Cartago, apesar de só terem solicitado os tíquetes nesse local. Pagamos 12 dinares tunisiano por pessoa pelo tíquete.

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Destruída em 146 a.C., Cartago foi condenada ao esquecimento por pouco mais de um século. No entanto, César entendeu a importância estratégica do local e decidiu restaurá-la e transformando-a em uma colônia. Os meios técnicos e legais estabelecidos por Otaviano-Augusto e seus sucessores fizeram de Cartago a segunda ou terceira maior cidade do mundo. Roma, que havia feito de tudo para aniquilá-la, não poupou esforços para restaurar seu antigo esplendor.

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É muito provável, como citado em Ápia (Púnica 2), que "os romanos tivessem experimentado o quão forte era a posição de Cartago, que eles queriam torná-la seu ponto de apoio para conter as tribos africanas".

O primeiro projeto foi a “remodelar” a colina Byrsa, pois os romanos queriam de fato tornar invisíveis todos os vestígios da velha Cartago, tudo o que pudesse lembrar seu passado e seu poder.

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Assim, a Colina de Byrsa já existia como uma elevação natural e era o coração da Cartago púnica, onde ficava a cidadela cartaginesa.

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Escavações encontraram camadas de ocupação púnica muito antigas diretamente sobre o solo natural da colina.

O que aconteceu após a destruição de Cartago em 146 a.C. foi que os romanos remodelaram a colina em uma escala gigantesca. Ao fundar a nova colônia romana, realizaram enormes obras de terraplenagem: cortaram partes do relevo, nivelaram áreas e enterraram extensos vestígios cartagineses sob aterros para criar uma vasta plataforma monumental destinada ao fórum e aos principais edifícios públicos romanos.

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Assim, resumidamente, a colina de Byrsa era uma colina natural que foi profundamente transformada pelos romanos, que construíram sobre ela uma enorme plataforma artificial, enterrando grande parte das estruturas cartaginesas anteriores.

Era necessário tornar invisíveis os vestígios da velha Cartago e isso está alinhado com interpretações arqueológicas modernas que afirmam que os romanos não apenas destruíram a cidade derrotada, mas em muitos lugares cobriram os restos púnicos com aterros maciços, o que paradoxalmente ajudou a preservar alguns bairros cartagineses sob as camadas romanas.

A colina de Byrsa se transformou em uma plataforma artificial e se tornou um verdadeiro centro geográfico da cidade, é uma das maiores do mundo romano: 336m/223m, ou pouco mais de 7 hectares, que é seis vezes o tamanho do Fórum de Augusto, em Roma.

Então estar na colina de Byrsa foi sentir a força dos romanos, que transformaram a colina de Byrsa, construindo uma enorme plataforma artificial sobre ela, alterando radicalmente sua forma e enterrando muitos vestígios da Cartago púnica.

Os restos antigos não foram apenas destruídos como se poderia esperar, mas enterrados por aterro maciço. Assim, a colina de Byrsa é uma plataforma artificial e se tornou um verdadeiro centro geográfico da cidade, é uma das maiores do mundo romano: 336m/223m, ou pouco mais de 7 hectares, que é seis vezes o tamanho do Fórum de Augusto, em Roma.

Da colina é possível observar o local onde estariam os antigos Portos Púnicos, sendo que a vista se estica até o Golfo de Túnis e revela a engenhosidade dos antigos portos fenícios, que, por terem forma circular, permitiam à marinha cartaginesa vigiar o mar sem que os inimigos percebessem. Na costa ainda há vestígios dos grandes portos de onde saía toda a riqueza do Norte da Africa em direção a Roma.

A Colina de Byrsa é, ainda, endereço do Museu Nacional de Cartago, mas estava fechado quando fizemos a visita em março de 2025. Uma pena, pois no local poderíamos ter visto, nas salas de um antigo seminário católico do século 20, coleções de objetos arqueológicos das eras púnica, romana e bizantina encontradas na região.

Entramos na Basílica de São Luís, que possui alguns vestígios de ruínas, estelas e sarcófagos cartagineses. Em uma mescla de estilos gótico, bizantino e mouro, a antiga Catedral de São Luís, depois que foi desconsagrada, virou espaço para eventos e concertos de músicas clássica e tunisiana.

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Construída entre 1884 e 1890 por iniciativa do Cardeal Lavigerie, a catedral, conhecida como Saint-Louis, foi dedicada em homenagem ao rei Luís IX, que faleceu em Cartago em 1270.

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Você sabia? Uma acrópole é uma área fortificada construída sobre uma colina elevada dentro ou próxima de uma cidade antiga. A palavra vem do grego: akros ("alto") + polis ("cidade"), significando literalmente "cidade alta". As acrópoles serviam como: Centro defensivo em caso de ataque; Local de templos e santuários religiosos e/ou Sede de edifícios importantes do governo. O exemplo mais famoso é a Acrópole de Atenas, onde se encontra o Partenon. Em Cartago, a Colina de Byrsa desempenhava uma função semelhante à de uma acrópole: era o ponto mais elevado e estratégico da cidade, com funções religiosas, administrativas e defensivas.

Termas de Antonino

Da época romana. As Termas de Antonio, por sinal, é o ponto mais bem preservado do distante passado romano de Cártago. Grandiosa, as termas já foram classificadas como “o maior banho público de toda a África”; além de ser também o terceiro maior banho público já construído pelo Império Romano.

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A localização das Termas de Antonio é também outro ponto a ser destacado, uma vez que se encontra estrategicamente dentro de um suntuoso jardim, com colunas e paredes colossais em meio a um conjunto de arcadas subterrâneas.

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As mais notáveis são, sem dúvida, as das Termas de Antonino Pio, erguidas no século 2 com vista para o Mar Mediterrâneo. Considerado o maior complexo termal fora de Roma, reunia, sob o mesmo teto, saunas, salas de massagem e de banhos de esfoliação, academia de ginástica, biblioteca, vestiários e diversas piscinas, entre frias, aquecidas e até uma olímpica. Porém, o que se vê hoje é apenas o que sobrou do subsolo.

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- Teatro Romano
Você sabe a diferença entre teatro e anfiteatro? Embora ambos fossem locais de espetáculos, tinham formatos e usos diferentes. O teatro grego (e depois romano) tinha formato de semicírculo. O público ficava voltado para um palco. Era usado para peças teatrais, música, poesia e apresentações culturais. Frequentemente era construído aproveitando a encosta de uma colina. Já no Anfiteatro, a palavra significa literalmente "teatro dos dois lados" (amphi = em volta). Tem formato oval ou circular. O público cercava completamente a arena central. Era usado para combates de gladiadores, caçadas de animais e execuções públicas. Uma maneira fácil de lembrar é: no teatro você olha para um palco; no anfiteatro você olha para uma arena cercada por espectadores.

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As termas de Antonio, a Acrópole e o Teatro Romano dão uma boa impressão da grandiosidade do Império Romano, assim como dá importância estratégica que esse dava a Cartago.

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Informações úteis
Não é preciso visto para entrar na Tunísia;
A moeda é o dinar, e 1€ vale cerca de 1,75 dinares.
Não há qualquer problema de segurança nem regras de vestuário.
A língua oficial é o árabe, mas quase toda a gente fala algum francês e gosta de comunicar.

Bem visitamos o Teatro de Cartago e em seguida fomos caminhando até Sidi Bou Said!!!!!! Conto sobre esse charmoso vilarejo no próximo post.
Para mais fotos e informações, basta seguir no instagram no patipelomundobr ou no canal do youtube.

Publicado por patipelomundo 22:53 Arquivado em Tunísia

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