Primeiro Dia: se perder na Medina de Tunis
Primeira Parte
01.05.2026
No nosso primeiro dia na Tunísia, tínhamos um único objetivo: se perder na Medina de Tunis.
Medina" vem do árabe madīnah (مَدِيْنَة) e significa literalmente "cidade" ou "lugar". No contexto do norte da África e Oriente Médio, refere-se ao centro histórico e amuralhado de uma cidade, caracterizado por ruas estreitas e labirínticas. A Medina de Tunis é um labirinto histórico fundado no séc. VII e considerado Patrimonio da Unesco.

Os Portões da Medina
Tradicionalmente, a grande maioria das Medinas era murada e possuía portões e a medina de Tunis não foge a regra.
No entanto grande parte da muralha e vários portões da Medina de Tunis já foram destruídos e você pode entrar na Medina sem passar por nenhum portão, mas acredite, vale a pena procurar um portão, passar por ele e ter a sensação de literalmente estar entrando no coração de uma cidade antiga árabe.
Bab El Khadra
Nossa introdução a Medina de Tunis foi pela Bab El Khadra (Portão dos Jardins Verdes) e ai já começamos a aprender algumas palavras em árabe - Bab (escrito como باب) significa literalmente "porta" ou "portal".
Bab el Khadra (Portão dos Jardins Verdes) é um dos portões históricos da Medina de Túnis, construído originalmente por volta de 1320 e reconstruído em 1881 por um arquiteto francês, apresentando um estilo que lembra castelos europeus, mantendo influências islâmicas.
Bab el Khadra traduz-se como "Portão dos Jardins Verdes" ou "Portão da Verdura", devido às áreas de cultivo e pomares que antigamente existiam na área.

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Bab El Bhar
No entanto, a porta mais turística e mais bem preservada é a Bab El Bhar, em árabe: باب البحر), que significa literalmente "Portão do Mar", conhecida também como Porta da França ou Arco do Triunfo de Tunis.
Ela recebeu esse nome porque, originalmente, as águas do Lago de Túnis chegavam quase até o portão, facilitando o acesso ao litoral.

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Hoje Bab El Bhar funciona como a fronteira simbólica entre a Medina de Túnis (cidade velha e patrimônio da UNESCO) e a Ville Nouvelle (cidade moderna de influência europeia).
A estrutura atual, que se assemelha a um arco do triunfo independente, foi reconstruída pelos franceses por volta de 1860 (substituindo uma versão mais antiga do século IX ou XIII) no local onde antes existiam as muralhas defensivas da Medina.
Bem, no primeiro dia entramos na medina por Bab El Khadra, mas, aos primeiros passos, parecia que estávamos em Portugal, pois havia vários edifícios com roupas penduradas.

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O que me surpreendeu logo no início foi verificar várias casinhas nas cores brancas e azul, pois achei que só você encontrar em Sidi Bou Said, perto de Cartago. Algumas dessas casinhas em Tunis não estão tão bem preservadas como em Sidi Bou Said, mas já deu para entrar no clima desse país, que depois se revelou um verdadeiro “melting pot”.

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Também, logo no início, você já começa a se encantar pelas portas de Tunis, em que algumas são verdadeiras obras de arte. Tons vibrantes de azul, verde e amarelo saltam aos olhos, criando um contraste marcante com as paredes brancas. É impossível passar sem parar… e admirar.

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Na arte islâmica, evitar figuras humanas não é limitação — é inspiração. Os artesãos transformaram isso em beleza pura com padrões geométricos, motivos florais e delicadas inscrições em árabe.

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Muitas portas têm DOIS batedores de ferro! Um com som grave (para homens) e outro mais agudo (para mulheres). Assim, quem está dentro já sabia quem aguardava do lado de fora… antes mesmo de abrir. Amei essa curiosidade e muitas pessoas passam por elas sem perceber esses dois batedores

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Em Tunis pipocam estabelecimentos modernos, mas nada se compara ao delicioso caos de visitar uma medina. Além disso, a medina de Tunis concentra mais de 700 monumentos, entre palácios, mesquitas, mausoléus e madraças.
Como na tradição da Arquitetura Islâmica, há restrições à representação de figuras humanas, os arquitetos exploraram formas, simetria e repetição. Daí surgem arcos ornamentados, com padrões geométricos e arabescos que criam uma sensação quase hipnótica e vimos muitos arcos na Medina de Tunis.

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Como a Tunisia é um país de maioria muçulmana, nos deparamos com algumas mesquitas dentro da Medina.


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Nessa rota que escolhemos, um dos principais pontos é a Grande Mesquita de Zitouna do séc. VIII). A Grande Mesquita de Zitouna é a mais antiga de Túnis e a segunda mais antiga do país, datada de 732.

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A forma que se vê hoje, no entanto, com arquitetura andaluza semelhante à Mesquita de Córdoba, na Espanha, é resultado de uma reforma total feita no século 9 e dezenas de outras menores empreendidas ao longo do tempo. Uma dessas renovações incorporou mais de 200 colunas das ruínas romanas de Cartago ao salão de orações.

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A entrada da mesquita não é tão fácil de encontrar e na verdade só a encontramos quando visitamos a medina pela segunda vez. A partir de uma porta, escondida em uma ruela da Medina, conseguimos entrar no seu pátio e conseguimos olhar um pouco o seu interior.
Bem, próximo post continuo mostrando a Medina de Tunis e o que mais pode ser descoberto.
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Publicado por patipelomundo 18:06 Arquivado em Tunísia

