Um blog do Travellerspoint

A História de Tenerife

Ilhas Canárias

Agora, vamos voltar um pouco no tempo!

Tenerife foi fundada em 1494, logo após a conquista pelos espanhóis. A cidade surgiu como um pequeno assentamento portuário.

350c2eb0-38f1-11f0-9630-df0f7529fd00.png

clique no link para ver o video que fizemos para o canal do Youtube
https://youtu.be/4Qkzfw1mXws?si=Kyhg7J3kXEhlXsZC

Mas antes dos espanhóis chegarem, as Ilhas eram ocupadas ou eram desabitadas como em Cabo Verde, quando os portugueses chegaram?

Bem, para responder essas e outras perguntas fomos até o museu de Natureza e Arqueologia que fica no coração de Tenerife. Não pagamos nada para entrar, mas depois ficamos na dúvida se o museu era pago ou não, pois nosso amigo tentou entrar depois e ele falou que queriam cobrar 5 dólares dele.

Os Guanches

Antes da chegada dos espanhóis às Ilhas Canárias, o arquipélago era habitado por diversos povos, provavelmente oriundos da África, que estavam divididos em diferentes tribos. Entre as tribos mais conhecidas, destacam-se os guanches. Os guanches eram originários do norte da África, provavelmente das regiões do atual Marrocos e da Mauritânia, e chegaram às Ilhas Canárias por volta do primeiro milênio a.C.

35197520-38f1-11f0-8e62-db460ffed3db.png

Um dos aspectos mais marcantes da cultura guanche era a mumificação dos corpos dos mortos. Os guanches retiravam os órgãos internos, secavam o corpo ao sol e aplicavam ervas, resinas e gorduras naturais para impedir a decomposição.
345820f0-38f1-11f0-9937-4101d66abf8b.png3450a6e0-38f1-11f0-b619-4d62025b1267.png

As múmias eram então envolvidas em peles de cabra e depositadas em cavernas funerárias, muitas delas em locais de difícil acesso, como montanhas e falésias. Essa tradição revela muito sobre as crenças espirituais e o respeito dos guanches pela morte e pela ancestralidade, sendo considerada uma das práticas de mumificação mais antigas e sofisticadas fora do Egito

3458e440-38f1-11f0-a536-2736f98f53ac.png3477b6e0-38f1-11f0-996e-d9f92c2faba4.png

Quando os espanhóis chegaram à ilha de Tenerife em 1494, encontraram uma sociedade organizada e resistente. A resistência dos guanches a essa invasão foi feroz. O conflito resultou na destruição de muitas das tradições e da cultura indígena, com a imposição da cultura espanhola e a conversão forçada ao cristianismo. A chegada dos colonizadores espanhóis também provocou uma drástica redução da população guanche, devido à guerra, doenças e a escravização.

Captura de tela 2025-05-24 193337

Captura de tela 2025-05-24 193337

Captura de tela 2025-05-24 193349

Captura de tela 2025-05-24 193349

Embora a maioria da cultura guanche tenha sido perdida após a conquista, alguns aspectos de sua herança sobreviveram através da língua, das tradições e da genética da população canária moderna, que carrega vestígios dessas civilizações antigas.

Trinta anos da rota migratória África–Ilhas Canárias: o oceano que engole vidas

No museu também havia uma exposição de fotografias que retratavam o sofrimento de milhares de imigrantes na Rota Canária.

Em 2024, a perigosa rota migratória que liga a costa da África Ocidental às Ilhas Canárias, na Espanha, completou 30 anos. Três décadas marcadas por histórias de esperança, desespero e, sobretudo, de morte. A travessia pelo Oceano Atlântico se consolidou como uma das mais mortais do mundo, com milhares de pessoas desaparecidas ou encontradas sem vida em alto-mar.

Captura de tela 2025-05-24 194154

Captura de tela 2025-05-24 194154

Desde os primeiros relatos, no início da década de 90, homens, mulheres e crianças embarcam em pequenas embarcações de madeira — conhecidas como cayucos ou pateras —, tentando chegar ao arquipélago espanhol, visto como uma porta de entrada para a Europa. A maioria parte de países como Senegal, Gâmbia, Guiné, Marrocos e Saara Ocidental, fugindo da pobreza, de conflitos armados e da instabilidade política que marcam a região.

De acordo com dados de organizações humanitárias e da Organização Internacional para as Migrações (OIM), estima-se que mais de 30 mil migrantes tenham perdido a vida ou desaparecido nessa rota ao longo desses 30 anos. Só em 2023, mais de 6 mil pessoas morreram ou desapareceram tentando realizar a travessia — o número mais alto já registrado na história da rota atlântica.

Captura de tela 2025-05-24 194013

Captura de tela 2025-05-24 194013

Especialistas afirmam que o aumento no fluxo migratório recente está diretamente ligado ao agravamento da crise econômica e social em diversos países africanos e ao endurecimento das políticas de controle de fronteiras no Mediterrâneo Central e Oriental, que levaram migrantes a buscarem caminhos ainda mais perigosos.

As Ilhas Canárias voltaram a ser, nos últimos anos, um dos principais pontos de entrada para migrantes africanos, mas também uma das rotas mais letais do planeta. É um drama silencioso que segue se repetindo sem uma resposta efetiva da comunidade internacional, afirmam representantes da ONG Caminando Fronteras, que monitora a travessia.

Apesar das constantes tragédias, pouco mudou em relação à segurança e ao acolhimento dessas pessoas. A rota permanece como uma opção desesperada para quem não enxerga alternativas em terra firme. O aniversário de 30 anos dessa travessia deveria ser, segundo especialistas e ativistas, um alerta para a necessidade urgente de políticas migratórias mais humanas e de investimentos concretos em soluções nos países de origem.

Enquanto isso, o Atlântico continua engolindo vidas anônimas, e as praias das Ilhas Canárias seguem recebendo embarcações à deriva, muitas vezes vazias ou cheias de corpos sem identificação.

O Diabo Negro

Em janeiro de 2025, um evento raro e surpreendente ocorreu nas águas de Tenerife, nas Ilhas Canárias, quando um peixe-diabo negro foi avistado próximo à superfície do mar em plena luz do dia.

Este peixe abissal, conhecido por sua aparência assustadora e bioluminescência, habita normalmente profundidades entre 200 e 2.000 metros, onde a luz solar não penetra.

Captura de tela 2025-05-24 193637

Captura de tela 2025-05-24 193637

O peixe encontrado estava em estado debilitado e morreu poucas horas após o avistamento. Após a captura, o peixe foi transferido para o Museu de Natureza e Arqueologia (MUNA) em Santa Cruz de Tenerife, onde estava em exibição, quando da nossa visita.

Captura de tela 2025-05-24 193625

Captura de tela 2025-05-24 193625

Captura de tela 2025-05-24 193615

Captura de tela 2025-05-24 193615

O danado é tão pequeno, que quase passou desapercebido por nós. Graças aos nossos amigos de Recife, que tinham ouvido falar da história do peixe diabo negro encontrado em Tenerife e que localizaram o peixe no museu, pudemos admirar esta raridade.

Esse avistamento raro destaca a complexidade e os mistérios dos ecossistemas marinhos profundos, além de ressaltar a importância de estudos contínuos para compreender as influências de fatores como mudanças climáticas nos hábitos de diversas espécies marinhas.

Espécies gigantes em Tenerife

Além das múmias e do peixe Diabo Negro, no museu também foi possível observar espécies únicas e, em muitos casos, de tamanho muito maior do que seus parentes continentais, cujo fenômeno é conhecido como gigantismo insular. E por que havia espécies gigantes em Tenerife?

352227b0-38f1-11f0-b2ec-0d94b181ce4a.png

Uma das teorias é que como Tenerife é uma ilha isolada, muitos predadores terrestres simplesmente não existiam. Isso permitiu que algumas espécies, como ratos e lagartos, crescessem em tamanho, pois não havia pressão seletiva para se manterem pequenas e ágeis para fugir de predadores.
Captura de tela 2025-05-24 193832

Captura de tela 2025-05-24 193832

Exemplos de espécies gigantes em Tenerife: rato gigante de Tenerife: que chegava a medir mais de 1 kg e o lagarto gigante de Tenerife

Assim, podemos dizer que Tenerife era um verdadeiro laboratório natural de evolução insular, onde o gigantismo era uma resposta ecológica a um ambiente estável, isolado e livre de grandes predadores.

Linha do Tempo da Formação de Tenerife

No Museu foi possível explorar ainda uma fascinante linha do tempo que revela a origem da ilha de Tenerife. Essa exposição mostra que a ilha emergiu do oceano há aproximadamente 10 a 15 milhões de anos, resultado de intensa atividade vulcânica submarina. Ao caminhar por essa linha do tempo, é possível compreender como os eventos naturais moldaram a geografia da ilha.

Captura de tela 2025-05-24 193911

Captura de tela 2025-05-24 193911

Falando em linhas do tempo, aproveito para compartilhar que sou autora de um livro que também utiliza esse recurso como fio condutor narrativo. O Volume I da obra é dedicado ao Período Paleolítico, e não se limita apenas a narrar os eventos históricos — ele também oferece dicas de viagem para quem deseja visitar sítios arqueológicos e museus que ajudam a aprofundar a experiência dessa época. A proposta é unir conhecimento histórico com o prazer de explorar o mundo onde esses acontecimentos deixaram marcas.

Captura de tela 2025-05-24 193705

Captura de tela 2025-05-24 193705

Segue o link para quem tiver curiosidade de conhecer o livro:

https://clubedeautores.com.br/livro/a-historia-pelas-lentes-de-uma-viajante
https://clubedeautores.com.br/livro/a-historia-pelas-lentes-de-uma-viajante

A origem das Ilhas Canárias está profundamente ligada à sua natureza vulcânica. Esse arquipélago é o resultado de uma zona quente no museu foi possível obter informações sobre a formação de vulcões e das ilhas vulcânicas.

Bem pessoal, nossa visita a Tenerife está terminando por aqui. Hora de embarcarmos no nosso cruzeiro.

Publicado por patipelomundo 22:43 Arquivado em Espanha

Índice

Seja o primeiro a incluir um comentário sobre este texto.

Comments on this blog entry are now closed to non-Travellerspoint members. You can still leave a comment if you are a member of Travellerspoint.

Login