História de Bangladesh
Marcada pela luta pela Independência
01.11.2024
A história de Bangladesh é rica e complexa, marcada por várias civilizações, conquistas estrangeiras e lutas por independência. A seguir, está uma divisão dos principais períodos históricos que moldaram o país:
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1. Primeiros Assentamentos e Civilizações Antigas (até 1200 d.C.)
Os primeiros assentamentos na região que hoje é Bangladesh remontam a milhares de anos. Arqueólogos encontraram evidências de comunidades organizadas em áreas como Mahasthangarh (cerca de 700 a.C.), sugerindo a presença de civilizações antigas. A região fazia parte da grande e próspera planície do delta do Ganges, onde o cultivo e o comércio floresceram. A história do Bangladesh mostra que a presença do Homem neste país remonta ao ano 700 a.C.
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Nos séculos seguintes, a área fez parte de várias dinastias poderosas, como a dinastia Maurya (322-185 a.C.), que introduziu o budismo, e a dinastia Gupta (cerca de 320-550 d.C.), que trouxe um período de florescimento cultural e econômico.
2. Período Budista e Hindu (600 - 1200 d.C.)
Entre os séculos VII e XII, a área de Bangladesh foi um importante centro de aprendizado budista e hindu. Durante o domínio da dinastia Pala (750-1174 d.C.), o budismo prosperou, e monastérios como o famoso Vikramashila e Nalanda se tornaram centros de aprendizado internacional. A dinastia Sena, de origem hindu, assumiu o controle no final do século XII, impondo o hinduísmo como a religião dominante antes da chegada dos muçulmanos.
3. Domínio Islâmico e Sultanato de Bengala (1204 - 1576)
O Islã começou a se espalhar na região durante o século XIII com a chegada dos governantes muçulmanos. Em 1204, a região foi conquistada pelos turcos muçulmanos, que estabeleceram o Sultanato de Bengala no século XIV. Sob o sultanato, a região experimentou crescimento econômico e cultural, e o Islã se espalhou pela população, especialmente entre os camponeses.
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Bengala tornou-se um dos centros mais ricos e influentes do mundo islâmico, conhecido por sua produção de tecidos finos, como a famosa muselina de Dhaka. Aderiu ao Islão na Idade Média, tornando-se um dos territórios mais ricos.
4. Período Mogol (1576 - 1757)
O estilo arquitetônico mogol, caracterizado por grandes cúpulas e ornamentos elaborados, pode ser visto em monumentos como o Forte Lalbagh em Dhaka, cuja construção foi iniciada em 1678 pelo príncipe mogol Muhammad Azam.
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O período mogol foi uma era de grande importância na história do subcontinente indiano, que se estendeu de 1526 a 1857.
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O Império Mogol foi fundado por Babur, descendente de Genghis Khan e Tamerlão, após vencer o sultão de Délhi na Batalha de Panipat em 1526.
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Ao longo de seus quase três séculos de existência, o império trouxe transformações significativas para a região, tanto em termos de governo quanto de cultura.
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Após a fundação do império, Babur estabeleceu um governo sólido, mas foi sob seu neto, Akbar, o Grande (1556-1605), que o Império Mogol realmente se consolidou e se expandiu. A região que hoje corresponde a Bangladesh começou a ser incorporada ao império principalmente sob o reinado de Akbar, o Grande.
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Akbar era um governante visionário e implementou um governo centralizado, com um sistema administrativo eficiente e uma política de tolerância religiosa, permitindo a coexistência de hindus e muçulmanos. Ele também incentivou as artes, a arquitetura e a cultura, criando um período de florescimento intelectual e artístico.
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Durante o reinado de Akbar, o império se expandiu consideravelmente, incluindo a maior parte do norte e centro da Índia, bem como partes de Bangladesh, Paquistão e Afeganistão atuais. Seus sucessores, como Jahangir, Shah Jahan (famoso pela construção do Taj Mahal) e Aurangzeb, continuaram a expandir o território mogol, tornando o império uma das maiores potências do mundo na época.
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Durante o período mogol, a região conhecida como Bengala era uma das províncias mais ricas e prósperas do império. Bengala era famosa por sua produção agrícola, particularmente de arroz e juta, e também por ser um centro de comércio, especialmente com a exportação de têxteis de algodão e seda. A capital da província de Bengala era inicialmente Gaur, mas mais tarde foi transferida para Dhaka, que se tornou um importante centro administrativo e comercial.
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O período mogol é especialmente conhecido por seu legado cultural. Os mogóis promoveram a construção de monumentos arquitetônicos imponentes, mesclando estilos islâmicos, persas, turcos e hindus, que resultaram em obras icônicas como o Forte Vermelho em Délhi, o Taj Mahal em Agra e os grandes jardins mogóis.
Além da arquitetura, a era mogol foi marcada por avanços nas artes, como a pintura em miniatura, a literatura persa e a música.
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A economia mogol era fortemente baseada na agricultura, e o império implementou um sistema de impostos eficiente, conhecido como Zabt, que ajudou a consolidar o poder central. Além disso, o comércio floresceu durante esse período, com a Índia mogol se tornando uma importante rota de mercadorias que iam da Ásia para a Europa.
O império controlava uma vasta rede comercial e era um dos maiores produtores de têxteis e especiarias do mundo.
Apesar de seu apogeu sob Akbar e seus sucessores, o Império Mogol começou a entrar em declínio no final do século XVII. A administração centralizada ficou enfraquecida após o longo e rígido reinado de Aurangzeb (1658-1707), cujas políticas religiosas mais intolerantes causaram descontentamento entre hindus e outros grupos.
A partir daí, o império enfrentou revoltas internas, como a dos maratas, e a invasão de forças externas, como os persas e afegãos. No início do século XVIII, os mogóis já tinham perdido grande parte do controle efetivo sobre o território.
O império passou a existir mais como uma autoridade simbólica do que prática. Em 1857, após a Revolta dos Sipaios contra o domínio britânico, o último imperador mogol, Bahadur Shah II, foi deposto pelos britânicos, marcando o fim oficial do império e o início do Raj Britânico.
Apesar de seu fim, o período mogol deixou uma marca indelével no subcontinente indiano. O legado mogol é visível na cultura, na arquitetura e até nas práticas administrativas da região. Eles contribuíram para a formação da identidade indiana moderna, com suas ideias de governança, justiça e pluralismo religioso, que continuam a ressoar até os dias atuais.
5. Domínio Britânico e o Movimento de Independência (1757 - 1947)
A Batalha de Plassey em 1757 marcou o início do domínio britânico na região, quando a Companhia Britânica das Índias Orientais derrotou o último Nawab de Bengala. Sob o domínio colonial britânico, a região enfrentou exploração econômica, fome e opressão política, mas também viu o surgimento de movimentos educacionais e políticos.
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Durante o século XX, Bengala tornou-se um centro do Movimento de Independência da Índia. A partir de 1905, o Movimento de Partição de Bengala causou uma divisão entre hindus e muçulmanos. A criação da Liga Muçulmana em Dhaka, em 1906, também começou a destacar a necessidade de uma nação separada para os muçulmanos da Índia.
Durante sua história ele foi meio que ligado a Índia, inclusive era parte do India Raj, a imensa colônia que a Inglaterra fez na Índia. Com a independência da Índia, os muçulmanos ficaram com medo de ficar vivendo em um país de maioria hindu, então convencionou-se criar um país independente onde os muçulmanos seriam maioria. Como as maiorias muçulmanas eram nos dois extremos, acabou-se por criar uma Índia imensa no meio e dois países muçulmanos nas pontas.
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6. Partição da Índia e Criação do Paquistão (1947 - 1971)
Com a partição da Índia britânica em 1947, a região de Bengala foi dividida em duas partes. A parte oriental, predominantemente muçulmana, tornou-se o Paquistão Oriental, enquanto a parte ocidental, de maioria hindu, formou o estado indiano de Bengala Ocidental.
A questão é que a única coisa que ligava os bengalis aos paquistaneses era a religião, de resto eles não eram nada parecidos. O Urdu, língua oficial do Paquistão, era a língua oficial do novo país e, obviamente, o povo de Bangladesh não gostou nada disso. O país já iniciou mal das pernas e, como o Paquistão detinha o poder, sugava recursos da parte Leste, onde hoje é Bangladesh, que já era uma região ferrada. Com essa sugada, então, se ferrava mais ainda.
Apesar de fazer parte do Paquistão, o Paquistão Oriental foi amplamente negligenciado pelo governo central, que estava no Paquistão Ocidental (atual Paquistão). Isso resultou em tensões políticas e econômicas crescentes, com o povo bengali exigindo maior autonomia e reconhecimento de sua língua, o bengali, como uma língua oficial.
7. Guerra de Independência e Criação de Bangladesh (1971)
A luta pela independência de Bangladesh começou formalmente em 1971, após anos de tensões entre o Paquistão Ocidental e o Paquistão Oriental. A crise se intensificou quando o líder bengali Sheikh Mujibur Rahman venceu as eleições gerais de 1970, mas foi impedido de assumir o poder pelo governo central do Paquistão.
Não demorou alguns anos e a parte Leste começou a lutar pela independência separando o país em Paquistão e Bangladesh. Como Índia e Paquistão sempre estiveram em pé de guerra, a Índia começou a apoiar a independência de Bangladesh.
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Apesar de depois da independência da Inglaterra o pau não ter quebrado em Bangladesh como quebrou entre Índia e Paquistão, a coisa ficou feia quando Bangladesh quis ficar independente do Paquistão. O Paquistão bombardeou civis com Napalm, destruiu universidades matando estudantes e intelectuais. Lideranças políticas bengalis começaram a ser presas e fuziladas pelos paquistaneses. Teve um general paquistanês que ficou famoso por sair pelas cidades e vilas mandando que os homens tirassem a roupa. Se fossem circuncisados, portanto muçulmanos, eram interrogados, se não fossem, portanto hindus, eram mortos no ato. Mais de 10 milhões de pessoas fugiram para campos de refugiados na Índia durante a guerra de independência.
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A situação culminou na Guerra de Libertação de Bangladesh em 1971, quando o exército paquistanês lançou uma violenta repressão contra os bengalis. Após nove meses de guerra e com o apoio militar da Índia, Bangladesh finalmente se tornou uma nação independente em 16 de dezembro de 1971.
8. Bangladesh Pós-Independência (1971 - Presente)
Hoje em dia o Bangladesh tem um sistema politico democrático com eleições multipartidárias que decorrem de 4 em 4 anos. No final, depois da independência ficou um país destruído, pobre e miserável. Pelo menos sem um outro país para parasitar as suas reservas.
Os primeiros anos após a independência foram desafiadores, com Bangladesh enfrentando pobreza extrema, instabilidade política e golpes militares. Sheikh Mujibur Rahman, o "Pai da Nação", foi assassinado em 1975, o que levou a uma série de governos militares.
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A democracia foi restaurada no início dos anos 1990, e desde então Bangladesh tem passado por um crescimento econômico significativo, especialmente no setor têxtil e agrícola. O país também tem enfrentado desafios como mudanças climáticas, desastres naturais e questões de direitos humanos, mas continua a avançar como uma nação soberana.
16 Parte moderna de Daca
Publicado por patipelomundo 23:08 Arquivado em Bangladesh

