Tratamento Dentário e Produção de Cerâmicas em Grande Escala
De 6.000 a.C a 5.000 a.C
14.07.2024
Agora o mundo já borbulhava com vários assentamentos e com a agricultura e a domesticação de animais fazendo parte do dia a dia de muitos desses assentamentos e é nesse período que florescem a produção de potes de cerâmica em grande escala na Região do Crescente férti.

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Vimos que a região do crescente fértil, mais precisamente na Anatólia, Turquia, já tínhamos assentamentos com templos, cultos e arquiteturas de edifícios bem complexas. Tudo indica também que foi a partir dos povos dessa região da Anatólia que a ilha de Creta, que fica na Europa, sul da Grécia, começou a desenvolver a agricultura, já que os primeiros habitantes de Creta remontam a pelo menos 128.000 a.C., durante o Paleolítico. No entanto, os primeiros sinais de práticas agrícolas não surgiram antes de 5.000 a.C.
Enquanto isso no atual Paquistão, na província do Baluchistão, a cultura de Mergar (Mehrgarh) alcançava seu ápice em 6.000 a.C. O sítio arqueológico da cultura de Mergar é um dos mais importantes sítios neolíticos do mundo. Na verdade por volta de 7.000 a.C o assentamento humano de Mergar já era um dos primeiros locais com evidências de agricultura e pastoreio, sendo descrito como o assentamento agrário mais antigo dessa região da Ásia. Os primeiros residentes de Mergar viviam em casas de tijolos de barro, armazenavam seus grãos em celeiros e utilizavam ferramentas modernas feitas de cobre. Pastoreavam ovinos, caprinos e bovinos.
Nessa região do Paquistão foram descobertos esqueletos adultos cujos dentes mostram sinais de terem sido perfurados para fins terapêuticos. As ossadas seriam de um período entre 7.000 a.C a 5.500 a.C e são o mais antigo indício da existência de um possível tratamento dentário.
Ao todo, os cientistas identificaram 11 molares perfurados e os buracos tinham 1,3 a 3,2 milímetros de diâmetro e uma profundidade que podia chegar aos 3,5 milímetros. Um dos indivíduos tinha três dentes perfurados e outro tinha duas perfurações no mesmo dente.
Uma análise microscópica revelou que os dentes continuaram a ser usados na mastigação depois de a operação ter sido levada a cabo. Os pesquisadores baseiam-se na existência de vestígios de cáries em alguns dentes para afirmar que, pelo menos em parte dos casos, a perfuração era uma questão de saúde dentária. O fato de os dentes não serem facilmente visíveis coloca a parte a hipótese de as perfurações serem feitas por razões estéticas.
Os cientistas descobriram que, ao acrescentar uma ponta de sílex (uma rocha dura) ao pau que, juntamente com um pequeno arco, era usado para fazer fogo, seria possível efetuar perfurações num dente humano em menos de um minuto.
Vimos que na região do Crescente Fértil a agricultura estava aparentemente em estágio mais avançado que em outros lugares e foi a partir dessa época que proliferou a fabricação de potes de cerâmicas para a armazenagem do excedente de produção agrícola e que se tornaram verdadeiras obras de arte desse período. Dentro desse contexto que as culturas Hassuna, Samarra e Halaf florescem na região.
Mapa dos sitios arqueológicos
A civilização Hassuna floresceu no Crescente Fértil entre 6.000 a.C. e 5.300 a.C. e as descobertas relativas a cultura Hassuna devem-se ao sítio arqueológico de Tell Hassuna, que lhe deu o nome. Localizada principalmente no norte da Mesopotâmia, entre a atual Síria e Iraque, a cultura Hassuna se destacou pela sua agricultura avançada e suas comunidades sedentárias.
Região da cultura Hassuna
Os Hassunaenses foram pioneiros na domesticação de plantas como cevada e trigo, aproveitando as condições favoráveis do solo fértil entre os rios Tigre e Eufrates. Eles construíram vilarejos com casas de tijolos de barro e participaram de atividades comerciais, trocando produtos agrícolas e artesanais com comunidades vizinhas.
A cerâmica foi uma das suas contribuições mais notáveis com vasos decorativos e objetos utilitários elaborados. Eles fizeram cerâmica no denominado “estilo Hassuna”: barro liso com tinta avermelhada em desenhos lineares que se destaca pela avançada técnica utilizada.
cerâmica Hassuna
Hassuna cerâmica
Ceramica Hassuna de 6500 -6000 aC
As moradias de Tell Hassuna eram construídas em torno de locais abertos e os núcleos apresentavam muita cerâmica pintada e utilizavam também machados, foices, pedras de moagem, caixas, fornos de cozimento e numerosos ossos de animais domesticados, demonstrando que possuíam diversas atividades agrícolas. Verificou-se uma relação da cerâmica de Hassuna à de Jericó, sugerindo que a cultura estava se tornando generalizada.
A Cultura Samarra é uma civilização que viveu entre 6200 e 5700 anos a.C. na região norte da Mesopotâmia, mas um pouco mais ao sul onde estava a cultura Hassuna. Foram encontradas evidências de irrigação de culturas, mostrando o desenvolvimento de uma cultura próspera, com uma estrutura social organizada e altamente povoada. Essa cultura é conhecida principalmente por apresentar uma cerâmica finamente confeccionada e decorada com fundos escuros e com figuras estilizadas de animais, aves e desenhos geométricos. Este tipo de cerâmica foi amplamente exportado na antiguidade, sendo uma das primeiras a se generalizarem na região.
Samarra Cerâmica
Cerâmica Samarra
A Cultura Halaf foi uma civilização que viveu entre 6000 e 5400 anos a.C. no norte da Síria, sudeste da Turquia e norte do Iraque. Entretanto, materiais ligados e sob influência dessa cultura são encontrados em toda a Grande Mesopotâmia, porém o local mais importante de descobertas da Cultura Halaf foi o sítio de Tell Arpachiyah, agora localizado nos subúrbios de Mosul, no Iraque. Cerâmicas pintadas com motivos decorativos, tanto figurativos como geométricos, que possivelmente tinham conteúdo religioso: seres humanos, répteis, escorpiões, panteras, pássaros, pintados de preto e vermelho. Foi um dos mais importantes centro de cerâmica policromada de qualidade, com um gosto mais acentuado pelos motivos florais e geométricos.
cerâmica da Cultura Halaf
A Cultura Ubaid teria começado a florescer por volta de 5.400 a.C, ou seja, um pouco posterior a cultura Hassuna, Samara e Halaf e mais ao sul da mesopotâmia, mas falaremos mais dessa cultura no próximo capítulo, pois ela é conhecida por estabelecer as bases para as futuras civilizações na região, incluindo Eridu e Uruk. A cultura Ubaid, portanto, serve como um precursor essencial para entender as origens da civilização na Mesopotâmia e sua influência duradoura na história antiga.
Por volta de 5600 a.C. ocorreu o início de desertificação no Norte da África, que, em última instância, leva à formação do deserto do Saara. É possível que esse processo tenha feito com que os nativos migrassem para a região do Nilo ao leste, lançando assim as bases para o surgimento da civilização do Antigo Egito.
A domesticação de ovelhas e cabras ficou mais evidente no Egito nessa época, provavelmente devido à troca de mercadorias entre Asia e Africa naquele tempo. Na Africa aparentemente a região do Egito foi a primeira a entrar no Neolítico. Outras regiões da Africa demoraram um pouco mais para entrar no neolítico, como Argélia e Marrocos, que a agricultura só veio a surgir depois com a introdução da agricultura pelos europeus que viviam na Península Ibérica. Marrocos foi a primeira das regiões, excetuando o Egito, que desenvolveu cerâmicas.
Toda vez que vou aos museus sempre gosto de apreciar as cerâmicas, pois elas não apenas serviram como um meio prático para armazenamento e utensílios, mas também como uma forma de expressão cultural e tecnológica, refletindo a evolução das técnicas de fabricação e dos estilos artísticos ao longo do tempo. Inicialmente, as primeiras formas de cerâmica eram simples e utilitárias, utilizadas para armazenar alimentos e água. Portanto, as cerâmicas não são apenas artefatos do passado, mas elos vitais que conectam as gerações humanas através do tempo.
Fabricação de cerâmica no Irã
Publicado por patipelomundo 14:20 Arquivado em Iraque

