Representações da Arte Pré-histórica do Neolítico Pré-cerâmi
De 8.000 a 6.0000 a.C – 2 Parte
29.06.2024
Já vimos que nesse período de 8.000 a 6.000 a.C vários assentamentos começaram a borbulhar, principalmente na região do Crescente Fértil. Em locais como Jericó na Palestina, foi observada a transição das tradicionais casas circulares para estruturas retangulares mais complexas, indicando um avanço na arquitetura e planejamento urbano.
Na região da Anatólia, Turquia, foram descobertos assentamentos com ruas construídas sobre telhados, em casas que não tinham portas ou janelas, evidenciando a engenhosidade das primeiras comunidades urbanas. Além disso, aparentemente os rituais religiosos sempre fizeram parte desses primeiros assentamentos humanos, seja cultuando crânios de pessoas que faleceram ou cultuando deusas/mulheres com úteros avantajados, refletindo a importância atribuída à fertilidade, à reprodução e também à agricultura.
Esse período também testemunhou assentamentos onde aparentemente não havia diferencial social, pois as habitações eram todas semelhantes e todos contribuíam para o bem-estar da comunidade na produção de alimentos.
Na Jordânia, no sítio de Ain Ghazal (Ain Gazal), também podemos dizer que floresceram manifestações artísticas em um assentamento humano de 7.200 a.C, que iam além de murais pintados com figuras de animais e estátuas de mulheres “deusas”. Nesse sítio arqueológico foram encontradas as denominadas atualmente de “as Estátuas de Ain Ghazal”, que são uma série de estátuas monumentais de gesso.
Datadas desse período, as estátuas estão entre as primeiras representações em grande escala da forma humana e são consideradas um das representações da arte pré-histórica do Neolítico Pré-cerâmica. As estátuas representam homens, mulheres e crianças; as mulheres são reconhecidas por características que lembram seios e barrigas ligeiramente aumentadas, mas nem as características sexuais masculinas nem femininas são enfatizadas, e nenhuma das estátuas tem genitais, a única parte da estátua modelada com algum detalhe são os rostos.
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As estátuas são comparativamente altas, mas não do tamanho humano. As estátuas maiores têm uma altura de cerca de 1 metro e é possível que nunca tenham sido exibidas por um longo período de tempo, mas sim produzidas para fins de sepultamento intencional. Um total de 15 estátuas e 15 bustos foram encontrados em dois esconderijos, separados por quase 200 anos.
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Em torno de 7.000 a.C em Jiahu, cerca de 500 quilômetros de Pequim, a capital da China, foi estabelecido um assentamento neolítico perto do rio Amarelo. Localizava-se entre as planícies de inundação do rio Ni ao norte, e o rio Sha ao sul. É considerada a civilização mais antiga da China. Entre os registros descobertos estão artefatos de cerâmica, ferramentas, exemplos de escrita chinesa antiga e até indícios de que foram os primeiros produtores de vinho no mundo.
Outra peça detectada foi uma famosa flauta de ossos – um dos antepassados dos instrumentos musicais – feita de ossos de aves e usada provavelmente em festividades.
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Mí, ré, dó, si, lá são as primeiras notas que se ouvem da Pré-História. Elas foram emitidas pelos orifícios de uma flauta descoberta junto com cinco outras. São os mais antigos instrumentos já achados em condições de produzir música, fabricados por um povo que estava dando os primeiros passos em direção à civilização. Essa gente deixou mais de 300 túmulos, 45 ruínas de casas, nove fornos de cozinhar cerâmica e milhares de artefatos de pedra e de osso.
Várias centenas de grãos de arroz carbonizados e artefatos, incluindo ferramentas de pedra neolíticas usadas no cultivo de arroz, datadas de 8.000 anos atrás, também foram descobertos no sítio Jiahu, o que é uma descoberta importante na arqueologia agrícola chinesa.
Ferramentas do neolítico também foram encontrados no vale de Catmandu, no Nepal, indicando a presença humana na região do Himalaia em pelo menos 7.000 anos a.C. Parece que as pessoas da etnia Kirat foram as primeiras pessoas a habitar o Nepal e governaram por cerca de 2.500 anos. Algumas fontes lendárias do Vale de Katmandu descrevem os Kirat como os primeiros governantes de lá, substituindo as tribos de pastores de vacas. O povo Kirati acreditava fortemente em espíritos ancestrais, que os guiavam e protegiam. Eles tinham uma tradição de xamanismo, que é a prática de comunicação com espíritos por meio de rituais e orações.
Lugares para conhecer
Sítio arqueológico de Ain Ghazal: descoberto em 1974 por incorporadores que estavam construindo uma rodovia ligando Amã à cidade de Zarga. A escavação começou em 1982. O local foi habitado durante 7250 – 5000 a.C. Em sua era principal, durante a primeira metade do 7º milênio a.C., o assentamento se estendeu por 10-15 hectares e era habitada por aproximadamente 3000 pessoas.
Estátuas de Ain Ghazal: são uma série de estátuas monumentais de gesso. Todos fazem parte da coleção do Museu da Jordânia em Amã, mas alguns foram emprestadas ou enviadas para conservação. Uma estátua está no Museu do Louvre em Paris. Uma das figuras, com duas cabeças, está em exposição no Louvre em Abu Dhabi. Duas estátuas estavam sendo conservadas no Museu Britânico em Londres. As estátuas foram descobertas em 1983. Tive a oportunidade de ficar cara a cara com algumas dessas estátuas no Museu Arqueológico de Amã, na Jordânia, que está situado dentro da citadela de Amã e abriga artefatos de todos os sítios arqueológicos do país. Para visitar a Citadel de Amã pagamos 3 dinares e já estava incluída a visita ao museu arqueológico.
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Publicado por patipelomundo 22:20 Arquivado em Jordânia

