Os Primeiros Hominídeos
A História pelas lentes de uma Viajante De 60 milhões de anos a 2 milhões de anos atrás
01.06.2024
Após o fim da Era dos Dinossauros que citamos no post anterior, que ocorreu por volta de 60 milhões de anos atrás, a Terra estava no período chamado de Paleoceno, onde animais como mamíferos primitivos, incluindo os primeiros ancestrais de cavalos e baleias, aves e répteis prosperaram.
À medida que o tempo avançava, houve mudanças climáticas significativas e a partir de 7 milhões de anos atrás, ocorreu o desenvolvimento de paisagens mais semelhantes às que conhecemos hoje.
Foi nessa época, ou seja, quase 50 milhões de anos depois da extinção dos dinossauros, que teria ocorrido o surgimento de espécies adaptadas a esse novo ambiente, como os primeiros hominídeos.
O termo "hominídeo" refere-se especificamente as espécies que compartilham características distintivas, como a capacidade de andar erectus (bipedalismo). Muitos antropólogos veem o bipedismo — que significa andar sobre duas pernas — como uma das características que definem os "hominídeos".
Em 2001, os restos de um hominídeo de 7 milhões de anos - considerado o mais antigo representante da humanidade até então, foram desenterrados por uma missão de paleontólogos no norte do deserto do Chade na África. Essa espécie de hominídeo teria uma pequena caixa craniana, mas com características dentárias de hominídeos modernos.
Até recentemente, o hominídeo mais antigo conhecido era o Australopithecus afarensis, cujos fósseis foram achados na Etiópia, Tanzânia, e Quênia, sendo a maioria, datado entre 2.9 e 3.9 milhões de anos.
Não conhecemos muito sobre o comportamento social do Australopithecus afarensis. É assumido que esta espécie viveu em pequenos grupos sociais. O clima da África era seco durante o período de existência do afarensis, sendo que os ambientes florestais foram substituídos pela savana.
1 Foto
Os dentes do Australopithecus afarensis são pequenos e não-especializados, indicando uma dieta basicamente de alimentos suaves, como frutas. Os caninos, altamente desenvolvidos nas espécies de macacos atuais, são pequenos e pouco desenvolvidos no Australopithecus afarensis, muito parecido com o dos seres humanos.
Apesar de possuir postura bípede como um humano moderno, eles tiveram braços longos. A relação do osso de braço superior (úmero) para osso de perna superior (fêmur) no Australopithecus afarensis está virtualmente igual ao de um Chimpanzé (95%) do que um humano moderno (70%.). Além disso, o dimorfismo sexual em termos de tamanho de corpo é bastante pronunciado nesta espécie, com os machos aproximadamente duas vezes maiores que as fêmeas e consideravelmente mais alto.
O mais espetacular destes achados foi 40% de um esqueleto denominado "Lucy", datado de 3,2 milhões de anos atrás, encontrado na região da Etiópia. Além disso, foram achados restos de 13 indivíduos em um único local e tal achado foi denominado " A Primeira Família".
E você sabia que podemos ficar cara a cara com a Lucy na Etiópia? E este é um dos meus sonhos: conhecer a mais famosa dos nossos antepassados da humanidade, que já andava ereta, mas ainda tinham os braços longos e as pernas curtas, como os macacos!!
O nome "Lucy" foi dado em homenagem a uma música dos Beatles (Lucy In The Sky With Diamonds) popular na época de sua descoberta, 1974. Lucy tinha uma pelve parcial, mas bem preservada, que foi como os antropólogos conseguiram saber que se tratava de um esqueleto do sexo feminino.
2 Fóssil de Lucy
A pélvis e os ossos da coxa se encaixavam de uma maneira que mostrava que ela caminhava ereta sobre as duas pernas. Além disso, os extensores do joelho (aqueles músculos que produzem e mantêm um joelho reto quando a gente fica de pé) eram comparáveis aos humanos. Nenhum osso dos pés foi preservado, mas descobertas posteriores de outros Australopithecus afarensis incluem pés e indicam também o andar bípede.
Lucy era mais baixa que o humano médio, atingindo cerca de1 metro de altura e um cérebro com cerca de um terço do tamanho de um cérebro humano. Estudos recentes, tentando reproduzir os músculos de Lucy, demonstraram que ela tinha maior massa muscular do que um ser humano.
Essas descobertas conduziram a um intenso enfoque na África como o local provável da Origem da espécie humana e visitar esse Continente e principalmente a Etiópia é voltar as nossas origens mais remotas e refletir sobre “de onde viemos e para onde queremos ir”.
O gênero Homo, do qual fazemos parte, só iria aparecer muito mais tarde, há cerca de 2 milhões de anos, mas isso fica para um próximo post.
Lugares para visitar:
Museu Nacional da Etiópia, na capital, Adis Abeba. Fundado em 1944, o museu está dividido em quatro seções: paleontologia e pré-história, história, etnografia e arte moderna. A Lucy está nesse museu
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Publicado por patipelomundo 12:37

