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Uma Civilização Recriada no Irã

Os Safávidas - 1501-1736

Enquanto o mundo Ocidenta estava as voltas com as Grandes Navegações e o Brasil com o seu descobrimento, nas terras persas estava surgindo uma nova dinastia: a dos Safavidas, que governou a região entre 1501 a 1736.

Safávidas (1)

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No link a seguir um viceo do meu canal do Youtube sobre os Safávidas

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A dinastia safávida era de origem turca com base provavelmente no atual Azerbaijão. Ficaram conhecidos por serem a primeira dinastia a criar um estado iraniano unificado desde o Impérido Sassânida, pois vimos que com a chegada dos árabes e de seus califados as terras iranianas tinham sido fragmentadas em diversas dinastias.

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Os reis safávidas diziam-se de família descendente do profeta Maomé, apesar de muitos estudiosos terem dúvidas sobre esta alegação. A verdade é que os safávidas estabeleceram a escola xiita como a religião oficial de seu império, marcando um dos pontos de virada mais importantes na história islâmica.

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Eles também são comparados aos Sassânidas ao adotarem uma religião oficial, já que os Sassânidas fizeram do zoroastrismo sua religião oficial.

Apesar dos safávidas não serem os primeiros governantes xiitas do Irã, eles desempenharam um papel crucial no sentido de tornar o xiismo a religião oficial em todo o Irã.

Xá ABAS I

O maior dos monarcas safávidas foi o xá Abas I, que chegou ao poder em 1587 com 16 anos de idade após a abdicação de seu pai.

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Ele reconheceu a ineficiência de seu exército, que era constantemente derrotado pelos otomanos e logo resolveu promover a paz com os otomanos. Contratou ingleses para reorganizar os soldados do xá em um exército permanente, oficial, pago e bem treinado, semelhante ao modelo europeu(que os otomanos já haviam aprovado). Ele entusiasticamente aprovou o uso da pólvora.

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E claro que eles cruzaram com os portugueses, que estavam explorando o mundo com suas expansões marítimas. O xá Abas I usou a sua nova força para expulsar os portugueses do Barém em 1602.

Durante o longo reinado do xá Abas I, o império compreendia o Irã, Iraque, Armênia, Azerbaijão, Geórgia e partes do Turcomenistão, Uzbequistão, Afeganistão e Paquistão.

A Economia

O que alimentou o crescimento da economia safávida foi a posição geográfica do Irã. A Rota da Seda, que cruzava o norte do Irã e seguia até a Índia, foi reativada. Abas I apoiou também o comércio direto com a Europa, particularmente com a Inglaterra e os Países Baixos, que se interessavam por produtos orientais como o tapete persa e a seda.

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O xá Abas I reconheceu os benefícios comerciais de promover os produtos artesanais e que acabaram representando grande parte do comércio externo do Irã. Neste período, desenvolveu-se a produção de artesanatos, tais como ladrilhos, cerâmicas e tecidos e grandes avanços foram feitos em iluminuras e caligrafias. A tecelagem de tapetes artesanais evoluiu para uma indústria especializada, sendo Tabriz o centro desta indústria.

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19 Tapetes Safavidas

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Xá Abbas se interessou pela porcelana azul e branca e começou a colecionar exemplares requintados. Ele doou vários desses vasos ao santuário de seu ancestral. A maioria dos vasos exibidos no museu Nacional do Irã traz o selo de doação do xá Abbas.

10 Ceramica Xá Abbas

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9 Ceramica Azul

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Durante os períodos Ilkhanid e Timurid, a arte do trabalho em vidro foi esquecida na maioria das cidades do Irã. Quando Xá Abas foi presenteado com trabalhos em vidros de Veneza, convidou os mestres vidreiros ao Irã para recriar esta arte.

Também são apresentados no Museu Nacional do Irã uma série de belos azulejos, que eram diferentes dos antigos tipos timúridas. O “Haft Rang Tile” ou azulejo de sete cores foi característico neste período. Geralmente, várias cores diferentes foram utilizadas para pintar esse tipo de ladrilho

8 Armas Abbas

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A Capital dos Safávidas: Isfahan

O centro de arte e arquitetura foi transferido de Herat para Tabriz e depois para Qazvin e finalmente para Isfahan com a ascensão dos safávidas no século XVI.

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Durante nossa visita a cidade de Isfahan nos deparamos com construções do periodo Safávida. Com a gestão do xá Abas I (1587-1629), a cidade foi remodelada e em seu centro foi criada a Praça de Naqsh e Jahan, chamada "a Imagem do Mundo" pela sua beleza e dimensões. Abas I também converteu a cidade num grande centro religioso xiita.

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Em 1598 o Xá Abas designou Isfahan, uma cidade localizada no centro do Irã e com um rio vigoroso, como a nova capital imperial, por questões políticas e econômicas. Assim, Isfahan possui as mais importantes amostras da arquitetura safávida.

7 safavidas

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Isfahan já era uma cidade conhecida, e já tinha uma vez sido a capital seljúcida. Contudo, Abas transformou a cidade, destinando grande quantia em dinheiro para a construção de um centro urbano cuidadosamente planejado, formado por extensas e largas vias e embelezado com mesquitas ricamente decoradas, palácio real, luxuosas residências particulares, e um grande bazar.

O esplendor material da corte de Isfahan atraiu artistas e acadêmicos, cujas presenças contribuíram para o enriquecimento da vida intelectual e cultural da cidade.
13 Palácio do Xá Abbas

13 Palácio do Xá Abbas

Isfahan tornou-se o catalisador de uma explosão de cultura persa que se espalhou para outras cidades safávidas. Isfahan também foi um florescente centro comercial cujos comerciantes prosperaram devido ao governo estável e centralizado criado por Abas. O tamanho da cidade e as impressionantes realizações dos seus residentes levaram seus habitantes a criarem seu famoso lema, "Isfahan é a metade do mundo".

A Pintura
Novos temas na pintura persa foram introduzidos: mulheres semi-nuas, jovens, amantes. O contato maior com culturas distantes, especialmente com a Europa, proporcionou um impulso de inspiração para os artistas iranianos, que adotaram a pintura a óleo.

12 Palacio Chehel Pinturas Safavidas

12 Palacio Chehel Pinturas Safavidas

O início da pintura a óleo foi contemporâneo ao fim das pinturas em miniatura neste período. Estojos requintados para canetas e molduras de espelho foram produzidos. A escola de pintura de Isfahan se desenvolveu, que era uma escola iraniana, e era diferente das escolas timúridas.

15 Pinturas Safavidas

15 Pinturas Safavidas

As pinturas que estão no Chehel Sotun Royal Palace em Isfahan retratam não somente como eram os instrumentos musicais da época, mas também servem como referência das roupas, estilos e tecidos.

A Literatura

Durante este período, além de textos acadêmicos e literários com belas caligrafias, foram produzidos Alcorões muito requintados nos estilos de caligrafia e com decorações douradas.

14 Período Safavida

14 Período Safavida

11 Livro época safavida

11 Livro época safavida

Durante o período safávida, a caligrafia, escrita diretamente em tecidos, desenvolveu-se. No museu Nacional do Irã em Teerã há uma peça de tecido, criado por ordem de um xá safávida. com versos do Alcorão, em que as sentenças são escritas nas letras Kufic, Solth, Ghobar e Naskh e decoradas com lápis-lazúli, vermelhão, ouro e açafrão.

Outro exemplo relacionado com a caligrafia sobre têxteis que está no Museu Nacional do Irã em Teerã é a famosa Camisa conhecida como “Vitória da vestimenta” ou camisa "Nad-e Ali". Essa camisa era usada em casos de doenças e até mesmo em guerras sob armaduras para proteger seus donos dos perigos.

A Religião

Apesar de adotaram o xiismo com religião oficial, foi observada uma relativa tolerância religiosa com os sáfavidas, especialmente com o cristianismo, sendo que em torno de 14 igrejas foram construídas em Isfahan. A Catedral Vank foi construída em 1655 e dizem que o interior é decorado com pinturas sobre o Velho e o Novo Testamento, em uma mistura do estilo iraniano e o renascentista italiano.
Enquanto isso a Europa estava testemunhando conflitos religiosos entre católicos e protestantes. Há registros de viajante dessa época informando que eles encontraram liberdade religiosa no Irã nessa época.
Considerações Finais

Apesar de sua queda em 1736, os safávidas deixaram sua marca e afetaram o desenvolvimento do Estado moderno iraniano.

Primeiramente, eles garantiram a unidade e a continuação de diversas tradições persas.

Sua influência cultural e política dura até os dias atuais com a República Islâmica do Irã, em que o xiismo ainda é a religião oficial.

Os safávidas ainda lançaram as bases da aliança entre as classes religiosas e os comerciantes dos bazares que desempenharam um papel importante na Revolução Constitucional Persa de 1905-1906, e também na Revolução Islâmica de 1979.

Publicado por patipelomundo 18:47 Arquivado em Irão

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