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O Califado Abássida

Dinamismo do Jogo de Poder no Irã

Em 750, os árabes abássidas derrubaram os omíadas. O Califado Abássida foi fundado pelos descendentes do tio mais jovem de Maomé e mudou a sua capital em 762 para Bagdá.

Os Abássidas (1)

Os Abássidas (1)

No link a seguir um video do meu Canal do Youtube sobre esse período

Os abássidas procuraram aliados locais/famílias poderosas para administrarem as terras do seu domínio. Este período foi contemporâneo da formação de diversas dinastias iranianas como Taírida, Safáridas, Samânidas, Buídas e Gaznávidas, entre as quais a arte dos Buídas era considerada superior.

Assim, observa-se que houve uma fragmentação das terras iranianas em várias dinastias, umas ocupando mais ao norte, outras mais a leste, sul etc e também percebe-se um dinamismo grande entre elas, sendo que uma hora uma se sobressaia mais que a outra.

Resumindo, há uma mescla da cultura islâmica com a cultura persa, sendo a literatura persa e a língua farsi adotada nessas dinastias.

Na tabela a seguir, um breve resumo das diversas dinastias no Irã que são contemporâneas ao Califado Abássida. Pode-se dizer que essas dinastias deviam lealdade ao califa abássida em Bagdá, mas gozavam de uma certa independência, ou seja, simbolicamente essas dinastias tinham uma subordinação política, fiscal e militar ao califa abássida, só que algumas ignoravam o califa lá em Bagda.

Planilha 1

Planilha 1

Planilha 2

Planilha 2

Planilha 3

Planilha 3

Dessas dinastias, algumas se desentendem com califas abássidas, sendo uma hora aliadas e outra hora rivais do califa e o mesmo jogo ocorre entre elas, ou seja, uma hora algumas dessas dinastias são aliadas e em outras hora são rivais. É realmente um período de grande fragmentação. O dinamismo político, diplomático, militar e econômico é notório, além de um jogo de rivalidades.

Segundo os historiadores, os Buídas eram os mais ligados aos abássidas, mas todas essas dinastias foram patrocinadores das artes, como se nota nas cerâmicas e arquitetura. O interessante é que a cultura persa é mantida, como a língua, em todas essas dinastias.

O título do califa abássida sobrevive, mas é mais simbólico, pois os abássidas ficaram encolhidos durante esse período no Irã.

Como era a Arte nesse período?

Durante o final do século 8º e início do 9º d.C., os artistas utilizaram as inscrições cúficas (Kufic) do Alcorão como o primeiro elemento decorativo da arte islâmica.

As cópias do Alcorão deste período foram escritas com inscrições cúficas em pergaminho com decorações douradas. Nos primeiros tempos islâmicos, Nishabur, Rey, Gorgan, Susa e Siraf tornaram-se centros comerciais para diferentes ofícios artísticos e utilitários, como cerâmica, vidro e têxtil.

A arte de fazer cerâmica atingiu seu apogeu. Cerâmicas, louças e peças em vidro decoradas com pinturas de esmalte estão entre as realizações dos primeiros oleiros islâmicos. Neste período, o porto do Golfo Pérsico de Siraf era um dos centros mais importantes para o trabalho de vidro, e Nishabur tornou-se um importante centro comercial no nordeste do Irã. Os artefatos de vidro desta cidade foram importados para cidades distantes como Gorgan e Rey.

Floresce os aprendizados muçulmanos e muitas traduções para o árabe. Enquanto a Europa vivia sua Idade Média mais reprimida, nas terras do Irã havia uma efervescência cultural e científica muito grande. A seguir alguns destaques:

Ferdusi ou Ferdowsi ( por volta de 940-1020): poeta considerado o recriador da língua persa. Escreveu a maior epopeia existente nessa língua: a Épica dos Reis ou Shahnameh. Ferdusi versificou e atualizou a história até a derrubada da dinastia Sassânida pelos árabes. Os iranianos consideram Ferdusi como o seu maior poeta. Além de sua importância literária, o Épica dos Reis, por ter sido escrito em sua quase totalidade em persa puro, foi a chave para reviver a língua persa, então influenciada pelo árabe, e assim contribuir para a manutenção da identidade cultural iraniana.

Bal'ami – Balami: era um vizir da dinastia Samânida e escreveu Tārīkhnāmeh que é o mais antigo livro em prosa existente conhecido na língua persa. Uma história que abrange desde um período que começa com o alvorecer da criação até a era islâmica. Está entre os livros mais influentes da literatura histórica islâmica. Balami fez uso de palavras emprestadas do árabe e se baseia mais nos modelos árabes (e islâmicos) do que nos modelos sassânidas.

Rudaki – Rodaki: poeta, cantor e músico persa, que serviu como poeta da corte sob os samânidas. Ele é considerado o primeiro grande poeta a escrever em novo persa. O sucesso de Rudaki deveu-se em grande parte ao apoio de seu patrono principal, o vizir Balami, que citamos anteriormente. Após a queda de Bal'ami, Rudaki viveu seus últimos anos na pobreza, morrendo cego e sozinho em sua cidade natal. No Irã, Rudaki é reconhecido como o "fundador da nova poesia persa" e no Tajiquistão como o "pai da literatura tajique".

Omar Caiam (Khayam): poeta, matemático e astrônomo persa. A obra mais importante de Omar Caiam é precisamente um tratado sobre álgebra em que explica como resolver todas as equações de segundo e terceiro graus.

Ibn Sīnā ou Avicena (980 a 1037): escreveu tratados sobre diversos assuntos, como filosofia e medicina. As suas obras mais famosas são o “Livro da Cura”, uma vasta enciclopédia filosófica e científica, e o “Cânone da Medicina” que era o texto padrão em muitas universidades europeias, entre elas a Universidade de Montpellier.
Assim, todas as dinastias promoveram escritores, poetas e cientistas, demonstrando a tolerância e a pujança da literatura e cultura persa.

Essa época é conhecida como a Era de Ouro do Islã, uma vez que os abássidas foram influenciados pelas mandamentos do Alcorão: como "a tinta de um acadêmico é mais sagrada que o sangue de um mártir", expressando o valor do conhecimento . Durante este período, o mundo islâmico se tornou um centro intelectual para ciência, filosofia, medicina e a educação, pois os abássidas abraçaram a causa do conhecimento.

Onde se pode visitar um pouco desse período no Irã

Museu Nacional em Teehan: várias peças desse período, com destaque para o período dos Seljúcidas. O início da dinastia Seljúcida inaugurou um novo período nas arenas sociais e políticas do Irã. Os seljúcidas se converteram ao Islã e iniciaram um período magnífico na arte e na arquitetura. Os seljugs desenvolveram novos estilos de arte e arquitetura. As indústrias de cerâmica e vidro floresceram. A utilização da pasta de vidro na indústria cerâmica foi uma das técnicas mais importantes, sendo utilizada em inúmeras vasilhas finas com esmaltes leitosos.

A Mesquita Jameh de Atigh é uma mesquita do século IX em Shiraz, que como já falamos é a capital da provîncia de Fars no Irã. Mesquita Atigh Jameh é considerada a mesquita mais antiga de Shiraz e foi construída em comemoração à conquista de Shiraz por um árabe da dinastia safárida. Já foi restaurada muitas vezes e atualmente tem mais características dos safávidas do que dos safáridas.
Os abássidas só tiveram seu fim efetivo com a invasão dos mongóis por volta de 1258.

Publicado por patipelomundo 14:19 Arquivado em Irão

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