Persépolis
Um tesouro do Irã
29.10.2022
Pisar em Persépolis, com construções que remontam ao ano 515 a.C., uma das antigas capitais do Império Persa e que por muito tempo permaneceu na obscuridade, foi a realização de um grande sonho.

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A seguir link com o video da nossa visita a Persépolis no canal do Youtube
No video a seguir, o motivo de eu não ter usado véu em Persépolis
O Império Persa foi muito além do território que hoje conhecemos como Irã. O império se estendeu pelo Irã, Iraque, Síria, Israel, Líbano, Egito, Turquia, Chipre, partes da Ásia Central, Omã…
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O exército de Alexandre, o Grande, conquistou Persépolis e dizem que eles queimaram a cidade, destruindo boa parte das informações que contavam a sua história. Dentre as hipóteses destacadas pelos historiadores, uma delas seria uma possível vingança de Alexandre a Xerxes, já que este foi responsável pelo incêndio da Acrópole, em Atenas.
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No entanto, há controvérsias em relação a essa história que o exército de Alexandre teria incendiado a cidade, pois não era seu costume. O certo é que a destruição de Persépolis deu início ao fim do domínio Persa.
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Foi também incrível pisar em Persépolis e saber que ela realmente existiu. Tudo estava coberto de areia até 1931 e até então eram apenas histórias, lendas de um povo da antiguidade….. Desde 1931, as ruínas do antigo palácio de Persépolis vem revelando um pouco da vida daquela época.
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O que me deixou paralisada ao visitar Persépolis foi constatar que realmente os persas estabeleceram uma sociedade marcada por uma sofisticada e monumental arquitetura. As ruínas estão carregadas de simbologia e de lendas persas, como o leão devorando o touro.
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Dizem que a cidade no seu esplendor era coberta de ouro e metais preciosos, o que eu duvido um pouco, pois realmente vi poucas peças em ouro no Museu Nacional do Irã, mas sem dúvidas que era uma arquitetura esplendorosa e monumental.
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A sua entrada se dá através do portão de todas as nações (Gate of All Nations), construído a mando do imperador persa Xerxes I, filho de Dário. Essa porta foi chamada assim em referência aos múltiplos povos e reinos que formavam o Império Persa.
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O portão de Xerxes é uma das atrações principais: são duas gigantes colunas adornadas com seres alados (com asas), meio homem, meio touro, esculpidos na pedra. As figuras teriam aproximadamente 5,5 metros de altura e inspiração assíria. Estudos apontam que também havia portas de madeiras (cedros vindo do Líbano), talhadas com metais preciosos. Há ainda inscrições cuneiforme na Porta das Nações, talhadas acima das figuras nos três idiomas principais do império: persa antigo, acádio e elamita.
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Em toda Persépolis observamos várias figuras imponentes de seres místicos, fantásticos e híbridos. Já nos primeiros passos dentro da cidade histórica, percebemos o porquê daquele lugar ter sido declarado patrimônio da UNESCO.
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Figuras com corpos de bois ou leões alados e com a cabeça de humano eram consideradas divindades e por isso foram esculpidas nas colunas do portão que dão acesso à cidade como forma de proteção.
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Embora tenhamos contato direto com boa parte das ruínas, algumas já se encontram protegidas por vidros pra evitar uma destruição ainda maior desse patrimônio histórico.
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Os persas eram predominantemente guerreiros e essa característica ganha destaque em suas produções artísticas.
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Nos muros constatamos cenas de povos estrangeiros, trazendo suas oferendas aos imperadores persas. Alto ou baixo relevos nas paredes dos palácios retratam aspectos da grandeza e poder do imperador. É possível observar que todos os personagens são representados de perfil e que as proporções entre os personagens, os animais e as árvores não eram respeitados. Se observar com mais cuidado, vai observar que algumas figuras seriam representações de guardas e os que usam vestidos drapeados, segundo estudiosos, seriam os persas e os guardas com calças rudimentares seriam os medos. Os nobres persas usariam chapéus com plumas e os medos usariam chapéus arrendondados com uma pequena cauda. Na verdade é muito difícil saber, com certeza, as delegações representadas. As dicas são os trajes utilizados. Acredita-se que os mais próximos do rei seriam os medos e os mais distantes os etíopes. Sabe-se que os Medos e Elamitas sempre serviram o Império Persa desde a sua fundação.
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O que se observa nos muros e colunas é basicamente uma arte imperial, uma vez que os artistas eram contratados pelos imperadores para construírem e adornarem seus palácios e templos. Pode-se dizer que não havia muito espaço para improvisações dos artistas designados para fazerem as obras.
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Claro que a arquitetura lembra algo dos gregos, egípcios, babilônios, ou seja, dos povos dominados. Fica evidente a influência desses povos na arte persa, mas não era cópia. Eles conseguiram criar um estilo próprio e com grande diversidade. Foi como se os persas tivessem colocado todas as influências de outros povos em um caldeirão e criado o seu próprio estilo.
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Nas colunas de Persépolis observa-se o estilo jônico. Dizem que no palácio havia em torno de 100 colunas e agora restaram apenas 13 (realmente não contei para conferir) e possuem cerca de 20 metros de altura. Vestígios de pigmentos encontrados nas bases de algumas colunas demonstram que eram pintadas. Influência Mesopotâmica pode ser observada nas rosáceas que decoram os relevos e os palácios e os “homens touros alados” são de estilo assírio.
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Embora as ruínas não reflitam nem a sombra da grandiosidade que foi Persépolis, a gente consegue imaginar a dimensão do sonho de Dario. Dário??? Quem foi Dário???
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Bem, evidências sugerem que o local foi escolhido por Ciro, o Grande, o fundador do Império Aquemênida, mas que as construções apenas começaram sob o reinado de Dario I, o terceiro rei do império.
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Foi construída durante o Império de Dário ou Dario e demorou 120 anos para ser completada. Dario resolveu construir nesse lugar um imenso e majestoso palácio, o maior que o mundo já conhecera. Um palácio que fosse digno da vastidão do Império Persa. A cidade ficou conhecida como uma das maravilhas da Antiguidade.
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Muitos especialistas acreditam que Dario nunca morou nesse palácio e que esse seria usado exclusivamente em rituais, principalmente de Ano Novo e na primavera, onde as pessoas iam até lá para levar valiosos presentes ao poderoso soberano. Em Persépolis há vários relevos que simbolizam o Ano Novo: leão devorando um touro. Assim, Persépolis tornou-se famosa pela grandeza e pelas inúmeras visitas de nobres que passaram por ali, como egípcios, sírios, babilônios e etíopes.
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Ao contrário de outras construções monumentais antigas, estudiosos afirmam que a construção de Persépolis não teve mão de obra escrava e foi feita por construtores provenientes de outros países.
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Em Persépolis observamos um desfile de representantes em cenas de audiência e figuras de combates de heróis com animais reais ou imaginários. Não tem como não se impressionar com a a qualidade de execução e os detalhes – tudo feito com muita minúcia.
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Leões e Touros aparecem muito na arte, associando a força desses animais a força do Império Persa.
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Fico me perguntando se havia cor nos palácios, nas paredes, nas decorações. Acredita-se que havia pinturas policromadas em Persépolis (negro, vermelho, verde, azul, amarelo…). Mas com certeza será muito difícil reconstruir a paleta de cores de Persépolis.
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Com certeza Persépolis é um dos maiores tesouros da humanidade e é uma verdadeira vitrine do poderio do Império Persa. Se ao menos você assistiu ao filme 300, lembrará do ator Rodrigo Santoro, que representava ninguém menos que o rei persa Xerxes.
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Há ainda no alto de uma colina, as tumbas de Artaxerxes II e Artaxerxes III, ambos reis persas. Subindo a colina você consegue contemplar Persépolis, que é o registro vivo de uma história milenar e de um povo que deixou sua marca no mundo.
Informações Gerais
Como Chegar e Quanto Custa
Persépolis fica a aproximadamente 60 km de Shiraz.
Na recepção do hotel solicitamos que verificassem um táxi para ir até o local e que o taxista pudesse esperar e retornar para Shiraz.
A seguir seguem os preços repassados. Notem que nesse caso é só o deslocamento. Não tem serviço de guia e o taxista praticamente não falava nada de inglês.
3.500.000 Rials (3,5 milhões de Rials) para visitar Persépolis e motorista aguardar 2 horas
4.000.000 Rials ( 4 milhões de Rials) para visitar Persépolis e Naqsh Rustam e motorista aguardaria 2 horas no total
8.000.000 Rials (8 milhões de Rials) para visitar Persépolis, Naqsh Rustam e Pasárgada com espera de 3 horas no total.
Optamos pela primeira opção pois queríamos realmente desfrutar o máximo de tempo em Persépolis.
A entrada do sítio arqueológico custou 1 milhão de Rials por pessoa (valor quase que padrão para visitar qualquer lugar turístico no Irã).
No verão, o melhor horário para se visitar é pela manhã ou ao final do dia. Optamos por visitar a Pink Mosque e outros pontos turísticos em Shiraz na parte da manha e combinamos com o taxista por volta das 15 horas no hotel. Chegamos a Persépolis por volta das 16:00 e ainda estava muito quente (viajamos em setembro de 2022). No sítio arqueológico, próximo as ferramentas utilizadas nas escavações, há um bebedouro com água geladinha. (Obs: em todo o Irã é fácil encontrar bebedouros com água filtrada e gelada). Próximo a Pink Mosque, taxistas oferecem a ida até Persépolis por 20 euros.
Publicado por patipelomundo 19:43 Arquivado em Irão

