Um blog do Travellerspoint

Windhoek

Descobrindo a capital da Namíbia

Como não conseguimos ir para Swakopmund no nosso primeiro dia na Namíbia, ficamos em Windhoek (se pronuncia Vinduk).

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Deixamos as malas no hotel e já fomos explorar a cidade para aproveitar o clima mais ameno do final do dia. Não esqueçam de levar água, pois a cidade é muito seca. Sofri bastante, pois estava com sinusite.

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Nossa primeira impressão foi: Uau, que cidade limpa, organizada e deserta à noite!!!!!Estima-se que em Windhoek concentra-se um oitavo (ou 12,4%) da população total do país, ou seja, pouco mais de 200 mil habitantes. Apesar de ser a capital, o comércio em Windhoek fecha muito cedo. Fomos em um restaurante em um shopping e o mesmo fechava as 19:00. Chegamos um pouco antes das 19:00 e nos atenderam, mas já pediram para pagarmos antes para já irem adiantando para fechar. Assim, caso tenham que comprar alguma coisa, não deixem para a noite.

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Windhoek costuma ser apenas um ponto de passagem para aqueles que estão visitando o país, mas nós descobrimos que Windhoek também tem o seu encanto.

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A capital Windhoek é ponto de passagem obrigatório para quem viaja de avião até a Namíbia, pois, na cidade, está localizado o Aeroporto Internacional Hosea Kutako. Então pelo menos algumas horas você passará em Windhoek e não perca a oportunidade de conhecê-la, apesar de várias blogs falarem que não tem nada de interessante. Afinal, quem decidi se é interessante ou não é você e seu estado de espírito e garanto que Windhoek vai te surpreender.

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Windhoek é uma cidade bem grande para os padrões do país, mas as principais atrações se concentram no centro, o que a torna fácil de conhecer.


O que fazer em Windhoek

Zoo Garden

O Zoo Garden é um parque público que fica no coração da cidade.

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Percebemos que é frequentada pelos locais, que ficam por ali conversando, descansando, fazendo um piquenique ou lendo um livro.

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O interessante nesse parque é que em 1961 restos de um elefante de mais de 20.000 anos foram encontrados ali e tem um monumento no local do descobrimento.

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No parque ainda encontramos esculturas modernas e também uma área que parecia um espaço para apresentações artísticas, mas no momento que visitamos não havia nenhuma atração.

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Vimos também um grupo de meninas comemorando algo. Achei a princípio que fosse uma despedida de solteiro como acontece em alguns lugares no Brasil. Quem eu pensei que fosse a noiva, pois estava de branco, pediu para tirar uma foto comigo e só ai percebi que elas estavam comemorando o aniversário dela e não casamento.

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O parque fica localizado na Independence Avenue. Apesar do nome de Zoopark não espere encontrar nenhum zoológico no local, a não ser a referência ao elefante de mais de 20 mil anos encontrado ali.

Church of Christ - Christuskirche

A Church of Christ, ou Igreja de Cristo, é uma das construções mais famosas e turísticas de Windhoek. Sua construção teve início em 1907 e contou com materiais importados da Alemanha e da Itália, tais como o mármore carrara utilizado no pórtico.

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Dentro da parede da igreja há uma placa em bronze com o nome de soldados alemães mortos em batalhas contra a libertação da Namíbia. Só fico imaginando como deve ser desconfortável essa referência dentro da igreja tanto para os namibianos quanto para os alemães que visitam o local.

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A igreja luterana Christuskirche é um dos símbolos da arquitetura germânica que marca os tempos em que o país foi colonizado. Dizem que ainda hoje as missas na igreja são celebradas em alemão aos domingos.

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Curiosamente, a rua que segue a lateral da igreja homenageia Fidel Castro.

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É considerada a igrejinha principal da cidade. É pequena, bem simples, mas bem bonitinha. Até parece saída de algum conto de fada. É considerada uma relíquia deixada pelos alemães na época em que governaram a Namíbia. Fica localizada na parte alta do centro da cidade, de frente para os prédios do governo e do National Museum of Namíbia.

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Independence Memorial Museum

Ao lado da igrejinha, está outro prédio bastante interessante, onde fica o museu da Independência.

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O museu trata da história da Namíbia em seu caminho rumo à independência, mostrando que não foi nada fácil esse percurso.

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O museu apresenta algumas fotos, pinturas e objetos contendo uma breve explicação sobre os fatos, mas nada muito detalhado, por isso é interessante fazer a lição de casa antes e dar uma olhadinha na história desse país incrível.

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O interessante é que logo na entrada há um aviso dizendo que no local não são exibidos esqueletos humanos. Por aí, você já sente que a história não foi nada tranquila para esse povo.

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Os primeiros povos a ocuparem a Namíbia eram tribos, principalmente da etnia banta, com características de serem caçadores e coletores.

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Os primeiros europeus a chegarem a Namíbia foram os portugueses em 1487, comandado pelo navegador Bartolomeu Dias, mas não se interessaram pelo lugar, pois só viram deserto (mal sabiam eles o tesouro que esse deserto tem e que hoje está sendo muito explorado. Depois conto um pouco mais sobre esse tesouro, que descobrimos quando fomos para Swakopmund).

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Em 1885, a Alemanha passa a administrar o território. Entre 1904 e 1907, algumas tribos se revoltaram contra o domínio alemão e fiquei surpresa em saber que já havia naquela época mulheres guerreiras, lutando pelos ideais de seu povo.

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Em resposta a essa revolta, os alemães realizaram um genocídio contra essas tribos, principalmente da etnia herero, que tinham se revoltado contra a colonização e vários painéis no museu mostram essa crueldade.

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O domínio alemão durou até a Primeira Guerra Mundial e o país era chamado de German South West África. Em 2004, a Alemanha apresentou formalmente desculpas ao povo da Namíbia pelo massacre imposto ao povo de etnia herero.

Com a derrota da Alemanha na guerra, a África do Sul obteve o mandato da Liga das Nações para administrar o território da Namíbia, mas não pense que a vida dos Namibianos melhorou com essa mudança.

Como a África do Sul dominou a Namíbia até 1990, a Namíbia acabou importando o apartheid. Outro fato interessante é que em ambos os países existiu uma prática em que fazendeiros e outros empregadores pagavam parte do salário em bebidas alcoólicas. Essa era uma forma de controlar os empregados e impedir o desenvolvimento deles. O problema é que o alcoolismo é um grave problema e, mesmo o sistema não existindo mais, grande parte da população sofre com isso até os dias de hoje.

Com a dissolução da Liga das Nações e a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), esta pediu que a África do Sul preparasse a Namíbia para a independência, mas a África do Sul nem escutou a ONU.

No museu há ainda referência a um outro massacre relativamente recente, que ocorreu em 1978, em que morreram vários Namibianos que lutavam pela independência do país contra as forças sul-africana.
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O evento conhecido como massacre de Cassinga, ocorreu em um vilarejo de Angola para onde tinham ido vários refugiados namibianos que lutavam contra as forças de defesa do Apartheid da África do Sul.

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Somente em 1988 a África do Sul assinou acordo na ONU concedendo a independência à última colônia da África e Sam Nujoma foi eleito o primeiro presidente da Namíbia independente em 1990. E o museu reúne vários documentos desse momento.

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Na parte externa do museu, há uma estátua de Sam Nujoma.

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Mas não pense que a vida dos Namibianos melhorou muito desde então. Conversamos com vários deles nas Vans que pegamos e muitos relataram que não houve grandes mudanças para a população e vários pensam em deixar o país em busca de melhores oportunidades.

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A minha impressão foi que a Namíbia é um país diferenciado em relação ao restante da África em termos de limpeza e organização. Em relação a segurança, várias pessoas falaram que é tranquilo, apesar de um homem ter tentado roubar nossa mochila quando já estávamos praticamente dentro de um táxi em Windhoek. Assim, todo cuidado é pouco.

O museu abre de segunda a sexta das 9h às 17h. Sábados e domingos das 10h às 17h. O prédio oferece, além do acervo que ajuda a entender o povo e o país, uma linda vista para Windhoek e um restaurante no terraço. A entrada do museu é gratuita e para tirar fotos do terraço do restaurante é necessário consumir algo nele.

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Outra curiosidade: parece que o prédio do museu foi construído pelos norte-coreanos, os quais estão muito interessados pelo tesouro que há no deserto da Namíbia e estão desenvolvendo algumas parcerias. Vocês têm ideia do que seria esse tesouro??? Bem, não percam os próximos posts em que continuarei falando da nossa visita a Windhoek e de outra pérola da Namíbia: Swakopmund e o tesouro existente nas areias desse país fantástico.

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Publicado por patipelomundo 03:30 Arquivado em Namíbia

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Comentários

Como sempre sua descrição histórica é uma aula, consegue tirar leite de pedra rsrs

por Eliane

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