De Georgetown a Bonfim no Brasil
Uma grande aventura no meio da Floresta Amazônica
07.11.2018 - 08.11.2018
Quando começamos a planejar a nossa viagem para o norte da América do Sul, já percebemos que o trecho mais difícil e complicado seria o nosso retorno para o Brasil via Georgetown na Guiana.

1 Georgetown Parte 2 (366)
Depois que já tínhamos comprado a passagem aérea para visitarmos primeiro a Guiana Francesa, percebemos que se talvez tivéssemos feito o contrário, ou seja, começado pela Guiana e terminando na Guiana Francesa teria sido menos cansativo, mas não tinha mais como mudar e teríamos que voltar para o Brasil via Georgetown na Guiana.
O problema de se chegar ao Brasil via Georgetown de avião é que as opções raramente são baratas e os aviões são pequenos, o que me dá muito medo, então optamos por viajar por terra.
Tínhamos pesquisado e sabíamos que havia Vans que faziam esse trecho. A nossa surpresa foi que quando chegamos a Georgetown descobrimos que atualmente o referido trecho é feito somente à noite, ou seja, teríamos que cruzar a floresta amazônica no período noturno.
E por que agora é feito à noite? Disseram que são por dois motivos: o primeiro era o calor forte, o que fazia com que durante o dia a viagem fosse muito sofrida, pois são mais de 16 horas viajando. O outro motivo é que a fronteira entre a Guiana e o Brasil é fechada (aduana e imigração) durante o período noturno. Chegamos até a fazer contato com a aduana brasileira e eles se colocaram à disposição de abrir, mas o nosso problema é que não há mais empresas que faz esse trajeto durante o dia.
Então tivemos que mudar todo o nosso planejamento e tivemos que passar mais um dia em Georgetown. Decidi ficar descansando no hotel, pois sabíamos que a viagem seria cansativa.
Por volta das 15:30 nosso amigo que está morando em Georgetown passou no hotel e nos deixou no local de onde sairia a Van ou Navetes, como lá são conhecidos esses carros.

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O problema é que a Van não sai por volta das 16:00 como estava no bilhete de passagem. Eles só saem por volta das 19:00. Assim ficamos sentados esperando quase três horas para embarcarmos. A maioria dos passageiros já sabe disso, então eles chegam mais próximo do horário. Resumindo: turista sofre!!!!
Outra coisa que nos chamou atenção foi o preço da passagem. Nosso amigo falou que ia comprar a passagem com um conhecido, brasileiro, que era do sindicato dos transportes lá de Georgetown e que por isso seria mais seguro. Ele nos falou um preço superior ao que tinham nos informado, mas como segurança é tudo, não vimos problema em pagar um pouco mais. O curioso foi que ao recebermos o bilhete vimos que o valor marcado no bilhete era inferior ao que tínhamos pago. Pagamos 32 mil dólares guianense (aproximadamente R$ 590,00) por duas passagens e o valor informado no bilhete era de 28 mil dólares Guianense (aproximadamente R$ 517,00)

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Por volta das 19:30 as pessoas começaram a colocar a bagagem na Van, que vai toda amarrada na parte superior e começaram a entrar nela. Como as pessoas já estão acostumadas a viajar, já escolheram o melhor lugar e nós ficamos em um lugar bem apertadinho. A maioria que estava na Van era homem e todos eram garimpeiros. Só uma mulher viajou na Van também e percebemos que ela tinha um inglês diferenciado e bem melhor que os demais (na verdade, a maioria dos garimpeiros nem falam inglês). Dos garimpeiros que estavam na Van, descobrimos que dois eram da Guiana e falavam aquele dialeto deles que só eles entendem e o restante era de brasileiros.
Assim, começava nossa aventura de retorno ao Brasil. Com a Van lotada partimos e foi um carro de passeio junto acompanhando a nossa Van. Depois descobrimos que o motorista do carro de passeio era o dono da Van e que ele ia deixar o carro na sua casa e depois embarcaria com a gente. Acontece que esse carro de passeio deu problema e o motorista da Van teve que rebocá-lo até a casa, ou seja, já tínhamos saído tarde e a viagem só atrasou ainda mais. Depois do sufoco de rebocar o tal carro, pegamos a estrada que no começo é asfaltada.

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Paramos em um vilarejo onde havia um posto e banheiros e descobrimos que ali seria a última parada antes de pegarmos a estrada de terra. Só tínhamos andado 2 horas.
No começo a estrada de terra estava boa e a viagem bem tranquila. Estava até preferindo viajar na estrada de terra, pois assim a Van não corria tanto (lembram dos posts anteriores em que falei que andar de Van naquela região é uma loucura, pois os motoristas aceleram muito?).
Quase não tenho fotos dessa parte da viagem, porque é só escuridão no meio da floresta. Quando foi lá pelas 2 horas da manha, nossa Van atolou na lama e todo mundo teve que descer e alguns ajudaram a empurrar a Van. Foi o momento que senti mais medo, pois tivemos que descer da Van, em uma escuridão louca e estava tudo escorregadio devido à lama (nem preciso dizer como ficou meu tênis). A foto a seguir é de outra Van que também atolou. Da nossa nem consegui tirar foto, pois tive medo de perder o equilíbrio e cair.

5 Georgetown Parte 2 (367)
A Van ainda parou na madrugada em um posto da polícia da Guiana, onde tivemos que descer e apresentar nossos passaportes. Amanhecendo chegamos em uma região onde tínhamos que atravessar um rio de balsa.

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Após atravessarmos a balsa, passamos em outro posto de imigração. Este posto estava lotado, pois havia várias outras Vans também estacionadas ali.

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Ainda tinha muita estrada pela frente e já tínhamos perdido um retrovisador da Van no meio da mata naquela noite

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A estrada é linda. No meio da Floresta e traz muita paz. Apesar do cansaço, a beleza da natureza compensava e nos dava força.

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Ainda fizemos outra parada em um local bem estruturado, com café da manhã e umas redes para descansar. Era nítido o cansaço do motorista. Os olhos estavam bem vermelhos. O desgaste é muito grande e o carro também é bastante maltratado. Fiquei imaginando se realmente valia a pena para aquelas pessoas fazerem aquele tipo de transporte.

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Chegamos a Lethen por volta das 11 horas. O motorista da Van estacionou o carro na garagem de uma casa e todos nós descemos. Alguns garimpeiros decidiram tomar um banho em um banheiro que havia por lá e nós resolvemos pegar o primeiro taxi que apareceu para irmos até a fronteira (O taxi é em torno de 2 mil dolares guianense por pessoa).
O interessante é que na fronteira há uma espécie de viaduto, onde é feita a inversão da mão do condutor, pois os carros da Guiana dirigem na mão direita e os do Brasil na mão esquerda. É muito engraçada a sensação, pois parece que de repente você está na contramão. O encontro dos dois tipos de via surge nos primeiros quilômetros da BR-401, onde o tal viaduto de conversão convida condutores a enfim trocarem os lados.

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Paramos na aduana brasileira e conversamos com o pessoal por lá da nossa aventura. Enquanto estávamos por ali, vimos os garimpeiros que tinham vindo com a gente correndo para atravessar a fronteira sem passar pela aduana e, em seguida, pegaram um taxi. Durante a viagem, eles falaram que estavam carregando ouro na bagagem e que geralmente escondem para não serem pegos pelas autoridades aduaneiras. Ao perguntar na aduana sobre o comércio ilegal de ouro, eles confirmaram que os garimpeiros sempre escondem as pedras e não declaram, mas geralmente a quantia não é tão grande.

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Bonfim pareceu ser uma cidade pequena. Almoçamos por lá e em seguida pegamos um ônibus super bom para irmos até Boa Vista.

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Não sabemos dizer como era a estrada e a paisagem de Bonfim a Boa Vista, pois assim que entramos no ônibus caímos no sono e só acordamos já na rodoviária de Boa Vista. No hotel, tomamos um belo de um banho, descansamos e caímos na piscina para relaxar um pouco depois daquela aventura inesquecível.

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Logo, se um dia vocês decidirem fazer esse trajeto, saibam que a estrada que corta as florestas da Guiana é de terra e se for época de chuva acredito que seja impossível atravessar. A viagem é desconfortável e não custa barato, além de ser longa. Ir por terra é recomendado para quem realmente gosta de aventura.
Resumidamente, os gastos para atravessarmos as fronteiras no norte da América do Sul foram aproximadamente:
- 60 euros por pessoa para atravessar a fronteira entre a Guiana Francesa e o Suriname;
- 42 dólares americano por pessoa do Suriname até a Guyana;
- 90 dólares americano por pessoa da Guyana até Bonfim no Brasil.
Mais fotos e filminhos dessa aventura no instagram: @patipelomundobr
Publicado por patipelomundo 17:27 Arquivado em Guiana


Essa realmente foi uma viagem aventureira, difícil e pelo visto pouco agradável..rsrs..acho que faria essa viagem somente a trabalho.
por Eliane