Um blog do Travellerspoint

De Caiena ao Oiapoque

Uma viagem no meio da Floresta

sunny 28 °C

No nosso segundo dia de passeio pela Guiana Francesa, decidimos conhecer o Oiapoque no Brasil. Adoro estes marcos geográficos e aquela famosa frase “Do Oiapoque ao Chui” nunca esteve tão presente nos meus desejos de viajante.

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Já tínhamos morados no Amapá, mas na época era muito complicado e sofrido ir de Macapá, capital do Amapá, até o Oiapoque (quase 600 Km de estrada precária).

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Agora que estávamos na Guiana Francesa, não podíamos perder esta oportunidade. Então saímos de Caiena e pegamos a estrada com destino ao Oiapoque. Percebemos logo que a estrada é bem menos movimentada, para não dizer desértica, e mais sinuosa que a estrada para Kourou. Por outro lado, a estrada é simplesmente encantadora, pois você viaja dentro da floresta amazônica com uma estrutura de estrada europeia. Simplesmente fantástico.

CACAO

No trajeto há (poucas) pequenas cidades do interior da Guiana Francesa. Resolvemos parar em Cacao. Fiquei com vontade de conhecer esta cidade por causa do nome que me remeteu a uma das coisas que mais adoro: Chocolate, rsrsrsr

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Entramos na cidade e parecia que estávamos em uma cidade-fantasma. Simplesmente ninguém pelas ruas: nenhum barulho e nenhum movimento.

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Além do nome me remeter ao chocolate, estava curiosa para conhecer a cidade porque ela foi formada por refugiados do Laos e Vietnã, que foram reassentados na Guiana Francesa nos anos 70.

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Os agricultores que moram em Cacao são chamados de Hmong, pois são originários de uma tribo de Hmongs das montanhas do Laos que se lançou em uma guerrilha bancada pela CIA contra o partido comunista Pathet Lao nas décadas de 1960 e 1970 no Laos.

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Quando os comunistas venceram a guerra em 1975, mais de 100 mil refugiados Hmongs se espalharam pelo mundo e alguns foram parar na Guiana Francesa. Os refugiados e suas famílias produzem hoje em torno de 80% das frutas e dos vegetais vendidos na Guiana Francesa. Na feira de Caiena, encontramos alguns Hmongs vendendo as frutas e verduras

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Os Hmongs desenvolveram uma vida de sucesso na Guiana Francesa, à mostra em suas grandes casas e carros novos.

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A principal riqueza das terras de Cacao é o RAMBUTAN, uma frutinha cabeluda, muito abundante no sudeste asiático e que pode ser vista representada no top de um monumento em Cacao.

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Antes de partirmos, subimos uma leve montanha, onde estava localizada uma pequena igreja, cujos bancos estavam sendo restaurados por um senhor, que foi a única pessoa que encontramos na cidade. A partir da igreja, que fica em uma parte mais elevada da cidade, foi possível admirar a floresta e a cidade de Cacao.

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Na saída da cidade, ainda paramos em um mirante, onde havia um restaurante, que estava fechado, para admirarmos um pouco mais a floresta.

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Continuamos pela estrada e próximo a Regina fomos parados pela polícia, que solicitou nossos passaportes e depois continuamos viagem até o rio Oyapoque. Quando chegamos na ponte para atravessar para o lado brasileiro, ela estava fechada. A ponte fica aberta das 08:00 as 18:00, mas fecha no horário do almoço (12:00 as 14:00). Resolvemos então conhecer a cidade de St. George na Guiana Francesa, enquanto esperávamos a ponte abrir.

St George

St. George é a cidade da Guiana Francesa onde passa o rio Oyapoque, que constitui a fronteira natural com o Brasil. Para ir até o Brasil, você tem a opção de estacionar o carro em St. George e atravessar a fronteira de barquinho ou atravessar de carro pela ponte, que foi a opção que escolhemos.

Para atravessar o rio de barco, há uma espécie de “terminal portuário” onde você fica aguardando os barquinhos e a passagem custa 5 euros. Parece que o barquinho passa por baixo da ponte franco-brasileira e deve render algumas fotos bem interessantes.

A cidade de St. George é bem pequena e possui algumas construções com uma arquitetura colonial. Vimos o local do mercado municipal, mas ele estava vazio.

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Fomos até a praça central onde havia um monumento. A praça estava lotada de pessoas de diferentes nacionalidades que estavam almoçando no local. Parecia ser um encontro entre nações.

Ponte Franco- Brasileira

Com 378 metros de extensão entre o Amapá e Guiana Francesa, a ponte que fica sobre o Rio Oiapoque é a primeira ligação terrestre na fronteira Brasil-França ou, porque não dizer, entre o Brasil e a União Europeia.

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Foi supertranquilo passar pelas aduanas francesas e brasileiras, apesar dos agentes franceses terem dito que a aduana brasileira é muito mais rigorosa. Em vez de ficar temeroso, na verdade, senti foi muito orgulho em saber que temos servidores públicos dedicados e competentes no meio da floresta, defendendo nossas fronteiras e tentando combater todo tipo de tráfico ilegal. Que orgulho!! Que emoção!!! Verdadeiros heróis estes brasileiros que possuem a missão de desenvolver e defender a amazônia.

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A ponte Binacional Franco-Brasileira é uma ponte estaiada. A estrutura da ponte ficou pronta em 2011 ao custo estimado de R$ 70 milhões, mas só foi aberta em 2017. Como estávamos com carro alugado francês não precisamos pagar nenhuma taxa, mas parece que se estivéssemos com carro brasileiro e precisássemos entrar na Guiana Francesa, precisaríamos pagar um seguro. Assim, antes de cruzar a fronteira, procure saber direitinho tudo que precisas para não ter stress ou custo indesejável.

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Oiapoque

O nome Oiapoque tem origem tupi e significa casa dos guerreiros. O lugar é referência nacional para determinar o ponto do extremo norte do Brasil. Em 1943 ergueu-se um monumento à pátria, indicativo do marco inicial do território brasileiro, em que figuram citações do hino nacional e uma placa indicativa dizendo “Aqui começa o Brasil”.

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É banhado pelo rio Oiapoque que foi estabelecido pelo tratado de Utrecht em 1713 como o limite entre o Brasil e a Guiana Francesa.

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No Oiapoque visitamos o Museu Kuahi dos Povos Indígenas. O espaço nasceu em 2007 com o objetivo de dar visibilidade à cultura indígena e funcionar como um centro de pesquisa.

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Destaca-se que o município do Oiapoque possui 6 mil indígenas, vivendo em 34 aldeias, que representam 40% da população do município. Além disso, os funcionários do museu são índios.

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No museu você pode ver o processo de construção de cuias e canoas, joias em miçangas e penas, potes de barro e muitas outras peças da cultura indígena do Oiapoque.

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Curiosidade: A palavra Kuahi refere-se tanto a um peixe amazônico quanto a um padrão gráfico utilizado na decoração de artefatos locais.

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No centro ainda há uma linda igreja e também conhecemos um empresário da região. Foi interessante saber que a cidade estava mais organizada por causa das eleições (aquela velha e conhecida maquiagem).

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A viagem foi um pouco corrida, mas, com certeza, é mais fácil chegar ao Oiapoque pela Guiana Francesa do que por Macapá, onde são 600 Km na BR 156. As pessoas da cidade do Oiapoque nos informaram que a estrada, apesar de ter melhorado um pouco, continua ruim.

Na volta pensamos em abastecer o carro no Brasil, mas desistimos e foi nossa sorte, pois parece que o combustível brasileiro dá problemas nos carros francesas. Será por que???

Porém passamos um pouco de sufoco na volta. Chegamos a entrar na cidade de Regina e descobrimos que não havia posto de gasolina. Continuamos a viagem sem ar-condicionado, com medo de ficarmos sem combustível naquela estrada deserta. Até Caiena não havia um posto!!!! Mas no final deu tudo certo, o tanque nem entrou na reserva.

Foi um dia maravilhoso em que terminamos cheios de ideias e sensações novas, mas a minha felicidade maior foi que agora posso dizer que fui do Oiapoque ao Chui.

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Publicado por patipelomundo 05:46 Arquivado em Guiana Francesa

Índice

Comentários

Parabéns, excelente, Oiapoque minha terra natal, com suas riquezas naturais e amigos indígenas e ribeirinhos antigos que vivem a harmonia da nossa história e da natureza.
Posso te enviar o cacau puro produzido na comunidade de Vila Velha, Rio Cassiporé.

por Daniel Lima

Foi uma agradável aventura, sem contar do encontro maravilhoso lá na ponte binacional em Oiapoque. Que Deus lhe proteja. Um grande abraço.

por Sérgio Dalmácia Viegas

Awesome!! Muito bacana!!! Parabéns pela ótima narrativa. Morei em Oiapoque durante um curto período, em 1989 e 1990. Naquela época, também aproveitei para conhecer um pouquinho da Guiana Francesa. Alegra-me notar que algumas coisas estão melhores (por exemplo, a estrada entre Caiena e St. Georges; a ponte entre a GF e o Brasil; e o museu em Oiapoque). Por outro lado, fico também feliz ao ver que boa parte da paisagem e da cultura permanecem preservadas.

por Flavio Coelho

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