SHANGHAI – Significa “Acima do Mar”
A mais cosmopolita das metrópoles da China
05.04.2018
Centro comercial e financeiro da China continental, Shanghai é a mais populosa cidade do país e a mais cosmopolita. A cidade é borbulhante e chegamos junto com um tufão, que agitou ainda mais a nossa viagem e nos deixou com um pouco de medo.

1 DSC02012
Uma conjunção de fatores geográficos e históricos explica toda essa agitação de Shanghai. Surgida na Dinastia Sung (960-1279), Shanghai era uma simples vila de pescadores banhada pelo mar e pelo rio Huangpu, afluente do maior rio do país, o Yang Tsé.
Por causa do rio e do mar, tornou-se um porto regional durante a Dinastia Ching. Após a derrota nas duas Guerras do Ópio, a China teve de abrir seus portos ao comércio exterior. Na década de 1920 e 1930, Shanghai era o centro do comércio da Ásia com o mundo. Passou por cerca de 100 anos sob influência de ingleses, franceses, americanos, russos e japoneses, cujas ambições ajudaram a derrubar o império Qing. Especialmente na década de 30, viveu o apogeu de uma sociedade desregrada e desigual, mas, ao mesmo tempo, libertária e glamourosa. Tudo acontecia na Shanghai da década de 30: jogo, prostituição, crime organizado e festas
Shanghai virou terra dos estrangeiros. O filme Império do Sol de Steven Spielberg mostra uma cena em que milhares de chineses dos territórios ocupados imploravam para entrar nas áreas de concessão estrangeira.

2 DSC02016
Também na política Shanghai provocou grande impacto: foi o local da primeira reunião do Partido Comunista Chinês. Em 1949, com a chegada do comunismo ao poder, os comunistas resolveram fazer uma limpeza na cidade, proibindo drogas, botando prostitutas em campos de reeducação, estatizando empresas privadas, enquadrando tudo o que era excesso em nome do povo chinês.
A reabertura econômica só foi iniciada em 1978 e permitiu que Shanghai se firmasse como a plataforma de embarque da novíssima China. Agora, Shanghai é um dos símbolos mais visíveis da vitalidade e do dinamismo da nova “China”. É o lugar na China onde mais se consomem produtos de luxo.
Em nenhum outro lugar do país o Ocidente e o Oriente andam tão de mãos dadas. Estrangeiros, chineses de outros cantos do país e os próprios xangaienses não se cansam de olhar o skyline iluminado.
Com 97 quilômetros de extensão e 400 metros de largura, o rio Huangpu é a fronteira entre duas Shanghais: a da margem oeste, que se diverte, onde há vários restaurantes e casas noturnas instalados em prédios históricos da área chamada de The Bund, e a da margem leste, que ganha dinheiro, que é chamada de Pundong.
Pundong
Pundong tem um visual futurista e é o centro financeiro de Xangai. O impressionante é saber que até meados do século 20, Pundong era o bairro mais pobre da cidade, formado por um amontoado de favelas e prostíbulos.

3 DSC02013
Pundong era uma inexpressiva área convertida a centro financeiro por decisão do governo em 1990. A área foi declarada Zona Econômica Especial e a transformação levou menos de dez anos. Um dos edifícios que se que destacam é a Torre de TV Pérola Oriental, com seus círculos.
O melhor lugar para apreciar Pundong (claro, se não estiver um tufão passando, como foi o nosso caso, rsrsr) é a partir do The Bund. Na margem do rio do lado do Bund há uma calçada larga, ótima para observar a espetacular silhueta moderna de Pundong e o trânsito fluvial.

4 DSC02014

4 DSC02015
Templo do Buda de Jade
É o mais famoso dos templos de Shanghai. Foi erguido em 1882 para abrigar duas belas estátuas de Buda feitas de jade, trazidas de Myanmar. Antes o templo localizava em outro lugar e mudou para a localização atual em 1918, depois que um incêndio destruiu a estrutura original. É formado por três halls principais.

5 DSC01995
Com 150 milhões de praticantes declarados, a China é um país majoritariamente budista. Há um hall com Budas dourados de uma beleza única.

6 DSC01997

6 DSC01998

6 DSC02000

6 DSC02001
Impressionante mesmo é o Buda feito de jade de Myanmar. Essa seria a primeira estátua de Buda reclinado feita de jade. Joia é pouco para definir esta peça.

7 DSC02003

7 DSC02004
Contudo, a mais bonita está no andar de cima. É uma estátua de um Buda sentado, esculpida em uma única peça de jade, incrustada com pedras preciosas. Infelizmente, não pode ser registrada por meio de fotografias.
Jardim Yuyuam e a Cidade Antiga
Uma construção histórica encantadora. Trata-se do jardim que o oficial Pan Yunduan, governador de Shanghai sob a dinastia Ming, mandou erigir para seu pai, um dos principais ministros do imperador Ming da época, entre 1559 e 1577 e significa “jardim da felicidade”. São jardins dentro de jardins, com torres, lagos com carpas vermelhas e pavilhões unidos por pontes arqueadas.

8 DSC02029
Próximo tem uma famosa casa de chá. Os chineses consomem chá como os ocidentais consomem vinho. O prédio assobradado da Huxin Ting encontra-se ali, em frente a um lago, desde 1784. Esta casa de chá resiste à febre de modernização que assola Shanghai. A ponte em ziguezague protege a estrutura, pois os maus espíritos não viram esquinas, segundo as crenças chinesas.

9 DSC02031
Ao redor da casa de chá e do jardim, há um fervilhante mercado que ficam em casinhas brancas com janelas de um marrom avermelhado e telhados pontiagudos. Não se deixe iludir pela aparência de antiga. O centro velho foi praticamente todo demolido para dar lugar a essa réplica, que é o paraíso dos souveniers.

10 DSC02025

10 DSC02026
Os caprichosos telhados atraem o olhar. Aqui, as lojas vendem de tudo, de souvenires a medicamentos tradicionais com os preços um pouco inflacionados, mas vale a pena, pelo charme do lugar.

11 DSC02027
Para finalizar, fomos na Nanjing Lu, considerada a principal rua de compras de Shanghai, pena que chovia muito.

12 DSC02018
Nossa visita a Shanghai ficou prejudicada devido ao tufão. Fomos alertados para não sairmos e ficarmos protegidos no hotel. Mesmo assim, fiquei encantada por uma almofada que tinha visto e meu marido resolveu se arriscar para buscar tal peça. Enquanto ele foi, ficamos no hotel, mas depois bateu um arrependimento por ter deixado ele ir.
No final, meu marido retornou são e salvo e o tufão não fez grandes estragos na cidade, mas infelizmente tínhamos que partir de Shanghai.
Hoje em dia, quando olho para a tal almofada, lembro desse dia em Shanghai.
Publicado por patipelomundo 05:50 Arquivado em China

