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Centro de Beirute – Parte II

A Questão Libanesa: Cristão x Muçulmano

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Beirute é uma cidade única, onde ruínas romanas, ruínas fenícias, igrejas católicas, ortodoxas e mesquitas dividem o mesmo quilômetro quadrado em perfeita harmonia!

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Mas infelizmente nem sempre foi assim. Quando os franceses se retiraram em 1946 do Líbano, eles deixaram um país dividido: a porção ocidental, rica e habitada por cristãos, e a porção oriental, mais populosa, pobre e habitada por muçulmanos.

Essa tensão se agravou na década de 70, quando palestinos se refugiaram no sul do país e receberam apoio dos muçulmanos e dos egípcios. Do outro lado os cristãos, mesmo sendo minoria, aliaram-se aos sírios. Israel permanecia oficialmente neutro, mas fornecia armas e equipamentos à aliança sírio-libanesa.

Este conflito interno acabou desestruturando o país, tanto do ponto de vista político quanto econômico e Beirute foi mais uma vez destruída.
Atualmente o que percebemos é a convivência pacífica entre cristãos e muçulmanos, sendo tanto as igrejas quanto as mesquitas lugares lindíssimos e de muita paz.

Atualmente Beirute é única por esta diversidade religiosa: há os cristãos maronitas, ortodoxos gregos, muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas, cristãos armênios, entre outros. Um verdadeiro mosaico religioso.

Mesquita Mohammed Al-Amin

A mesquita também é conhecida como Mesquita Azul ou Mesquita de Hariri, porque sua construção foi financiada por Rafiq Hariri, um magnata da construção civil e ex-primeiro ministro libanês, que foi assassinado em 2005.

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A mesquita foi inaugurada em 2008 pelo filho de Hariri e, para as mulheres entrarem, elas precisam estar vestidas com roupas adequadas. Odoramos o modelito. A entrada é livre.

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O interior da mesquita é muito bonito e amplo, o piso é decorado com lindos tapetes e os lustres são magníficos e impressionam pelo tamanho. A mesquita abriga até 5 mil pessoas.

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A atmosfera dentro da mesquita é acolhedora e de muita paz. Na hora da oração, as pessoas ficam voltadas para o mihrab, um nicho azul que indica a direção para onde está Meca.

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As cúpulas azuis da mesquita podem ser vistas de diferentes locais do centro da cidade e no local tem wifi free. Olhem as meninas nas escadarias da mesquita, atualizando suas mensagens:

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Igreja de São Jorge

Logo ao lado da mesquita al-Amin está a igreja de São Jorge, um retrato da coexistência religiosa exemplar do Líbano na atualidade.
Esta igreja é maronita, que é uma vertente ortodoxa oriental do cristianismo. O presidente do Líbano é sempre, por convenção, um cristão maronita.

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O rito maronita prevê a celebração da missa em língua siro aramaico, a língua que Jesus Cristo falava.

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Catedral Ortodoxa Grega de São Jorge.

Na mesma região da Igreja Maronita de São Jorge, há a Catedral Ortodoxa Grega de São Jorge. Assim, logo se percebe que São Jorge, numa vertente ou outra da religião, é muito popular no Líbano.

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Entramos em algumas outras igrejas e todas muito lindas:

Igreja Maronita de Santo Elias:

Os libaneses têm grande devoção por Santo Elias. O profeta Elias ocupa lugar no Antigo Testamento e foi considerado um lutador contra a adoração do deus Baal, defendendo a primazia do Deus de Israel.

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Elias se isolava em desertos e montanhas e habitava dentro de cavernas. Considerado um exemplo de desprendimento, caridade, humildade e bondade.

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Achei interessante poder ver uma Bíblia em árabe.

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Catedral de St. Louis:

Construída em 1864 pelos missionários capuchinos e em honra ao rei francês Luiz IX. Foi o primeiro monumento a ser restaurado após a guerra civil libanesa.

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Olha o confessionário:

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Os vitrais também são maravilhosos:

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O Líbano é a nação com a maior proporção de cristãos no Oriente Médio. Segundo consta no instagram do libano_brasil, são 40% morando no país e é o único que possui calendário cristão (fim de semana é o sábado e domingo e celebram o Natal). Metade do Parlamento é cristão, o presidente é cristão e o chefe das forças armadas é cristão.

A verdade é que as igrejas e mesquitas estão tão lado a lado em Beirute que até parece que uma compõe a arquitetura da outra.

14 Igrejas e Mesquitas lado a lado IMG_3175

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Beirute é relativamente pequena e de fácil locomoção. Nas ruas a presença militar é uma realidade, não faltando barreiras, com algumas áreas interditadas para visitação. Próximo a Catedral de St. Louis, por exemplo, um militar nos chamou atenção por estarmos fotografando um local proibido.

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Exploramos tudo a pé e sentimos bastante seguros em Beirute. Esta segurança também pode ser creditada aos bravos marinheiros da Marinha do Brasil que estão no Líbano em uma missão de paz da ONU. Conhecemos alguns deles que estavam na Fragata Liberal, que foi objeto de uma reportagem do caldeirão do Huck.

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Eles nos informaram que a equipe do Globo Repórter e do Luciano Huck estiveram lá uma semana antes da gente e nos passaram o contato de uma brasileira que mora no Líbano e que ajudou a equipe da Globo a realizar as reportagens. Fizemos contato com ela, mas ela já estava com a agenda lotada. Todo caso, ela me autorizou a publicar seu contato: +961 71 226 212, Zilda Naves (tem facebook também) para caso resolvam visitar a Líbano e conhecer um pouco mais de sua história.

Publicado por patipelomundo 10:51 Arquivado em Líbano Tagged lebanon mesquita downtownbeirut fragata_liberal marinha_do_brasil igreja_maronita missão_de_paz_da_onu

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