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BELÉM na Palestina

Mais que uma cidade: Um Destino

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Nosso 102º país é o estado da Palestina. A Palestina não chega a ser um país que não existe, como a Transnístria, que visitamos em 2016, mas também não é um país reconhecido por todos.

Assim, podemos dizer que o Estado Palestino é um estado parcialmente reconhecido ou um país que existe parcialmente. A verdade é que em decorrência da criação do Estado de Israel, a luta do povo palestino pela formação de um lar nacional tem-se arrastado.

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A foto anterior mostra a bandeira palestina junto com outras bandeiras, inclusive a brasileira. Conseguiram identificar a bandeira palestina? Uma dica: Está apresentada de maneira modesta na foto e é constituída por três linhas horizontais nas cores negra, branca e verde. Há ainda um triângulo vermelho. Acharam?

Em 1991, com o fim da Guerra do Golfo, os Estados Unidos pressionaram Israel e os países árabes a estabelecerem um acordo de paz na região.

Em 1993, Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) fecharam um acordo histórico no Oriente Médio. Neste acordo, houve a concessão aos palestinos autonomia administrativa sobre as regiões da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. A Faixa de Gaza é o berço da oposição palestina mais radical, o movimento Hamas, contrário a qualquer acordo com os israelenses.

Em 1996, Arafat foi eleito presidente da Autoridade Palestina, com mais de 80% dos votos dos palestinos residentes na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Em 2013, 69,4% dos 193 países-membros das Nações Unidas reconheceram a existência do estado da Palestina.

2 Arafat com o atual presidente

2 Arafat com o atual presidente

Em 2015, a bandeira palestina foi hasteada na ONU pela primeira vez e o presidente da Palestina declarou em seu discurso que Israel transforma a Palestina em uma autoridade sem poderes reais, ou seja, a situação ainda continua tensa e sem solução naquela região.

Então, como estávamos na Terra Santa, consideramos uma oportunidade única conhecer a região da Cisjordânia na Palestina e assim poder sentir de perto as diferenças entre os dois povos.

Nosso objetivo era conhecer as cidades palestinas de Belém e Jericó.

Belém ou Bethlehem

Como em Jerusalém já tínhamos visto o lugar onde Jesus tinha sido sepultado e o lugar de sua ascensão no Monte das Oliveiras, começamos este dia de viagem com um objetivo: conhecer o lugar onde Jesus nasceu.

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Belém ou Bethlehem, que em hebraico significa “casa de pão”, é uma cidade palestina, localizada na parte central da Cisjordânia. Belém também é a terra natal do rei Davi e o local onde ele foi coroado rei de Israel.

Sua população é na maioria muçulmana, mas há também muitos árabes cristãos morando em Belém. Na verdade, o que percebi é que quando falávamos que eramos brasileiros, eles se identificavam como cristãos para conquistar a nossa confiança e aí está uma das malandragens dos palestinos. Assim, cuidado, pois os palestinos parecem muito humildes, mas percebemos que, na realidade, são muito espertos.

Peregrinos são atraídos para Belém desde que, em 326 d. C, a rainha Helena, mãe do imperador romano Constantino, encontrou a gruta onde Jesus teria nascido.

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Assim, nosso objetivo principal em Belém era conhecer a gruta onde Jesus nasceu, que atualmente fica dentro da Igreja da Natividade, um dos lugares mais sagrados do cristianismo.

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A igreja da Natividade foi concluída em 333 d. C e é considerada a igreja mais antiga do mundo em atividade!!

A igreja é compartilhada por três igrejas: a Ortodoxa Grega, a Católica e a Católica Armênia. Confuso??? Nada na Terra Santa é tão simples, mas entrando na igreja você notará diferentes decorações e capelas, indicando o tipo de igreja a que pertence.

Ah, a Basílica da Natalidade é considerada lugar sagrado também para os muçulmanos, pois estes consideram Jesus Cristo o segundo mais importante profeta.

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A história do nascimento de Jesus também tem várias versões:

– De acordo com o Evangelho de Lucas, José e Maria vieram de Nazaré para Belém para o censo ordenado pelas autoridades Romanas porque José era da linhagem de Davi, e Belém era a “cidade de Davi”. Maria teria colocado Jesus em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

– O Evangelho de São Mateus indica que a família já vivia em Belém quando Jesus nasceu e posteriormente se mudou para Nazaré. Mateus ainda relata que Herodes, ao receber a notícia de que um rei dos judeus tinha nascido em Belém, ordenou que todas as crianças com menos de dois anos fossem mortas. José sabendo desta notícia, foge com sua família e se refugia em uma caverna nos arredores da cidade.

Independente de qual seja a versão, sabe-se que desde os primórdios da cristandade, a gruta em que Jesus nasceu era sagrada.

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Várias igrejas foram construídas sobre a gruta e destruídas por invasores. A primeira igreja foi construída sobre a gruta por iniciativa do Imperador bizantino Constantino e sua mãe, a Imperatriz Helena.

A igreja atual foi construída por Justiniano em 530 d.C. Vista de fora, a igreja parece um forte e a paisagem é prejudicada pelos veículos que ficam estacionados na região. Esta Igreja foi classificada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO apenas no ano de 2012.

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A entrada é estreitada e rebaixada e dizem que era para proteger a igreja dos invasores muçulmanos e para evitar que eles entrassem a cavalo. É também chamada de porta da humildade, pois as pessoas precisam se curvarem para entrar na igreja.

O interior da igreja é simples e, ao longo do tempo, seu interior foi restaurado. É possível ver fragmentos do piso original de mosaicos da primeira igreja construída no local. Os mosaicos ficam por baixo do piso atual e foram deixadas algumas frestas para as pessoas admirarem os desenhos geométricos.

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De repente, entramos em uma capela mais escura e encontramos o local onde Jesus teria nascido. Foi simplesmente impactante, mágico e emocionante. Como não havia nenhuma fila no momento que chegamos e somente algumas pessoas ao redor rezando, tivemos a oportunidade de admirar com calma o local.

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O local exato do nascimento de Jesus é marcado por uma estrela de prata de quatorze pontas, no chão da gruta, onde os fiéis se ajoelham para tocá-la e orar. Há 15 lâmpadas penduradas acima da estrela (seis pertencentes aos gregos, cinco dos armênios e quatro dos católicos)

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A mãe quase entrou no círculo da estrela quando foi tocá-la e esta foto gerou muitas risadas no grupo de WhatsApp da família.

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Saindo da capela da gruta, subimos umas escadas e saímos em um pátio onde estava localizada a Igreja de Santa Catarina, que é uma construção moderna e pertence a igreja católica. A igreja dá acesso a gruta em que São Jerônimo viveu e trabalhou, a partir de 384 d. C e na qual foi sepultado. A obra principal de São Jerônimo foi a tradução da Bíblia para o latim.

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Na mesma caverna encontra-se a Gruta dos Inocentes, em memória às crianças de até dois anos que foram assassinadas a mando do rei Herodes, assim que soube do nascimento do Menino Jesus.

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Saímos da Igreja da Natividade tão leves e na verdade sem rumo.

Na verdade, queríamos ir a Jericó e ao mar morto, mas ainda não sabíamos qual era a melhor opção, então decidimos andar mais um pouquinho por Belém e curtir sua atmosfera. Logo em frente a igreja da Natividade fica a mesquita de Omar.

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A mesquita é a única mesquita da cidade e foi construída em 1860 para celebrar a visita do califa Omar a Belém.

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Olhando para a mesquita de Omar a partir da igreja da Natividade, viramos à esquerda e descobrimos uma placa indicando a Gruta do Leite.

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Claro que não resistimos e seguimos por uma rua supercharmosinha até a Igreja onde estava a Gruta do Leite. Foi nesta rua que também encontramos a bandeira do Brasil junto com bandeiras de outros países.

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Contam que Maria, a mãe de Jesus, escondeu-se nesta gruta para amamentar o menino Jesus, antes de partir para o Egito. Achei esta história superemocionante, pois, como disse, não sou religiosa, mas acredito demais na força e na garra de Maria, que representa todas as mulheres do mundo.

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Dizem que, enquanto Maria amamentava, caiu uma gota de leite do peito, que transformou as rochas pretas em rochas brancas. A igreja está guardada pelos franciscanos e é um lugar que traz muita paz e muita tranquilidade.

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Muitas mulheres procuram a gruta para pegar um pouco do pó da rocha, o qual misturado com água deve ser bebido para aumentar a fertilidade e a quantidade de leite.

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Dentro da igreja ainda havia outra capela muito linda, a qual estava fechada e havia uma freira rezando.

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Saímos da Gruta do Leite e fomos andando em direção à praça principal, onde havia um centro de informações turísticas, cujo objetivo era obter mais informações para chegarmos a Jericó. Entretanto, esta aventura deixarei para outro post e contarei o sufoco que passamos com um taxista.

Como Chegar a Belém:

Belém é uma cidade palestina, localizada na parte central da Cisjordânia, e é muito fácil ir a Belém por conta própria a partir de Jerusalém. Belém está há cerca de 10 km de Jerusalém e a viagem demora cerca de 30 minutos.

Próximo ao Portão de Damasco em Jerusalém existe um pequeno terminal de ônibus que leva as pessoas de Jerusalém a cidade de Bethlehém/Belém, território palestino.

Nos indicaram os ônibus 231 ou 234 e nos disseram ainda que o de número 231 deixava as pessoas mais próximas da igreja da Natividade.

Assim, pegamos o ônibus de número 231 e pagamos 6,80 NIS por pessoa.

Dentro do ônibus encontramos um advogado brasileiro, que trabalha naquela região ajudando pessoas, e fomos conversando sobre a instabilidade do local.

Quando o advogado chegou ao ponto onde ele deveria descer, nos informou que o ônibus seguiria mais um pouco e que deveríamos descer no ponto final.

Aí aconteceu algo surpreendente: o motorista do ônibus vendo que somente a gente ficou dentro do ônibus, falou algo com umas pessoas que estavam paradas no ponto de ônibus e depois nos informou que ali era o ponto final e que deveríamos descer e pegar um táxi. Quando digo que aquele povo é malandro, não estou brincando. Assim, depende da vontade do motorista para te deixar mais próximo à igreja da Natividade, independente de qual ônibus você pegar.

Quando descemos ainda tentamos encontrar o advogado brasileiro para nos ajudar, mas ele já tinha ido embora e ficamos no meio de um monte de taxistas nos dizendo que estávamos muito longe e que precisaríamos pegar um táxi. Fomos andando sem dar muito atenção, pois já sabíamos da fama dos taxistas da região.

Viramos à esquerda e começamos a subir uma rua para fugir do assédio dos taxistas, até que abordamos um jovem rapaz que nos explicou que estávamos no caminho certo e era apenas continuar andando naquela direção que chegaríamos a igreja da Natividade.

Destaque que quando baixei o mapa de Israel no celular, não havia a opção de baixar o mapa da Palestina, assim estávamos sem mapa para nos orientar. No entanto, o jovem estava certo e fomos andando tranquilamente pelo comércio de Belém. Uma dica para se localizar, é tentar andar na direção do minarete da mesquita de Omar.

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No meio do caminho também havia placas indicativas das atrações de Belém e logo chegamos ao nosso destino

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Todo turista que quer visitar Belém deve levar seu passaporte, pois este será solicitado na volta para Jerusalém. Ao contrário do que ocorre na ida, na volta, quando o ônibus sai da Cisjordânia e entra em território Israelense, todos do ônibus são parados e policiais checam os passaportes.

Para mim, visitar Belém foi além de visitar o lugar onde Jesus nasceu. Representou a dor de uma mãe na hora do parto, representou a força de uma mulher para amamentar seu filho e representou a garra dos pais para dar proteção a sua família.

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Visitar Belém foi bastante emocionante. Belém é muito mais que uma cidade: Belém é um destino!!!
Como hoje começa o mês de maio, dedico este post a todas as mamães, que com dedicação, carinho e amor, sabem o real valor da maternidade.

Publicado por patipelomundo 06:41 Arquivado em Israel Tagged jerusalem belem palestina mosque_of_omar milk_grotto_church igreja_da_natividade birthplace_of_jesus como_chegar_a_belem

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Comentários

Como sempre impecável em seus relatos. Essa deve sido uma viagem belíssima, imagine "local onde Cristo nasceu", "onde foi amamentado" deve ser uma sensação única e como disse apesar de não cultuar isso você sentiu e viveu a energia local, deve ter sido muito legal. As fotos revelam aquilo que eu como católica curto. Também quero agradecer a parte que me toca "mãe", mãe é a parte mais sensível de uma mulher, uma mãe é capaz de tudo pelo seu filho e Maria representa tudo isso e muito mais que somos capaz de entender. Obrigada pelo relato e descrição e lógico pela viagem que proporcionou a mim....parabéns!

por Eliane

Eliane, Eu que agradeço por sempre nos acompanhar nas viagens. Realmente foi bastante emocionante. Como diz a música: Quem traz no corpo a marca Maria possui a estranha mania de ter fé na vida. E vamos brindar este vidão.

por patipelomundo

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