Um blog do Travellerspoint

Conheça os encantos de Buenos Aires em Guarapari

Buenos Aires sem ir para a Argentina

Um bate e volta ideal a partir de Vitória para quem busca belezas naturais, clima de montanha e boa gastronomia no Espírito Santo.

No link a seguir tem o video que fizemos na região

https://youtu.be/TwcRBkdqZYQ?si=MXsGBNiCxOtlVnPk

Você já se imaginou um roteiro turístico em Buenos Aires sem precisar “hablar español? Essa ideia é super possível no município de Guarapari no estado do Espírito Santo.

59db9cca-6e92-42b0-ae3b-b0c294470199

59db9cca-6e92-42b0-ae3b-b0c294470199

Guarapari, além das praias lindíssimas, tem uma região de montanhas espetacular, rodeada de belezas naturais e boa gastronomia.

Há algumas formas de chegar a nossa Buenos Aires brasileira. Para quem vem de Vitória, é só seguir na BR-101 em direção ao Rio de Janeiro. Ao passar pelo trevo de Guarapari, percorrer em torno de 4 km e virar à direita.

3 VX Primer

3 VX Primer

Agora se você estava curtindo uma praia em Guarapari como a gente, basta pegar a Rodovia Jones do Santos Neves, em direção à BR-101, e virar à direita depois do trevo. São apenas 12km de distância do balneário à região montanhosa.

Povoado de Buenos Aires

A comunidade de Buenos Aires foi fundada final no século XIX, quando famílias italianas, vindas principalmente do Norte da Itália com destino à Argentina, estabeleceram-se na região após uma parada de emergência feita pelo vapor América, que transportava os imigrantes, vindo do porto de Gênova. Encantados com o clima ameno e os bons ares, os imigrantes decidiram se estabelecer ali e deram à área o nome de seu destino inicial, Buenos Aires.

Também há uma história engraçada relatando que o nome do povoado teve origem por causa de um boi que saiu correndo no alto de um morro e acabou “voando”, se tornando “Boi nos Ares”. A verdade é que vimos alguns bois pastando nos pátios da região.

Na comunidade visitamos a Igrejinha católica de 1938 e ficamos um tempo observando o “campinho” da comunidade. Segundo os primeiros moradores da região, eles só falavam italiano no início do povoamento. Quando as primeiras professoras começaram a lecionar na região, as aulas eram ministradas nas casas dos imigrantes ou nas casas das próprias professoras. Além dos italianos, já existiam na região os afrodescendentes.
D95E6824-70C6-4F4F-A427-747CD13C27C8

D95E6824-70C6-4F4F-A427-747CD13C27C8

Na comunidade tem uma opção gastronômica inspirada na Argentina: O restaurante Caminito Cocina. Comidas típicas argentinas, como carne assada na parrilha, empanadas argentinas fazem parte do cardápio. O local abre de quinta a domingo, de 11h às 17h.

2 Caminito

2 Caminito

Também tem próximo ao campinho o Bar do Ademir cuja especialidade é a galinha caipira. O estabelecimento virou referência por ser o primeiro restaurante instalado na área. A galinha caipira é o prato mais tradicional, preparado pela esposa do seu Ademir. São mais de 40 pratos de comida caseira disponíveis no cardápio. O Bar do Ademir abre todos os dias, das 8h às 16h.

1 Capturar

1 Capturar

Rota da Ferradura

Ao lado do campinho, há uma estradinha onde você dará início a denominada Rota da Ferradura. Este circuito abrange as localidades de Buenos Aires, Boa Esperança e Arraial do Jabuti, que juntos formam 18 km de trajeto charmoso, passando por estabelecimentos voltados ao turismo gastronômico.

21 Rota da Ferradura

21 Rota da Ferradura

A seguir fotos de alguns restaurantes que paramos:

VX Primer: estacionamento e espaço kids. Dizem que o destaque é a picanha na chapa

5 VX Primer

5 VX Primer

4 VX PrimerCapturar

4 VX PrimerCapturar

VX Primer

VX Primer

Cantinho da Tilápia:

O Cantinho da Tilápia é um local super badalado da região. Difícil até de encontrar um lugar para estacionar. Há 11 anos na Rota, ele começaram como um 'pesque pague', até virar um restaurante. As delícias de tilápia são servidas de diversas formas no cardápio, desde moquecas à peixe frito. O restaurante abre segunda, terça e quinta das 11h às 17h, às sextas e sábados das 11h às 22h e domingo das 10h30 às 17h.

10 Cantinho da Tilapia

10 Cantinho da Tilapia

7 Cantinho da Tilapiar

7 Cantinho da Tilapiar

8 Cantinho da Tilapia

8 Cantinho da Tilapia

9 Cantinho da Tilapia

9 Cantinho da Tilapia

Vista da Floresta: estacionamento e espaço Kids

12 Vista da Floresta

12 Vista da Floresta

11 Vista da Floresta

11 Vista da Floresta

15 Vista da Floresta

15 Vista da Floresta

14 Vista da Floresta

14 Vista da Floresta

13 Vista da Floresta

13 Vista da Floresta

Cervejaria Speranza

A cervejaria Speranza recebeu esse nome em homenagem à região em que está localizada, em Boa Esperança. A cerveja produzida no estabelecimento já foi premiada na Copa Capixaba de Cerveja Artesanal. Tem ainda o chope arábica, feito com os sabores do café produzido no ES e o chope de vinho que achei bem agradável.

Cervejaria Speranza

Cervejaria Speranza

17 Cervejaria Speranza

17 Cervejaria Speranza

16 Cervejaria Speranza

16 Cervejaria Speranza

Outro destaque do local são os petiscos, como o porco na lata. Pedimos uma refeição que tinha uma porção de linguiça da roça e de sobremesa comemos uma cocada assada com sorvete, que foi brinde da casa, por ser meu aniversário.

Café das Montanhas

Fomos recebidos com muito carinho nesse lugar. Tem uma energia maravilhosa. Comprei um bolinho de churros para comemorar meu aniversário e as meninas colocaram doce de leite e encheram de coraçãozinhos para deixar o meu dia mais que especial. Dizem que tem o melhor pudim da região, assim mais um motivo para voltarmos.

Café das montanhas

Café das montanhas

20 Café das Montanhas

20 Café das Montanhas

19 Cafe das montanhas

19 Cafe das montanhas

Fomos informados que em agosto abrirão também um restaurante de comida mineira no local.

Outras opções que não visitamos

Bosque das Pedras: O restaurante Bosque das Pedras é a pedida para quem curte uma gastronomia mais requintada. Além de bistrô, o espaço também funciona como café, e oferece opções à la carte. O espaço abre de quinta a domingo de 12h às 19h

Casa da Figueira: fica na comunidade do Jabuti. Lanchonete que fica no início do circuito se você começar pelo lado da BR101. Dizem que o que faz sucesso na lanchonete é o pão de queijo recheado, considerado o melhor de Guarapari. Além do pão de queijo, é possível comprar biscoitos, pães e doces, tudo feito de forma artesanal.

Cachoeiras

Além da parte gastronômica, ainda tem as cachoeiras que também não visitamos.

Ao todo são duas: a Cachoeira de Buenos Aires e a Cachoeira do Pernambuco.

A Cachoeira Buenos Aires é maior e também é conhecida como cachoeira do turco ou barbudo. São 37 metros de queda d'agua. Dizem que o local é de fácil acesso, mas nós não vimos sua sinalização a partir da estrada da Rota da Ferradura. A cachoeira é de propriedade privada, abre todos os dias das 8h às 17h e é cobrado uma taxa de R$ 5 para manutenção.

Dizem que a Cachoeira do Pernambuco é mais bucólica e fica na estrada em direção ao distrito de Rio Calçado, necessitando ir até o estabelecimento chamado “Piscina do Maioli”. É necessário caminhar por uma trilha e leito do rio. É bom redobrar a atenção porque o caminho é cheio de pedras e quem sabe cobras (um dos motivos que não gosto muito de visitar cachoeiras)

Mirante

O Mirante do Elefante fica perto de Buenos Aires e tem uma pedra que parece a cabeça com uma tromba-de-elefante. Consegui observar do carro, mas quando vimos a entrada para o mirante já estava muito em cima e a estrada é bem estreita. Assim, não achei a sinalização tão boa. Do mirante seria possível ver Guarapari com algumas praias, centro, BR-101 e região de montanhas da cidade.

A região de Buenos Aires virou um dos destinos queridinhos dos capixabas e a prefeitura está prometendo obras que vão mudar o acesso e o paisagismo da região. Comentei como uma amiga que tinha visitado a região 5 anos atrás e ela falou que quase não tinha estrutura. Agora observamos um lugar com bastante atrativo, principalmente gastronômico. Vale a pena fazer um bate e volta até lá.

Custo das Refeições

A seguir uma tabela para vocês compararem os preços dos restaurantes. Preços com base nos cardápios que tivemos acesso no dia 07 de julho de 2024

Custo das refeições

Custo das refeições

936F4613-81BE-4F86-BA52-DB8C983D2857

936F4613-81BE-4F86-BA52-DB8C983D2857

3831F6F0-B949-444B-83E8-F4EA71528584

3831F6F0-B949-444B-83E8-F4EA71528584

BAA19B08-ADE5-4889-9516-C69D829666B3

BAA19B08-ADE5-4889-9516-C69D829666B3

Publicado por patipelomundo 22:11 Arquivado em Brasil Comentários (0)

Tratamento Dentário e Produção de Cerâmicas em Grande Escala

De 6.000 a.C a 5.000 a.C

Agora o mundo já borbulhava com vários assentamentos e com a agricultura e a domesticação de animais fazendo parte do dia a dia de muitos desses assentamentos e é nesse período que florescem a produção de potes de cerâmica em grande escala na Região do Crescente férti.

IMG_20230824_154412

IMG_20230824_154412

Vimos que a região do crescente fértil, mais precisamente na Anatólia, Turquia, já tínhamos assentamentos com templos, cultos e arquiteturas de edifícios bem complexas. Tudo indica também que foi a partir dos povos dessa região da Anatólia que a ilha de Creta, que fica na Europa, sul da Grécia, começou a desenvolver a agricultura, já que os primeiros habitantes de Creta remontam a pelo menos 128.000 a.C., durante o Paleolítico. No entanto, os primeiros sinais de práticas agrícolas não surgiram antes de 5.000 a.C.

Enquanto isso no atual Paquistão, na província do Baluchistão, a cultura de Mergar (Mehrgarh) alcançava seu ápice em 6.000 a.C. O sítio arqueológico da cultura de Mergar é um dos mais importantes sítios neolíticos do mundo. Na verdade por volta de 7.000 a.C o assentamento humano de Mergar já era um dos primeiros locais com evidências de agricultura e pastoreio, sendo descrito como o assentamento agrário mais antigo dessa região da Ásia. Os primeiros residentes de Mergar viviam em casas de tijolos de barro, armazenavam seus grãos em celeiros e utilizavam ferramentas modernas feitas de cobre. Pastoreavam ovinos, caprinos e bovinos.

Nessa região do Paquistão foram descobertos esqueletos adultos cujos dentes mostram sinais de terem sido perfurados para fins terapêuticos. As ossadas seriam de um período entre 7.000 a.C a 5.500 a.C e são o mais antigo indício da existência de um possível tratamento dentário.

Ao todo, os cientistas identificaram 11 molares perfurados e os buracos tinham 1,3 a 3,2 milímetros de diâmetro e uma profundidade que podia chegar aos 3,5 milímetros. Um dos indivíduos tinha três dentes perfurados e outro tinha duas perfurações no mesmo dente.

Uma análise microscópica revelou que os dentes continuaram a ser usados na mastigação depois de a operação ter sido levada a cabo. Os pesquisadores baseiam-se na existência de vestígios de cáries em alguns dentes para afirmar que, pelo menos em parte dos casos, a perfuração era uma questão de saúde dentária. O fato de os dentes não serem facilmente visíveis coloca a parte a hipótese de as perfurações serem feitas por razões estéticas.

Os cientistas descobriram que, ao acrescentar uma ponta de sílex (uma rocha dura) ao pau que, juntamente com um pequeno arco, era usado para fazer fogo, seria possível efetuar perfurações num dente humano em menos de um minuto.

Vimos que na região do Crescente Fértil a agricultura estava aparentemente em estágio mais avançado que em outros lugares e foi a partir dessa época que proliferou a fabricação de potes de cerâmicas para a armazenagem do excedente de produção agrícola e que se tornaram verdadeiras obras de arte desse período. Dentro desse contexto que as culturas Hassuna, Samarra e Halaf florescem na região.

Mapa dos sitios arqueológicos

Mapa dos sitios arqueológicos

A civilização Hassuna floresceu no Crescente Fértil entre 6.000 a.C. e 5.300 a.C. e as descobertas relativas a cultura Hassuna devem-se ao sítio arqueológico de Tell Hassuna, que lhe deu o nome. Localizada principalmente no norte da Mesopotâmia, entre a atual Síria e Iraque, a cultura Hassuna se destacou pela sua agricultura avançada e suas comunidades sedentárias.

Região da cultura Hassuna

Região da cultura Hassuna

Os Hassunaenses foram pioneiros na domesticação de plantas como cevada e trigo, aproveitando as condições favoráveis do solo fértil entre os rios Tigre e Eufrates. Eles construíram vilarejos com casas de tijolos de barro e participaram de atividades comerciais, trocando produtos agrícolas e artesanais com comunidades vizinhas.

A cerâmica foi uma das suas contribuições mais notáveis com vasos decorativos e objetos utilitários elaborados. Eles fizeram cerâmica no denominado “estilo Hassuna”: barro liso com tinta avermelhada em desenhos lineares que se destaca pela avançada técnica utilizada.

cerâmica Hassuna

cerâmica Hassuna

Hassuna cerâmica

Hassuna cerâmica

Ceramica Hassuna de 6500 -6000 aC

Ceramica Hassuna de 6500 -6000 aC

As moradias de Tell Hassuna eram construídas em torno de locais abertos e os núcleos apresentavam muita cerâmica pintada e utilizavam também machados, foices, pedras de moagem, caixas, fornos de cozimento e numerosos ossos de animais domesticados, demonstrando que possuíam diversas atividades agrícolas. Verificou-se uma relação da cerâmica de Hassuna à de Jericó, sugerindo que a cultura estava se tornando generalizada.

A Cultura Samarra é uma civilização que viveu entre 6200 e 5700 anos a.C. na região norte da Mesopotâmia, mas um pouco mais ao sul onde estava a cultura Hassuna. Foram encontradas evidências de irrigação de culturas, mostrando o desenvolvimento de uma cultura próspera, com uma estrutura social organizada e altamente povoada. Essa cultura é conhecida principalmente por apresentar uma cerâmica finamente confeccionada e decorada com fundos escuros e com figuras estilizadas de animais, aves e desenhos geométricos. Este tipo de cerâmica foi amplamente exportado na antiguidade, sendo uma das primeiras a se generalizarem na região.

Samarra Cerâmica

Samarra Cerâmica

Cerâmica Samarra

Cerâmica Samarra

A Cultura Halaf foi uma civilização que viveu entre 6000 e 5400 anos a.C. no norte da Síria, sudeste da Turquia e norte do Iraque. Entretanto, materiais ligados e sob influência dessa cultura são encontrados em toda a Grande Mesopotâmia, porém o local mais importante de descobertas da Cultura Halaf foi o sítio de Tell Arpachiyah, agora localizado nos subúrbios de Mosul, no Iraque. Cerâmicas pintadas com motivos decorativos, tanto figurativos como geométricos, que possivelmente tinham conteúdo religioso: seres humanos, répteis, escorpiões, panteras, pássaros, pintados de preto e vermelho. Foi um dos mais importantes centro de cerâmica policromada de qualidade, com um gosto mais acentuado pelos motivos florais e geométricos.

cerâmica da Cultura Halaf

cerâmica da Cultura Halaf

A Cultura Ubaid teria começado a florescer por volta de 5.400 a.C, ou seja, um pouco posterior a cultura Hassuna, Samara e Halaf e mais ao sul da mesopotâmia, mas falaremos mais dessa cultura no próximo capítulo, pois ela é conhecida por estabelecer as bases para as futuras civilizações na região, incluindo Eridu e Uruk. A cultura Ubaid, portanto, serve como um precursor essencial para entender as origens da civilização na Mesopotâmia e sua influência duradoura na história antiga.

Por volta de 5600 a.C. ocorreu o início de desertificação no Norte da África, que, em última instância, leva à formação do deserto do Saara. É possível que esse processo tenha feito com que os nativos migrassem para a região do Nilo ao leste, lançando assim as bases para o surgimento da civilização do Antigo Egito.

A domesticação de ovelhas e cabras ficou mais evidente no Egito nessa época, provavelmente devido à troca de mercadorias entre Asia e Africa naquele tempo. Na Africa aparentemente a região do Egito foi a primeira a entrar no Neolítico. Outras regiões da Africa demoraram um pouco mais para entrar no neolítico, como Argélia e Marrocos, que a agricultura só veio a surgir depois com a introdução da agricultura pelos europeus que viviam na Península Ibérica. Marrocos foi a primeira das regiões, excetuando o Egito, que desenvolveu cerâmicas.

Toda vez que vou aos museus sempre gosto de apreciar as cerâmicas, pois elas não apenas serviram como um meio prático para armazenamento e utensílios, mas também como uma forma de expressão cultural e tecnológica, refletindo a evolução das técnicas de fabricação e dos estilos artísticos ao longo do tempo. Inicialmente, as primeiras formas de cerâmica eram simples e utilitárias, utilizadas para armazenar alimentos e água. Portanto, as cerâmicas não são apenas artefatos do passado, mas elos vitais que conectam as gerações humanas através do tempo.

Fabricação de cerâmica no Irã

Fabricação de cerâmica no Irã

Publicado por patipelomundo 14:20 Arquivado em Iraque Comentários (0)

Representações da Arte Pré-histórica do Neolítico Pré-cerâmi

De 8.000 a 6.0000 a.C – 2 Parte

Já vimos que nesse período de 8.000 a 6.000 a.C vários assentamentos começaram a borbulhar, principalmente na região do Crescente Fértil. Em locais como Jericó na Palestina, foi observada a transição das tradicionais casas circulares para estruturas retangulares mais complexas, indicando um avanço na arquitetura e planejamento urbano.

Na região da Anatólia, Turquia, foram descobertos assentamentos com ruas construídas sobre telhados, em casas que não tinham portas ou janelas, evidenciando a engenhosidade das primeiras comunidades urbanas. Além disso, aparentemente os rituais religiosos sempre fizeram parte desses primeiros assentamentos humanos, seja cultuando crânios de pessoas que faleceram ou cultuando deusas/mulheres com úteros avantajados, refletindo a importância atribuída à fertilidade, à reprodução e também à agricultura.

Esse período também testemunhou assentamentos onde aparentemente não havia diferencial social, pois as habitações eram todas semelhantes e todos contribuíam para o bem-estar da comunidade na produção de alimentos.

Na Jordânia, no sítio de Ain Ghazal (Ain Gazal), também podemos dizer que floresceram manifestações artísticas em um assentamento humano de 7.200 a.C, que iam além de murais pintados com figuras de animais e estátuas de mulheres “deusas”. Nesse sítio arqueológico foram encontradas as denominadas atualmente de “as Estátuas de Ain Ghazal”, que são uma série de estátuas monumentais de gesso.

Datadas desse período, as estátuas estão entre as primeiras representações em grande escala da forma humana e são consideradas um das representações da arte pré-histórica do Neolítico Pré-cerâmica. As estátuas representam homens, mulheres e crianças; as mulheres são reconhecidas por características que lembram seios e barrigas ligeiramente aumentadas, mas nem as características sexuais masculinas nem femininas são enfatizadas, e nenhuma das estátuas tem genitais, a única parte da estátua modelada com algum detalhe são os rostos.

DSC08965

DSC08965

As estátuas são comparativamente altas, mas não do tamanho humano. As estátuas maiores têm uma altura de cerca de 1 metro e é possível que nunca tenham sido exibidas por um longo período de tempo, mas sim produzidas para fins de sepultamento intencional. Um total de 15 estátuas e 15 bustos foram encontrados em dois esconderijos, separados por quase 200 anos.

DSC08966

DSC08966

Em torno de 7.000 a.C em Jiahu, cerca de 500 quilômetros de Pequim, a capital da China, foi estabelecido um assentamento neolítico perto do rio Amarelo. Localizava-se entre as planícies de inundação do rio Ni ao norte, e o rio Sha ao sul. É considerada a civilização mais antiga da China. Entre os registros descobertos estão artefatos de cerâmica, ferramentas, exemplos de escrita chinesa antiga e até indícios de que foram os primeiros produtores de vinho no mundo.

Outra peça detectada foi uma famosa flauta de ossos – um dos antepassados dos instrumentos musicais – feita de ossos de aves e usada provavelmente em festividades.

Capturar

Capturar

Mí, ré, dó, si, lá são as primeiras notas que se ouvem da Pré-História. Elas foram emitidas pelos orifícios de uma flauta descoberta junto com cinco outras. São os mais antigos instrumentos já achados em condições de produzir música, fabricados por um povo que estava dando os primeiros passos em direção à civilização. Essa gente deixou mais de 300 túmulos, 45 ruínas de casas, nove fornos de cozinhar cerâmica e milhares de artefatos de pedra e de osso.

Várias centenas de grãos de arroz carbonizados e artefatos, incluindo ferramentas de pedra neolíticas usadas no cultivo de arroz, datadas de 8.000 anos atrás, também foram descobertos no sítio Jiahu, o que é uma descoberta importante na arqueologia agrícola chinesa.

Ferramentas do neolítico também foram encontrados no vale de Catmandu, no Nepal, indicando a presença humana na região do Himalaia em pelo menos 7.000 anos a.C. Parece que as pessoas da etnia Kirat foram as primeiras pessoas a habitar o Nepal e governaram por cerca de 2.500 anos. Algumas fontes lendárias do Vale de Katmandu descrevem os Kirat como os primeiros governantes de lá, substituindo as tribos de pastores de vacas. O povo Kirati acreditava fortemente em espíritos ancestrais, que os guiavam e protegiam. Eles tinham uma tradição de xamanismo, que é a prática de comunicação com espíritos por meio de rituais e orações.

Lugares para conhecer
Sítio arqueológico de Ain Ghazal: descoberto em 1974 por incorporadores que estavam construindo uma rodovia ligando Amã à cidade de Zarga. A escavação começou em 1982. O local foi habitado durante 7250 – 5000 a.C. Em sua era principal, durante a primeira metade do 7º milênio a.C., o assentamento se estendeu por 10-15 hectares e era habitada por aproximadamente 3000 pessoas.

Estátuas de Ain Ghazal: são uma série de estátuas monumentais de gesso. Todos fazem parte da coleção do Museu da Jordânia em Amã, mas alguns foram emprestadas ou enviadas para conservação. Uma estátua está no Museu do Louvre em Paris. Uma das figuras, com duas cabeças, está em exposição no Louvre em Abu Dhabi. Duas estátuas estavam sendo conservadas no Museu Britânico em Londres. As estátuas foram descobertas em 1983. Tive a oportunidade de ficar cara a cara com algumas dessas estátuas no Museu Arqueológico de Amã, na Jordânia, que está situado dentro da citadela de Amã e abriga artefatos de todos os sítios arqueológicos do país. Para visitar a Citadel de Amã pagamos 3 dinares e já estava incluída a visita ao museu arqueológico.

DSC08971

DSC08971

Publicado por patipelomundo 22:20 Arquivado em Jordânia Comentários (0)

Os Assentamentos Humanos se Espalham

De 8.000 a 6.000 mil a.C – Parte 1

Entre 8.000 e 6.000 a.C., numerosos agrupamentos humanos haviam se espalhado na região sul da Europa, no norte da África e no sudoeste da Ásia. Toda a região do chamado Crescente Fértil se transformou na principal localização de agrupamentos humanos desse período.

Em geral, a maioria dos integrantes da aldeia possuía um grau de parentesco entre si, tendo em vista que algumas poucas famílias extensas formavam o conjunto da comunidade. Também conhecidas como clãs, essas famílias se juntavam a outras para a formação de uma sociedade tribal. Nesse estágio, ainda não poderíamos citar a presença de um poder político superior, pois as principais decisões eram deixadas a cargo do membro mais velho de cada família.

A cidade de Biblos no atual Líbano, na beira do Mar Mediterrâneo, parece ter sido colonizada durante esse período, entre 8.800 a 7.000 a.C. Restos neolíticos de alguns edifícios podem ser observados no local.

Biblos

Biblos

Visitando a cidade de Biblos no Líbano você é brindado com uma sucessão de civilizações que viveram naquela região. Você fica cara a cara com a história da nossa história. Em Biblos, tudo teria começado em torno de uma fonte de água, onde teria sido estabelecido o primeiro assentamento.
Biblos 3

Biblos 3

Assim, há uma relação muito forte entre os primeiros assentamentos e uma fonte de água, como já tínhamos citado em Jericó na Palestina. Ah, e se você achou o nome de Biblos parecido com o da Bíblia, você está correto, mas essa história contarei mais para frente, pois Biblos, assim como Jericó estão dentre os primeiros assentamentos humanos que se transformaram em cidades e que até hoje são habitadas.

Biblos 4

Biblos 4

De 8.000 a.C. a 7.000 a.C. no norte da Mesopotâmia, agora norte do Iraque, também teria começado o cultivo de cevada e trigo. A princípio, eles eram usados para cerveja, sopa e eventualmente para o pão. .

O assentamento urbano Çatalhöyük na atual Turquia também seria deste período (7500 a 5700 aC). Catalhoyuk aparentemente atingiu seu auge ligeiramente mais tarde que Jericó. Çatalhöyük foi um dos maiores e mais populosos assentamentos desse período. Acredita-se que oito mil pessoas viviam, o que significa uma densidade populacional significativa para esse período.

As casas em Çatalhöyük foram construídas muito próximas umas das outras e os telhados funcionavam como ruas, as pessoas andavam nos telhados. Assim, não havia ruas como conhecemos atualmente. As casas eram acessadas pela abertura no telhado com o auxílio de uma escada. Cada casa, embora diferente em tamanho, consistia em uma sala, uma plataforma elevada dentro da sala e um depósito. As pessoas cozinhavam na sala principal e dormiam nas plataformas elevadas. O fundo das plataformas era usado para o enterro de seus mortos.

Capturar

Capturar

Catalhoyuk desenho

Catalhoyuk desenho

As paredes dos cômodos eram decoradas com pinturas de cenas de caça, estrelas, pássaros, veados, leopardos, círculos interligados e vários padrões geométricos. Os locais onde se concentravam os desenhos foram onde encontraram pessoas enterradas.

O destaque é que em uma dessas casas tinha na parede um mapa de 3 metros de comprimento e 90 centímetros de altura. Este mapa, datado de 6.200 anos a.C, é considerado a planta do assentamento de Çatalhöyük. Este mapa está em exibição no Museu das Civilizações da Anatólia de Ancara e é considerado o primeiro plano urbano conhecido do mundo.

Graças a Çatalhöyük, aprendemos que homens e mulheres ocupavam posições iguais na Anatólia, há 7.000 anos a.C. Além das casas, não há nenhum outro edifício público, palácio, templo ou estrutura monumental na cidade. Isso nos mostraria que não havia classe social em Çatalhöyük. Numerosas estatuetas foram desenterradas nas escavações. Entre elas, muitas figuras de animais, incluindo leopardos e touros. No entanto, as estátuas mais comum e famosas são as figuras de mulheres ou “deusas” que podem simbolizar a fecundidade e a fertilidade.

Capturar 2 Anatolia

Capturar 2 Anatolia

Teares, cerâmicas de formas simples, bandejas de madeira entalhada, tigelas, ferramentas de pedra e osso, cestos e joias também foram encontrados nas escavações. Os resultados nos mostram que o povo de Çatalhöyük não estava apenas envolvido na agricultura e pecuária, mas também era avançado na tecelagem e na mineração. Podemos dizer que a primeira arquitetura da casa, os primeiros murais e o primeiro mapa de uma cidade foram originados nesse local. ]

Os estudos apontam que enquanto isso na atual Palestina, Jerico desfrutava de amplas ligações comerciais com vários outros locais do crescente fértil, mas, por volta de 7300 a.C, Jerico entrou em decadência e seu muro foi destruído e ninguém saberia o real motivo (invasão, seca etc)

O certo é que por volta de 7300 a 5800 surge um segundo assentamento no local da primeira Jericó em que as pessoas eram adeptas do culto do crânio, que já citamos anteriormente e talvez isso se deva ao intercâmbio que havia entre os assentamentos humanos. Também verificou-se que as casas redondas de Jericó foram substituídas por casas retangulares, sugerindo uma mudança cultural.

Na Europa há evidências que a agricultura tenha começado a se desenvolver por volta de 7.000 a.C vinda do Crescente fértil.

O que se percebe é que o tipo de trabalho desempenhado ainda não havia se tornado um elemento de distinção social. A obrigação de cultivar os campos, regular as enchentes, cuidar dos animais domésticos, explorar as florestas, caçar, drenar os pântanos, fabricar tecidos ou moldar a cerâmica poderia recair sobre qualquer membro da comunidade. Havendo a rara disponibilidade de excedentes, a produção agrícola conseguida por uma aldeia neolítica era igualmente dividida entre sua população.

Lugares para visitar:

Biblos: Biblos situa-se na costa mediterrânea, a 42 quilômetros de Beirute, capital do Líbano. É um foco de atração para arqueólogos devido às fases sucessivas de vestígios arqueológicos resultantes de séculos de ocupação humana.

Museu das Civilizações da Anatólia de Ancara na Turquia: destaque para o mapa, datado de 6.200 anos a.C, considerado a planta do assentamento de Çatalhöyük e o primeiro plano urbano do mundo.

Çatalhöyük : Durante um passeio pela Turquia, pode-se conhecer sítio arqueológico entre Konya e Cappadocia. O lugar é patrimônio da UNESCO. É possível visitar os locais onde estão as casas daquela época (sem portas ou janelas, somente entradas pelo topo das casas onde eles jogavam uma escada provavelmente para a proteção contra inimigos ou animais.

Publicado por patipelomundo 14:55 Arquivado em Líbano Comentários (0)

Os Primeiros Assentamentos Humanos

De 10 mil a 8 mil a.C – Segunda Parte

Desde a época dos primeiros “homo sapiens” percebeu-se uma certa pré-disposição da espécie para o convívio social, organizando-se em famílias/grupos e evoluindo para pequenos assentamentos humanos.

Os primeiros exemplos conhecidos de assentamentos humanos começaram a parecer por volta de 10 mil a.C na região denominada de Crescente Fértil na Ásia, que se estende ao longo dos rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque, além do rio Jordão, no atual Israel, Palestina e Jordânia, formando um crescente em forma de lua. Esses rios proporcionaram solo fértil e água abundante para o cultivo de plantas como trigo e cevada, possibilitando o desenvolvimento de sociedades agrícolas complexas.

Estrada para Jerico no Crescente Fértil

Estrada para Jerico no Crescente Fértil

Uma das discussões centrais entre os historiadores gira em torno da relação entre a agricultura e a formação dos assentamentos humanos. Alguns argumentam que foi o desenvolvimento da agricultura que possibilitou a formação de assentamentos permanentes. Com a domesticação de plantas e animais, as comunidades puderam garantir fontes estáveis de alimentação ao longo do ano, incentivando a sedentarização e o estabelecimento de locais fixos para residência.

Crescente Fértil

Crescente Fértil

Por outro lado, há indícios de assentamentos humanos antes do advento da agricultura, e que esses primeiros grupos nômades já exploravam recursos naturais de maneira sustentável.

Em Tell -QARAMEL, 25 km de Alepo na Síria, por exemplo, foram descobertos cerca de 90 edifícios, numerosas lareiras e fossas, além de sepulturas humanas decoradas com contas e placas e uma rica coleção de objetos de uso diário feitos de pedras e ossos, ricamente decorados com motivos geométricos, animais e antropomórficos. O mais surpreendente é que até agora não foram encontrados vestígios de domesticação de animais ou de cultivo de cereais em um assentamento com uma cultura tão desenvolvida.

Também foram encontrados restos de uma sucessão de cinco estruturas redondas de pedra que os escavadores reconhecem como restos de torres. A parte mais antiga foi datada entre o décimo primeiro milênio e 9.670 a.C, ou seja, o local seria contemporâneo ao de Gobekli Tepe na Turquia, citado anteriormente como sendo o templo mais antigo do mundo. Esse fato leva a outra discussão entre os pesquisadores, podendo levar a crer que um dos motivos para as primeiras comunidades não tenha sido a agricultura e sim o culto ou a religião.

Também em Tell – QARAMEL na Síria foram localizados restos de 20 indivíduos adultos nas escavações. A maioria dos corpos tinha a cabeça removida por corte logo após a morte. Esse tipo de remoção da cabeça também foi atestado em outros sítios neolíticos pré-cerâmicos, como em Jericó, na Cisjordânia e em Tell Aswad na Siria, onde foram localizados nove crânios rebocados, que são considerados os mais bem preservados e mais informativos de todos esses achados no Oriente Próximo. No entanto, em 2007 devido a eclosão da guerra na Síria as escavações foram suspensas.
Tell Qaramel Siria

Tell Qaramel Siria

A primeira ideia que vem à cabeça ao pensar nesses corpos com a cabeça removida é que eles teriam sido decapitados. No entanto, os crânios encontrados eram tratados e muito bem cuidados com o intuito de serem preservados, parecendo que as pessoas queriam manter um retrato do morto. Será que essa era uma forma de não esquecer ou homenagear um ente querido? Estudiosos acreditam que eram uma espécie de culto aos crânios. Mais uma vez, dificilmente saberemos os reais motivos desses crânios encontrados nesses antigos assentamentos humanos, mas reforçam a possibilidade de formação de assentamentos humanos ao redor de lugares utilizados para cultos.

Cranios Rebocados

Cranios Rebocados

Já Jericó na Palestina foi um lugar pioneiro por possuir algumas das primeiras evidências de trabalho comunitário em grande escala envolvendo culturas agrícolas no seu assentamento. Provavelmente foi o lugar onde a agricultura começou a ser desenvolvida e onde pode ter ocorrido a primeira domesticação de animais em grande escala. O povo de Jericó vivia em casas circulares e cada casa teria um local de estoque da produção. Aparentemente não teriam muitas diferenciações entre as casas, indicando não haver diferenciação social.

Provavelmente o que fez Jericó ter sido o local dos primeiros assentamentos humanos com o cultivo de cereais e a domesticação de animais esteja relacionado a suas características geográficas já que o local fica em um vale com fontes de água subterrâneas, estando na região do Crescente Fértil.

Localizada no Vale do rio Jordão, Jericó está situada em uma depressão abaixo do nível do mar, o que não só a torna uma das cidades mais baixas do planeta, mas também facilita o acesso a fontes de água subterrâneas.

Jerico nivel do mar

Jerico nivel do mar

A abundância de água subterrânea foi crucial para o desenvolvimento inicial da cidade. Em um ambiente árido e desafiador como o deserto da Judeia, as fontes de água eram escassas e muito valorizadas. Jericó, com suas nascentes e o acesso a águas subterrâneas, destacou-se como um verdadeiro oásis em meio ao ambiente árido ao redor.

Essas condições favoráveis não apenas sustentaram a vida humana, mas também atraíram assentamentos permanentes. A presença de água não apenas garantia a sobrevivência das comunidades, mas também permitia a prática da agricultura e o estabelecimento de uma economia local baseada na produção de alimentos em um ambiente de outra forma hostil.

Além das fontes de água, a localização estratégica de Jericó também desempenhou um papel importante em sua história como um dos primeiros centros urbanos. Localizada entre duas cadeias de montanhas e o Mar Morto, fica em um local naturalmente defensável.

Jerico

Jerico

O primeiro assentamento permanente de Jericó foi construído próximo ao local denominado “Tell as-Sultan”, por volta de 8 300 e tinha muros ao redor do assentamento e uma torre de sete metros de altura com uma escadaria interna, que conduzia ao telhado, e com símbolos pictográficos adornando suas paredes. A princípio a torre não teria nenhuma relação com as muralhas construídas ao redor de Jerico. As muralhas podem ter sido para defesa de inimigos, mas também contra inundações repentinas que poderiam assolar a região naquela época.

Um grande mistério que permanece é em relação a função dessa torre. Especulam que poderia ser utilizada para a armazenagem de grãos já que a agricultura começou a ser desenvolvida em larga escala naquele local. Por outro lado, a escada interna da Torre de Jericó não apenas facilitava o acesso a diferentes níveis da estrutura, mas também sugere que a torre serviu como um posto de observação, podendo ter servido como local para pessoas vigiarem os arredores, detectando potenciais ameaças de inimigos ou de animais, como também um observatório de estrelas.

Os símbolos pictográficos encontrados na Torre de Jericó também têm sido objeto de estudo e debate entre arqueólogos e historiadores. Esses símbolos, que incluem figuras humanas, animais estilizados e padrões geométricos, podem ter desempenhados um papel ritualístico, religioso ou até mesmo educacional na sociedade da época. Podem ter sido usados para transmitir histórias, marcar eventos importantes, ou simbolizar a identidade cultural e étnica da comunidade que construiu a torre.

Alguns estudiosos também sugerem que a Torre de Jericó pode ter servido como um centro administrativo ou um local cerimonial, onde líderes se reuniam para tomar decisões importantes, realizar rituais religiosos ou mesmo celebrar festividades comunitárias.

Sua localização proeminente e sua estrutura imponente também podem ter servido como um símbolo de poder e prestígio para a comunidade que a construiu. Conforme citado anteriormente, restos de torres foram localizadas em Tell – QARAMEL, datando de 9.670 a. C e esta datação torna a estrutura cerca de dois milênios mais antiga que a torre de pedra encontrada em Jericó, que anteriormente se acreditava ser a estrutura de torre mais antiga conhecida no mundo.

A verdade é que dificilmente saberemos a real função dessas torres nesses assentamentos, mas elas representam um testemunho da complexidade cultural das civilizações antigas que habitavam a região.

Também devemos destacar que esses assentamentos não viviam isolados. Havia assentamentos espalhados por todo o crescente fértil, como, por exemplo, Tell Aswad na Síria, Cayonu na Turquia e o assentamento de Jer fel Ahmar, no norte da Síria, que foi inundado pelo lago Assad, após a construção da Barragem de Tishrin.

Apesar de muitas incertezas, o que os estudiosos acreditam é que Jericó foi um dos maiores assentamentos da época e que foi pioneiro no desenvolvimento da agricultura e na domesticação de animais, levando ao início de uma nova era na história humana, caracterizada pelo sedentarismo, pelo desenvolvimento de assentamentos permanentes e pela ascensão das primeiras cidades.

O real motivo dos primeiros assentamentos humanos nunca saberemos, podendo ter sido por defesa, algum culto ou por busca de alimentação, mas o que eles logo perceberam é que juntos eram mais fortes!!!

Dicas de Viagem
Jericó na Palestina, partindo de Jerusalém
Síria - Tell -QARAMEL, 25 km de Alepo na Síria.
Turquia - Gobekli Tepe

Publicado por patipelomundo 22:02 Arquivado em Israel Comentários (0)

(Textos 1 - 5 de 615) Página [1] 2 3 4 5 6 7 8 9 10 .. » Próximo